Tem início nova turma do Curso Mulheres e Economia

 

Teve início na última quarta-feira, 12, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, a 11ª edição do Curso Mulheres e Economia I. A formação é pensada e organizada por uma equipe de mulheres e é voltada também para esse público. Segundo Joana Emmerick, educadora do Pacs, a ideia é “se apropriar da economia que já está nas nossas vidas, no nosso cotidiano, mas que às vezes aparece como algo distante, algo do mundo masculino. Encarar a economia (política) a partir dos olhares das mulheres, do feminismo é o desafio a que nos propomos”, explicou.

A visão da economia clássica, ligada à ideia de homem econômico (homo economicus), marcou o desenvolvimento da Economia como Ciência e como prática política a partir de meados do século XIX. Tal visão baseava-se em premissas fundamentais como a chamada divisão sexual do trabalho e a separação entre a esfera política e a econômica. “É importante a gente pensar aqui a quem serve essa visão? A quem serve separar o mundo de dentro de casa do de fora? Se não fossemos, nós mulheres, assumindo as múltiplas jornadas de trabalho, responsabilizando-nos pela reprodução da vida, como seria o mundo?”, questionou Emília Jomalinis, também educadora do Pacs.

Uma grande nuvem de palavras foi montada coletivamente na tentativa de mapear as impressões do grupo sobre os conceitos chave “economia” e “feminismo”. No fim da formação, em setembro, a ideia é retornar a esse mapa e observar que ideias e conceitos foram desconstruídos ou deram lugar a outros.

Cochicho de vizinha

Diversas perspectivas feministas apresentam como dimensões importantes a ação política e a produção de conhecimento a partir do cotidiano e das experiências de vida das mulheres; da troca de saberes, segredos, receitas da medicina natural e de alimentos e do convívio cotidiano. No primeiro dia de curso, a tradicional apresentação das participantes foi facilitada por uma dinâmica em que, em duplas, as mulheres foram convidadas a se apresentarem a partir da identidade emprestada. “A ideia é a gente se colocar no lugar da outra. Se enxergar e se apresentar como sendo essa outra mulher, é isso que a gente tá chamando aqui de cochicho ou conversa de vizinhas”, explicou Aline Lima, psicóloga e também educadora popular do Pacs que guiou a atividade.

Gestão compartilhada

Ainda no primeiro dia, a turma de cerca de 40 mulheres se dividiu em três grupos de trabalho para pensar conjuntamente a gestão político-pedagógico, a comunicação e a experimentação de outras linguagens no curso. Segundo Aline Lima, a ideia é colocar em prática a cogestão, um dos princípios da educação popular, partilhando as responsabilidades sobre a condução do curso, permitindo aprendizados para além do conteúdo propriamente dito.

A formação acontece até o dia 16 de setembro, às quartas-feiras, de 13 às 18h na sede do Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro) em Campo Grande. Trabalho, saúde, acesso a políticas públicas, modelo de desenvolvimento, endividamento público e práticas autogestionárias são alguns temas a serem trabalhados. O curso é uma iniciativa do Instituto Pacs em parceria com o Núcleo de Estudos Urbanos da Fundação Educacional Unificada Campograndense (Neurb / Feuc), com a Universidade da Cidadania (UFRJ) e com o Instituto de Formação Humana e Educação Popular (IFHEP). Conta ainda com o apoio da organização Pão para o Mundo e do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

6 + 2 =