Você sabe quem é que ganha dinheiro com a sua comida?

Instituto PACS lança pesquisa sobre concentração de riqueza no sistema alimentar no Brasil e dá nome aos bois

Bunge, Cargill, Dreyfus, Adm, Amaggi são verdadeiras estranhas familiares. Quem consome produtos destas empresas pode nunca ter ouvido falar em qualquer um de seus nomes. Mas é bem possível que agora na dispensa dê de cara com várias das marcas controladas por essas gigantes da indústria global de alimentos.

A participação no ramo alimentício tem sido decisiva para o aumento de grandes fortunas brasileiras e mundiais – ou seja, é um pilar da alta concentração de renda e, por sua vez, da desigualdade.

Ajudar a abrir a caixa preta do sistema agroalimentar é um dos objetivos de Quem está lucrando com a nossa comida?, pesquisa coordenada por Emília Jomalinis Silva, e lançada pelo Instituto PACS, revelando quem são os donos e quais os principais movimentos do capital relacionado à produção de alimentos no Brasil e, na segunda parte, no Rio de Janeiro.

O trabalho trata ainda de como corporações da alimentação e do varejo (como as redes de supermercados) transformaram a regulação dos alimentos no mundo. O poder financeiro dessas organizações – afirma o estudo – tem interferido diretamente na edição de leis, tornando a atividade legislativa nessa área mais privada do que pública. Assim, a própria gestão da segurança alimentar passa a ficar nas mãos de corporações e não mais dos Estados, como no recente caso brasileiro, onde houve liberação de agrotóxicos já banidos no país.

Repetindo e, por vezes, aprofundando a tendência nacional, o Rio de Janeiro é o retrato de uma das faces da concentração produtiva e suas consequências. Os estabelecimentos chamados pelo IBGE de familiares (de pequenos proprietários rurais) são 75% do total e estão presentes em menos de 25% das áreas ocupadas. Já os estabelecimentos não familiares (patronais), embora sejam cerca de 25% do total, ocupam 75% da área. Portanto, a agricultura familiar no estado sofre, além de um sufocamento provocado pelos mercados globais, de invisibilidade.

A partir da análise de arquiteturas financeiras, Quem está lucrando com a nossa comida? sublinha a importância da crítica ao sistema agroalimentar hegemônico na agenda de lutas por igualdade e justiça social. No horizonte, a pesquisa aponta para a ruptura com a distância entre a produção e consumo e a retomada da responsabilidade do Estado na garantia da segurança alimentar e nutricional como caminhos para barrar estratégias dos grupos que produzem o que vai à nossa mesa, mas que estão interessados apenas em aumentar o que tiram do nosso bolso.

A pesquisa “Quem está lucrando com a nossa comida?” está disponível para download na Biblioteca Berta Cáceres: http://biblioteca.pacs.org.br/wp-content/uploads/2019/05/Quem-est%C3%A1-lucrando-com-a-nossa-comida_Instituto-PACS.pdf

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