Notas sobre “The Leap Manifesto” e o filme-livro “This Changes Everything”

Marcos Arruda, do Pacs, está em Paris, acompanhando as discussões da COP21. Ele nos enviou o seguinte relato, com suas impressões sobre o “Leap Manifesto” e o filme-livro “This Changes Everyting”.

 

Paris, 02/12/2015

Tivemos há pouco uma maravilhosa sessão com Naomi Klein e outros líderes de movimentos sociais. Ela apresentou “The Leap Manifesto”, cuja leitura e compartilhamento eu recomendo. A ideia vem do Canadá, e pode ser recriada no contexto de cada país ou região. O texto é muito bom, e envolve um grande sistema de difusão. […]

the leap manifesto

Página do “The Leap Manifesto”, lançado no Canadá. Fonte: Reprodução

 

Naomi e o diretor do filme “This Changes Everything” abriram o evento se referindo a uma pessoa autóctone [indígena, de povos originários] chamado Oklahoma, que nos ensinou:  ‘falar com o criador, com a água, a terra e todos os seres vivos que sustentam as nossas vidas’.

Saiba Mais sobre o filme em [SOMENTE EM INGLÊS]:

http://www.theguardian.com/business/video/2015/mar/06/this-changes-everything-naomi-klein-oil-video

“Obrigada Naomi, por abrir esse espaço para nós. Sinto sua essência ali. Saúdo todos os povos indígenas das Américas do Norte, Central e do Sul”, Oklahoma completou. Depois disso, sete minutos de oração. Muito emocionante!

O texto pode ser lido em leapmanifesto.org. Por favor, espalhe essa mensagem. Acabamos de assistir ao filme “This Changes Everything”, narrado por Naomi. É um filme impressionante, pois desvela quem é realmente pragmático. Pragmatismo significa ‘atuarmos por inspiração dos intentos práticos da ação e suas consequências previstas’.

O filme mostra as entranhas desse sistema cruel chamado capitalismo. Você já notou que o capitalismo é um palavrão sobre o qual os capitalistas raramente falam? Eles se denominam capitalistas? Eles usam eufemismos como “sistema de livre mercado” para se referir ao que é o capital de fato: um sistema centrado no dinheiro, no trabalho humano. Conhecimento e criatividades se tornam meras mercadorias, “commodities”.

Agora Crystal, da “Beaver Lake Cree Struggle” (indigenousrise.org) está com a palavra. Sempre mais mulheres na vanguarda, sempre mais mulheres liderando as comunidades, ela diz !!! Vocês tem que ver esse filme! É um tipo de filme que toca sua sensibilidade.

Outro palestrante: refugiados do clima. Um modelo econômico que mata pessoas e destrói os ecossistemas. É preciso conectar a luta em torno do clima com a luta migrante. As alterações climáticas estão acontecendo agora e obrigando milhões a partir para o exílio. Pessoas comuns na Alemanha estão deixando de lado o tradicional “julgamento liberal” e estão mobilizando solidariedade para as pessoas que estão buscando refúgio.

Naomi: O aquecimento global é uma grande ameaça, mas também uma oportunidade para uma inversão do sistema global e suicida de mercado. Existem alternativas ao carvão, ao petróleo, às areias betuminosas, ao fraturamento hidráulico [fracking], à energia nuclear.

Este filme é uma celebração dos movimentos sociais que estão enfrentando indústrias extrativas destrutivas e fontes energéticas impostas aos povos e aos países. As lutas na Índia e China mostram que as pessoas unidas podem vencer. E isso não está sendo discutido na reunião oficial. Concordo com o Papa: no centro da crise está a cultura do desperdício.

Ativista antinuclear da Alemanha: vivemos sob a ditadura do capital. Por que as pessoas ainda falam tão pouco sobre anticapitalismo?, questiona ele.

Cooperativas energéticas na França: reapropriar os meios de produção para que, a partir de energias renováveis, iniciemos o desenvolvimento democrático de base local.

Mexicana: um movimento indígena lançou uma campanha global da maré-enchente dos povos autóctones – os Zapatistas – expressando a subida e expansão desses povos nas lutas pelos seus direitos e pelos direitos da Terra.

Mais pessoas da plateia estão falando, como um ativista grego contra a extração de ouro pela Canadian Eldorado, na Grécia.

Acordos relacionados à vida cotidiana são necessários. O objetivo é propormos nossos próprios planos para controlar a nossa vida e nossos territórios. O capitalismo não é uma coisa contra a qual podemos atirar uma pedra e quebrá-lo. O capitalismo é uma relação: devemos destruir nossos velhos conhecimentos e construir os meios e formas de mostrar para cada vez mais pessoas como o capitalismo funciona.

 

 

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