GT Mulheres da AARJ lança cartilha sobre autocuidado e promove distribuição de cestas agroecológicas e de cuidado coletivo durante a pandemia

Desde o mês de fevereiro, quando os primeiros casos de coronavírus foram confirmados no Brasil, o país vem acompanhando os impactos da pandemia e do isolamento social. Principalmente para as mulheres negras e mais pobres, se antes já era difícil lidar com problemas como a sobrecarga do trabalho do cuidado, a desigualdade, a injustiça e violência, agora, com o surto da doença, tem sido ainda mais desafiador. Através da percepção do contexto atual e da importância do autocuidado, o Grupo de Trabalho de Mulheres (GT Mulheres) da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ) promove o projeto “Cuidar-se”, construído por mulheres, para mulheres. A iniciativa conta com parcerias como Instituto Pacs, AS-PTA, Verdejar, Centro de Integração na Serra da Misericórdia (CEM) e Ponto de Cultura Rural.

 

O GT Mulheres da AARJ é formado por integrantes de diferentes regiões do Rio de Janeiro e atua há sete anos com o foco na economia feminista a partir da agroecologia e da defesa dos territórios. A ideia do projeto surgiu no âmbito do grupo de Whatsapp do GT, espaço este que, em tempos de pandemia, tem sido local de acolhimento, escuta e troca de informações entre elas. Ali, mulheres compartilham dicas, experiências próprias, receitas e histórias nesse período em que a necessidade de proteção e reinvenção é ainda maior. Paralelamente, a criação do projeto aconteceu também por meio dos esforços das integrantes do GT em compartilhar experiências de cuidado com o corpo, com o lar, com as crianças e com as idosas e idosos, de forma leve, livre de imposições e culpas. O autocuidado é uma prática que pode provocar revolução na vida das mulheres, na medida em que promove autonomia, saúde integral e um olhar cuidadoso para si.

Em territórios mais vulneráveis à pandemia, as mulheres compõem a maioria dentre as pessoas que estão na linha de frente de ações comunitárias e de solidariedade. São elas que desempenham um papel chave na circulação de informações relevantes, nas ações de prevenção e de exigibilidade de direitos, especialmente saúde, alimentação e educação. Essa ação representa uma forma de reconhecimento à importância do trabalho que elas estão desenvolvendo em suas comunidades e tem sido também uma maneira de chamar a atenção para a sobrecarga que muitas delas estão vivenciando e que pode gerar adoecimentos em tempos de isolamento. A rede de apoio é essencial, principalmente em um contexto em que há um aumento de violações como, por exemplo, a violência doméstica (agressão física e verbal) e que muitas mulheres acabam lidando com a ausência de suporte e acesso a serviços básicos em suas comunidades.

 

O projeto “Cuidar-se” consiste, principalmente, na distribuição de cestas e do Caderno Acolhedor desenvolvido pelas próprias mulheres com dicas e informações sobre o autocuidado durante o período de pandemia. Os produtos que compõem a cesta foram produzidos por 7 mulheres do GT e chegarão a outras 70 mulheres de favelas da Serra da Misericórdia e Maré, nas periferias da Zona Oeste e Baixada Fluminense. Os kits distribuídos contêm compostos, pomada, óleo de massagem, sabões e sabonetes ecológicos, mudas de plantas medicinais, máscaras e o Caderno informativo. Todo o material está sendo produzido a partir de conhecimento e práticas populares, tradicionais e de base agroecológica. Além de oferecer as cestas, o “Cuidar-se” busca também dar acompanhamento para essas mulheres, sendo um ponto de apoio nesse processo de luta feminina em tempos de Covid e fortalecendo as agricultoras, artesãs e terapeutas populares que estão produzindo os itens.

Apesar dos desafios que surgiram durante o desenvolvimento do projeto, até mesmo com o vírus atravessando diretamente a realidade de algumas integrantes, a persistência de fazer acontecer e do exercício da solidariedade e do acolhimento permitiram que as cestas fossem preparadas em dois meses e cheguem agora nas mãos de cada mulher selecionada dentro dos territórios de atuação do “Cuidar-se”. E para continuar esse movimento e fazer com que mais cestas cheguem a outras mulheres, as companheiras do GT Mulheres da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro precisam do seu apoio. Cada kit montado inicialmente teve o valor médio de R$80,00 e contou com 15 itens. A meta agora é triplicar o valor inicial arrecadado para a produção e entrega de mais 100 cestas para o próximo mês.

 

Todo o valor faz diferença nessa vaquinha. Contribua com essa ação:

Banco do Brasil
Agência 2810-x
Conta Corrente: 109537-4
Titular: Emilia J Medeiros

Banco Bradesco
Agência 7097
Conta Poupança 1014419-1
Titular: Renata Souto

Banco Itaú
Agência: 6240
Conta: 12307-2
Titular: Marcelle R. Felippe

 

*As informações foram cedidas pelas integrantes do GT Mulheres da Articulação da Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ). Para dúvidas, envio de comprovante e outras informações, o contato pode ser feito por meio do e-mail gtmulheresaarj@gmail.com

 

Caderno Acolhedor está disponível para download na Biblioteca Berta Cáceres: http://biblioteca.pacs.org.br/publicacao/caderno-acolhedor-autocuidado-em-tempos-de-reinvencao/

 

 

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