Cozinha trincheira de luta: agricultoras e artesãs de quatro regiões do RJ trocam receitas e histórias de resistência em encontro

Entre 23 e 25 de setembro, o GT Mulheres da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ) e o Instituto Pacs reuniram 20 mulheres agricultoras e artesãs das regiões Metropolitana, Serrana Leste, Serramar e Médio Paraíba, para um Encontro de Oficinas de Receitas.

O evento aconteceu no Ponto de Cultura Rural em Santo Antônio, no município de Bom Jardim, RJ, e abriu espaço para trocas que envolvem não só técnicas tradicionais de preparo de alimentos, mas o que está por trás delas:  saberes, memórias e experiências de luta de mulheres com papel de destaque na defesa de suas comunidades frente às ameaças aos seus direitos – sobretudo, os socioambientais e à soberania alimentar.

A agricultora Rosiney Dornelas, a Rose, de Magé, participou do encontro e falou um pouco do que trouxe na volta pra casa. “Eu vi que não estou sozinha. Tenho depressão e acho que esse grupo me fez ter vontade de fazer as coisas. Ontem mesmo fiz empadão, hoje fiz sabão e queijo. Tô vivendo! Foi muito importante ensinar às outras mulheres aquilo que eu sei. O que eu gosto é de plantar, colher, fazer minhas receitas e é muito bom mostrar para esse grupo o que eu sei e ter essas coisas valorizadas”, contou.

A ideia é que receitas e histórias como as de Rose, compartilhadas na atividade, também sirvam de matéria prima para um livro onde os diferentes modos de lidar com a comida ajudem a contar da relação dessas mulheres e comunidades com a terra, com suas histórias, antepassadas e identidades. Além da publicação, o encontro contou também com registro em audiovisual para um curta com o mesmo tema.

“Foi muito bonito construir coletivamente com elas. Trocar nossas histórias e de nossos territórios enquanto cozinhávamos, nos identificar com as histórias umas das outras e conhecer um pouco, através das receitas, as histórias de nossos territórios. Essa é uma das principais características do trabalho do GT Mulheres e do Instituto Pacs: visibilização do que há de político na cozinha, nesse constante aquecimento do caldeirão de resistência em defesa da agroecologia”, avaliou a educadora popular do Pacs, Ana Luisa Queiroz.

O evento foi também uma oportunidade para que as participantes se reconhecessem como o que são: agentes de defesa da soberania alimentar nos territórios, produzindo comida de verdade, sem veneno, para o sustento de suas comunidades. O livro que resulta das histórias contadas no encontro de Bom Jardim deve ser lançado ainda este ano. Aguardem!

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