Pacs promove primeira fase de curso sobre autogestão e cidade

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As cidades têm sido espaços onde, cada vez mais, se concentram grandes contradições do desenvolvimento capitalista: desigualdade, periferização e militarização. Por outro lado, as cidades foram (e são) palco de grandes resistências e experimentação coletiva de formas alternativas de viver, trabalhar e se organizar. Partindo dessa premissa, o Instituto Pacs promoveu neste fim de semana, 2, 3 e 4/12,  a primeira etapa do curso “Produção de viver, poder popular e autogestão nas cidades“. A formação vai contar com mais duas edições e tem como objetivo fortalecer iniciativas autogestionárias que ocorrem nas cidades.

Além de representantes de movimentos, organizações e grupos de vários lugares do País, o primeiro dia de trabalho contou com a participação de Sandra Quintela, coordenadora geral do Pacs, Joana Barros, da Fase, e Nívia Regina, do MST. Sandra tratou do tema capitalismo, economia e autogestão, destacando como o racismo e o machismo são temas estruturantes para entender o modelo capitalista de desenvolvimento. “Sem patriarcado não haveria capitalismo, por isso a autogestão é uma ferramente fundamental para pensar caminhos de superação desse modelo de desenvolvimento”.

Joana Barros defendeu que o discurso do urbano como algo a atingir uma “completude” encobre a natureza da cidade capitalista. “As cidades são incompletas porque assim funciona no sistema capitalista. Não poderia ser de outra forma”, explicou. Nívia Regina concluiu a mesa do primeiro dia falando do tema da autogestão no campo e de como é preciso de uma “restauração revolucionária da nossa relação metabólica com a natureza”

“Precisamos discutir com a sociedade, pelo menos três questões fundamentais: Que tipo de uso queremos dar ao solo, a água, aos recursos naturais, a biodiversidade? Que tipo de comida nós queremos comer? Que tipo de paradigma tecnológico queremos desenvolver?”, apontou Nívia.

No domingo, 4, Cláudio Nascimento e Bia Costa, do Cedac, fizeram um recorrido histórico sobre práticas autogestionárias no Brasil e Juliana Santos, do MTSB, refletiu sobre o conceito de bem viver nas cidades e sua relação com tais práticas de auto organização dos/as trabalhadores/as. Os grupos e movimentos participantes elaboraram estratégias conjuntas de fortalecer e visibilizar as experiências e acordaram ainda alguns apontamentos para a continuidade da formação.

 

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