Julho Negro denuncia racismo e militarização das vidas

Já estão nas ruas do Rio as ações do 2º Julho Negro, jornada de lutas contra o racismo e militarização das vidas que neste ano pretende ampliar  a articulação Internacional com a participação de mães e familiares vítimas da Palestina, do México e da Associação de Haitianos do Brasil. O primeiro dia de atividades, nesta segunda (17/07), foi marcado por um ato contra a intolerância religiosa em homenagem a mãe Beata e a militante Elaine Freitas, no Cais do Valongo, e pelo lançamento da campanha “Vidas nas Favelas Importam”.

Mais cedo, pela manhã, os movimentos que estão construindo o Julho Negro expuseram, em coletiva de imprensa, os principais pontos a serem pautados durante as atividades, que seguem até dia 21/07. Confira os detalhes


Dalva do Borel, mãe de Tiago, morto em 2003, lembra que moradores de comunidades são criminalizados pelo local onde moram. “Eles (jovens) morrem por serem pobres, negros e morarem em comunidade. Um tiro na zona sul é diferente de um tiro na zona norte? Por quê”, questiona. Ela lembrou ainda que a violência obstétrica por que passam muitas mulheres negras em momentos como o parto. “Muitos médicos acham que a mulher negra resiste mais à dor e aplicam menos anestesia. Muitas delas morrem na maternidade”, alerta.

Diante do aumento dos casos de violência policial, Gizele Martins, comunicadora popular da Maré, lembrou o lançamento do aplicativo “NosPorNos”, em 2016 como forma de melhor encaminhar as denúncias. “Estamos voltando aos anos 1990, com as chacinas, crianças e mulheres sendo assassinadas”, alerta.

Débora Silva, fundadora do movimento Mães de Maio (SP), diz que a luta segue pelos filhos que estão vivos, pois a ditadura não acabou para moradores e moradoras de favelas. [Para conhecer mais detalhes da luta das mães de Maio contra execuções e enterro em valas clandestinas, veja o filme Apelo.]

Para Clarens Chery, da Associação de Haitianos do Brasil, o Estado brasileiro é tirano e declara uma guerra aos povos negros. Para ele, a espada de luta deve ser entrar nos coletivos, pegar em livros e descobrir a ancestralidade negra de sangue de reis e rainhas africanos.

“A democracia é para quem? A democracia é por quê? Como a estrutura do próprio estado que se diz cristão, evoluído, formoso, inteligente, usa sua benevolência para garantir sua segurança dita “nacional” num momento em que a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado?”, argumenta Chery.

Segundo o haitiano, é o momento de cada mulher negra que grita contra o genocídio da juventude dizer: “Brasil, eu te pari. Nossos seios te amamentaram, nossos trabalhos também. A economia é baseada nas mulheres”, ressalta.

Entre outros pontos pautados durante a coletiva de imprensa nesta segunda (17), estiveram a campanha de boicote às empresas de Israel e a libertação imediata de Rafael Braga.

 

Sobre o Julho Negro

O Julho Negro é construído por mães e familiares vítimas do Estado Brasileiro e vários outros coletivos. É um movimento autogestionário e descentralizado.

Diante da autogestão e de processos colaborativos, a articulação pede doações para apoios de passagens, alimentação, faixas, entre outras.

Conta Para Apoio:
Nome: Ana Lucia Oliveira (Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência)
ITAU
Agencia: 0580
CC: 03622-6
CPF: 550.460.617-91

 

Quem compõe o Julho Negro

O Julho Negro é uma articulação protagonizada pelos movimentos de Mães e Familiares Vítimas do Estado Brasileiro:

Rede de Comunidades e Movimento contra a Violência;  Mães de Maio de SP; Fórum Social de Manguinhos; Mães de Manguinhos; Movimento Moleque; Mães Vítimas da Chacina da Baixada com a adesão e apoio do Fala Akari; Coletivo Papo Reto; Campanha pela Liberdade de Rafael Braga;União Social dos (as) imigrantes Haitianos (as); Fórum de Juventudes RJ; Comitê Nacional Palestino – BDS; Ação Direta em Educação Popular – Mangueira; Fórum Grita Baixada; Centro dos Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu; Museu da Maré, Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça da época da Ditadura Militar, além do movimento/campanha dos Estados Unidos da América Black Lives Matter (Vidas Negras importam), que desde o ano passado vem estabelecendo um diálogo e ações entre Brasil – EUA sobre Militarização e Racismo

 

Confira a programação

Dia 19/07

# 18:30 Roda de Conversa Masculinidades e as:opressões do Machismo. 

Local: Ibase (Rua Senador dantas 40 – Centro)

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Dia 20/07

# 18 h: Vigília pela Chacina da Candelaria. Local: Candelária

# 18:30 Lançamento na Baixada Fluminense no Encontro : ” Pra Além dos Dados” do Atlas da Violência 2017 com presença do Ipea e Anistia Internacional.

Local: Igreja Nossa Sra. de Fátima e São Jorge( Rua Getúlio Vargas, 220 – Centro – Nova Iguaçu)

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Dia 21/07 

# 09h: Missa da Candelária

# 13:30 h: Lançamento do Livro – Biografia de Mahommah Gardo -Baquaqua : Um Nativo de Zoogoo no interior da África.

Presença de Claren Chery, refugiado haitiano que vive no Brasil.

Local: Museu da Maré (Av. Guilherme Maxwel, 26 – Maré)

# 14:30 h: Roda de Conversa sobre Encarceramento com:

– Campanha Pela Liberdade de Rafael Braga

– Associação de Familiares de Presos (AFAP)

– Eu Sou Eu, Reflexo de Uma Vida na Prisão

Local: Museu da Maré (Av. Guilherme Maxwel, 26 – Maré)

# 18h: Festival de Cinema Dona Jane Camilo.

Local: Biblioteca Parque da Favela de Manguinhos  (Av. Dom Hélder Câmara, 1184 – Manguinhos)

Confira todos os detalhes em:

https://www.facebook.com/events/262585694222478/?acontext=%7B%22ref%22%3A%22106%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D

 

Leia Mais: O Instituto Pacs está publicando uma série de reportagens, artigos e entrevistas sobre a militarização no Rio após a Olimpíada. Leia os textos em: https://medium.com/@pacsinstituto

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