Nota pública do Pacs sobre a conjuntura

O Pacs completa 30 anos de existência em 2016. Nascido do processo de redemocratização do país, não pode assistir ao que está se passando no cenário político, sem  se pronunciar contra a recente ameaça à democracia brasileira.

Ao longo da história, a democracia na América Latina sofreu ataques constantes que culminaram muitas vezes na implantação de golpes civis e/ou militares. Foi assim na Venezuela em 2002. Foi assim no Haiti em 2004. Os golpes de Estado mais recentes, de Honduras em 2009 e Paraguai em 2012, apresentam características semelhantes ao que vemos no Brasil atual. A judicialização da política atinge níveis incontroláveis, isso somado ao monopólio midiático e à pressão de grupos econômicos tentam instaurar um estado de exceção no Brasil, desestabilizando a nossa frágil democracia e colocando em xeque os direitos individuais e coletivos conquistados a partir da Constituição de 1988.

Repudiamos toda forma de golpismo promovido por setores empresariais descontentes e que desejam tomar de assalto o poder para  atenuar sua insaciável ambição por mais lucros. Rejeitamos veementemente todas as formas de conspiração e conchavos, que nada têm de populares. Repudiamos veeementemente a disseminação do ódio, da intolerância e a interrupção dos ritos democráticos num ambiente de asfixia criado e propagado pelas elites, pela mídia e por grupos que disseminam ideias pró-fascistas.

Repudiamos as manifestações de ódio de classe, racismo, machismo e LGBTfobia que vieram à tona nas ultimas semanas.

Num contexto de acirrada crise política, a classe trabalhadora não deve ser ainda mais penalizada.  Os ataques aos direitos previstos no ajuste fiscal e nos processos de  criminalização dos movimentos populares, colocados em curso no atual governo, devem ser combatidos.

Reafirmamos nosso lugar junto dos movimentos populares, das comunidades eclesiais de base, das organizações críticas da sociedade civil; que atuam de forma crítica e inovadora; dos coletivos de educação popular e economia solidária; das mulheres, afrodescendentes e jovens, atingidas pelo atual modelo de desenvolvimento capitalista em curso no Brasil. Juntas e juntos seguimos lutando pela transformação social em nosso país e do nosso continente: sem golpismo, nem oportunismo; continuando a resistência e o trabalho diário, por vezes invisível, de contribuição para a formação política e cidadã daqueles/as que vivem do fruto de seu trabalho, e não da exploração do labor alheio.

Em tempos de angústia para todos/as aqueles/as que lutam por justiça social, reafirmamos nosso apoio irrestrito à defesa da democracia, aos direitos  e ao avanço da organização da classe trabalhadora resguardada em sua autonomia e radicalidade.

Seguimos juntos e juntas!

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