Mulheres, como vai nossa saúde na Zona Oeste?

Por que ainda tantas mulheres morrem de parto? Por que ainda tantas sofrem violência doméstica? Quais são os programas específicos para as mulheres nos aparelhos de saúde públicos dos bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro? Quais fazem falta? Como se dá a luta das mulheres pelo atendimento integral à saúde no SUS nessa região do município do Rio de Janeiro?

Essas são algumas das questões discutidas na publicação “Mulheres, como vai nossa saúde na Zona Oeste?“.  A cartilha feita conjuntamente pelo Comitê Popular de Mulheres da Zona Oeste com o apoio do Pacs e do Núcleo Piratininga de Comunicação traz dados de uma pesquisa realizada pela pesquisadora Paula Carvalho (UFRJ/PPCIS) analisando a saúde das mulheres na região que é uma das mais populosas do Rio de Janeiro, concentrando 16% da população do município. O Baixo Índice de Desenvolvimento Humano da maior parte dos bairros que compõem a zona oeste revela-se no precário atendimento à saúde primária e secundária e resulta na alta mortandade materna, para citar uma das preocupações do Comitê.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, somente em 2012, na Área de Planejamento Santa Cruz, aproximadamente 64 mulheres morreram em decorrência de problemas durante e/ou depois da gestação e em Campo Grande este número corresponde a aproximadamente 68 mulheres.

Além disso, o alto índice de violência contra a mulher, o racismo institucional, a criminalização do aborto e a poluição que impacta a produção de alimentos e a qualidade da água também são problemas que interferem diretamente na saúde das mulheres que vivem na região, segundo aponta a cartilha escrita pela jornalista Janaína Pinto e que conduz a discussão de saúde para além da perspectiva de ausência de doença.

Os temas abordados pela cartilha foram discutidos no Encontro Popular de Saúde das Mulheres da Zona Oeste que aconteceu no último dia 12 de maio e que marcou o lançamento da publicação. A realidade atual do SUS e os desafios para a consolidação de uma prática integrativa de atenção à saúde da mulher na rede pública foi mote para a mesa de abertura do evento.

“Pra garantir a saúde na perspectiva que a gente acredita não adianta só ir numa farmácia comprar um remédio ou ir no posto de saúde pra uma consulta. A saúde é mais. Ela resulta das condições de vida, de trabalho, do acesso ao lazer, saneamento, habitação, da política de mobilidade urbana… É preciso um setor público forte, é preciso políticas integrais que consigam enxergar o ser humano em sua totalidade, que não reduza as usuárias a um pedaço do corpo”, explicou Elaine Pelaez do Fórum de Saúde do Rio de Janeiro.

Parto humanizado, plantas medicinais, indústria alimentícia e soberania alimentar, descriminalização do aborto e direitos sexuais e reprodutivos foram temas das rodas de conversa que integraram o evento que reuniu cerca de 80 mulheres na Fundação Educacional Campograndense, em Campo Grande.

Segundo Saney Sousa, integrante do Comitê Popular de Mulheres da Zona Oeste e da Rede Carioca de Agricultura Urbana, a ideia é que a publicação seja difundida de maneira colaborativa e possa ser reproduzida para o máximo de mulheres possível.  “Eu estou muito emocionada porque é um trabalho que a gente tá construindo há um tempinho já coletivamente e hoje tá aqui viva pra gente destrinchar ao longo do dia e ao longo da nossa vida”, comentou.

Baixe aqui a versão em pdf: cartilha saude da mulher

Página do Comitê no Facebook: https://goo.gl/h7eVcl

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