Pescadores conseguem paralisação de obra, e empresas prometem reunião na sexta (03/07)

 

Foto: Assessoria Mandato Coletivo Flávio Serafini

 

Após novo protesto em Santa Cruz, responsáveis pela obra da barragem no Canal do São Francisco se comprometeram a parar a construção da soleira submersa pelo menos até a próxima sexta-feira. No próximo dia (03/07), às 14h, está marcada reunião entre representantes da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz e Adjacências (AEDIN) e os pescadores, que estão há mais de uma semana impedidos de trabalhar por causa da obra.

A informação foi repassada aos pescadores por engenheiros responsáveis pela obra da barragem. Hoje (01/07), foi realizado o segundo protesto, reunindo cerca de 50 pessoas, contra a construção da barragem em Santa Cruz. Uma reunião havia sido marcada para esta quarta-feira (01/07), mas a AEDIN não cumpriu com o que havia sido acordado e novo protesto foi realizado.

O pescador Elias de Deus, 40, um dos vários pescadores prejudicados, conta ter ficado das 21h às 3h da madrugada, esperando um reboque, sem ter como voltar da pescaria. “Eles afunilaram o rio e não calcularam a vazão correta da água. O problema ali é perigo de vida”, alerta Elias. Segundo ele, o direito dos pescadores é muito além do que o direito ao trabalho. “A gente quer nosso direito de ir e vir. Não é cesta básica. A gente não vive de cesta básica. A gente vive de pescaria e trabalho náutico”, argumenta ele.

Gabriel Strautman, do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), avalia a vitória dos pescadores como positiva. “Eles não estão dispostos a aceitar a soleira. Essa obra está sendo feita sem diálogo nenhum. O que os pescadores pedem é o direito de viver da pesca no território deles”, avalia Gabriel, que acompanhou o protesto na manhã e na tarde de hoje.

A barragem está sendo construída com o pretexto de resolver a crise hídrica, mas foi mal licenciada e inviabiliza a pesca na região. Além disso, temos dúvidas sobre a qualidade do estudo ambiental feito às pressas. Os pescadores pedem a paralisação imediata da sobras e a retirada da barragem — disse Gabriel.

O que é a soleira

A soleira submersa é uma estrutura hidráulica que está sendo construída no Canal do Rio São Francisco para contenção da entrada de água do mar na água do rio. Ela é formada por estacas de metal que atuam no represamento da água salgada, que não é útil à atividade industrial. A chamada “intrusão salina” tem ocorrido desde o ano passado, quando houve queda na vazão do Rio Paraíba do Sul, e tem atingido as indústrias do polo de Santa Cruz que se localizam às margens do rio Guandu.

Entenda o problema

A soleira submersa em construção está impedindo o trânsito das embarcações que passam pelo rio para a pesca na Baía. Em certos períodos do dia, a barragem cria uma “correnteza” que não permite a passagem dos barcos, colocando em risco a vida de pescadores e turistas da Baía de Sepetiba. A “correnteza” muitas vezes tem impedido também o retorno dos pescadores. Muitos deles estão há mais de uma semana sem pescar.

No dia 15 de abril, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) concedeu a autorização ambiental IN030406 para obra emergencial de construção da soleira pela Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz e Adjacências (Adein), formada pela ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), Gerdau e Furnas, entre outras. A autorização ambiental tem validade de um ano. Somente no dia 9 de maio, 24 dias depois da autorização para a obra, os técnicos do INEA se reuniram com os pescadores da região para expor o projeto. Segundo o pescador Jaci, na reunião os técnicos asseguraram que a obra não causaria impacto negativo à pesca da região. Quando questionados pelos pescadores sobre possíveis alternativas, os técnicos argumentaram que a obra já estava autorizada pela Marinha e pelo Inea.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 + 9 =