Obra da barragem ficará parada até tentativa de acordo na Defensoria Pública

Representante da AEDIN conversa com pescadores e defensor público em Santa Cruz

Representante da AEDIN conversa com pescadores e defensor público em Santa Cruz

Mais uma vitória dos pescadores de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Em reunião realizada hoje (03.07) entre eles, defensores públicos, representante da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz e Adjacências (AEDIN) e o deputado estadual Flávio Serafini ficou acertado que a obra da barragem no Canal do São Francisco permanece parada até reunião marcada para quarta-feira (08.07), às 11h, na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, no Centro.

A reunião proposta por defensores para a próxima quarta busca fechar acordo para resolver o problema da pesca em Santa Cruz. Os trabalhadores estão impedidos de acessar a Baía de Sepetiba por causa de uma soleira submersa (espécie de barragem de placas metálicas) que está sendo construída no Canal do São Francisco.

A solução proposta na reunião pelo engenheiro Abílio Faia, diretor de sustentabilidade da AEDIN, seria a construção de um atracadouro e a instalação de um trator para “rebocar” os barcos que não conseguem transpor a “correnteza” criada pela barragem. A proposta foi prontamente rejeitada pelos pescadores e defensores, uma vez que deixaria os trabalhadores na dependência direta da ação das empresas. A maioria deles sai de noite e na madrugada para pescar.

Outra proposta lançada, além do fim das obras da barragem, é a indenização retroativa e posterior a três meses pelos prejuízos causados aos pescadores. Ainda não há acordo sobre esse ponto.

A Aedin também se comprometeu a realizar estudo de monitoramento de impacto na fauna e flora da região, além de estudo de impacto no trabalho dos pescadores, já que os dados levados em conta no licenciamento são de 2007.

“Na verdade, a intenção das empresas é retirar água doce para não prejudicar os motores das fábricas deles. A gente não pode ser flexível porque eles não se preocuparam com a gente”, argumenta Edson Corrêa, pescador de Santa Cruz. Na avaliação de Edson, a reunião de hoje representa mais uma pequena vitória dos pescadores contra o impedimento do direito à pesca na região.

 

Empresas que compõem a AEDIN

AKZO Nobel Pulp and Performance Química

Casa da Moeda do Brasil

Emanuelle Locadora de Veículos

Fábrica Carioca de Catalisadores

Furnas Centrais Elétricas

Gerdau Aços Longos

Haz Soluções Ambientais

Linde Gases

Morganite Brasil

Oil States do Brasil

Katrium Indústria e Comércio

Rexam Beverage

Rolls Royce do Brasil

Sicpa Brasil

Sociedade Michelin

ThyssenKrupp CSA (TKCSA)

Transcor Indústria de Pigmentos e Corantes

 

O que é a soleira

A soleira submersa é uma estrutura hidráulica que está sendo construída no Canal do Rio São Francisco para contenção da entrada de água do mar na água do rio. Ela é formada por estacas de metal que atuam no represamento da água salgada, que não é útil à atividade industrial. A chamada “intrusão salina” tem ocorrido desde o ano passado, quando houve queda na vazão do Rio Paraíba do Sul, e tem atingido as indústrias do polo de Santa Cruz que se localizam às margens do rio Guandu.

 

Veja no vídeo como a barragem prejudica a passagem dos barcos

https://www.youtube.com/watch?v=KeCs0SnLygs

 

 

Entenda o problema

A soleira submersa em construção está impedindo o trânsito das embarcações que passam pelo rio para a pesca na Baía. Em certos períodos do dia, a barragem cria uma “correnteza” que não permite a passagem dos barcos, colocando em risco a vida de pescadores e turistas da Baía de Sepetiba. A “correnteza” muitas vezes tem impedido também o retorno dos pescadores. Muitos deles estão há mais de uma semana sem pescar.

No dia 15 de abril, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) concedeu a autorização ambiental IN030406 para obra emergencial de construção da soleira pela Associação das Empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz e Adjacências (Adein), formada pela ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), Gerdau e Furnas, entre outras. A autorização ambiental tem validade de um ano. Somente no dia 9 de maio, 24 dias depois da autorização para a obra, os técnicos do INEA se reuniram com os pescadores da região para expor o projeto. Segundo o pescador Jaci, na reunião os técnicos asseguraram que a obra não causaria impacto negativo à pesca da região. Quando questionados pelos pescadores sobre possíveis alternativas, os técnicos argumentaram que a obra já estava autorizada pela Marinha e pelo Inea.

 

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