Encontro Popular de Saúde reúne mulheres da Zona Oeste do Rio de Janeiro

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No próximo dia 12 de maio, a partir das 9h, acontece em Campo Grande, o I Encontro Popular de Saúde das Mulheres da Zona Oeste. A atividade é organizada pelo Comitê Popular de Mulheres da Zona Oeste e busca visibilizar as violações do direito à saúde na região.  O encontro acontece na Fundação Educacional Unificada Campograndense (Feuc) e conta com mesas e oficinas sobre saúde integral da mulher, plantas medicinais, direitos sexuais e reprodutivos, aborto, parto humanizado e soberania alimentar. Além disso, a atividade ocorre concomitante à III Jornada em defesa da Reforma Agrária.

Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados em 2014, as mulheres negras são 60% das mães mortas durante partos no SUS.  O cenário local também é preocupante: segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, somente em 2012, na Área de Planejamento Santa Cruz, aproximadamente 64 mulheres morreram em decorrência de problemas durante e/ou depois da gestação e em Campo Grande este número corresponde a aproximadamente 68 mulheres.

As duas áreas administrativas, de Campo Grande e Santa Cruz,  correspondem a bairros localizados numa região  que concentra 16% da população do município e é formada principalmente por bairros com baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Para as organizadoras do encontro, a violação do direito à saúde das mulheres na região está ligada ao modelo de desenvolvimento imposto às populações destes territórios, com forte presença de indústrias poluidoras, com o desmonte da agricultura familiar e com as pesadas jornadas de trabalho às quais as mulheres são submetidas por acumular além do trabalho fora de casa, as tarefas domésticas e de cuidado.

Saiba mais

28 de maio é Dia Nacional de Combate à Mortalidade Materna e Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher. As datas não coincidem à toa. A mortalidade materna decorrente da violência doméstica, da falta de atendimento médico, cuidados e alimentação adequada durante a gestação, das altas taxas de cesáreas e da criminalização do aborto, dentre outros fatores, é uma das principais causas de morte das mulheres brasileiras.  Em 2013, aproximadamente 1500 mulheres morreram no Brasil por complicações ao dar à luz, durante ou após a gestação ou causadas por sua interrupção. Por isso, um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio com o qual o Brasil está comprometido com a ONU é a diminuição neste índice. De 1990 para cá, a taxa caiu quase pela metade, mas a redução não será suficiente para que se consiga cumprir a meta que era chegar a uma taxa de 35 mortes por 100 mil nascimentos.

Confira a programação:

12/05
Manhã: 09h00 ás 12h00

Mesa de debate: Desafios para pensar a Saúde da Mulher: conjuntura e práticas integrativas
– Elaine Pelaez – Fórum de Saúde do RJ
– Silvia Baptista – Agrovargem e Rede Carioca de Agricultura Urbana
– Leticia Maione
– Aline Nunes – Associação de Mulheres de Ação e Reação (AMAR)
Mediação: Saney Souza – Comitê Popular de Mulheres da Zona Oeste e Rede Carioca de Agricultura Urbana

Tarde: 14h ás 17h

 Rodas de Conversa/Oficinas
– Plantas Medicinais – Silvia Baptista (Agrovargem e Rede Carioca de Agricultura Urbana) e Danieli Santos (NASF Rio das Pedras)

– Indústria Alimentícia e Soberania Alimentar – Bernadete Montesano (Rede CAU e CRASS Cecília Meirelles) e Saney Sousa (Comitê Popular de Mulheres da Zona Oeste e Rede Carioca de Agricultura Urbana) e Irma Ferreira (Agroprata)

– Parto Humanizado – Ariana Santos (Coletivo de Parteiras) e Aline Lima
(PACS)

– Descriminalização do Aborto e Direitos Sexuais e Reprodutivos –
Leticia Maione e Taisa Falcão.

Serviço:

Encontro Popular de Saúde das mulheres da Zona Oeste

12 de maio de 2016, das 9 às 17h

Inscrições e informações: comitedemulheresdazonaoeste@gmail.com

Confirme presença: https://goo.gl/iGYnfn

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