{"id":307,"date":"2021-05-13T16:06:47","date_gmt":"2021-05-13T19:06:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=307"},"modified":"2021-05-13T16:06:47","modified_gmt":"2021-05-13T19:06:47","slug":"pandemia-do-covid-19-agrava-impactos-em-territorios-de-luta-de-mulheres-atingidas-por-megaprojetos","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/pandemia-do-covid-19-agrava-impactos-em-territorios-de-luta-de-mulheres-atingidas-por-megaprojetos\/","title":{"rendered":"Pandemia do Covid-19 agrava impactos em territ\u00f3rios de luta de mulheres atingidas por megaprojetos"},"content":{"rendered":"\n<p id=\"9138\"><strong>Por Instituto Pol\u00edticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"8886\">A crise socioecon\u00f4mica e as viola\u00e7\u00f5es de direitos nos territ\u00f3rios s\u00e3o realidades que antecedem o Covid-19. A atua\u00e7\u00e3o de megaprojetos de desenvolvimento e as resist\u00eancias das mulheres aos impactos socioambientais desse contexto, agravado pela pandemia, foram os principais assuntos abordados no primeiro\u00a0<strong>Ciclo de Debates #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta<\/strong>, que trouxe o tema\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=30tM9Xchy3E\"><strong>\u201cMegaprojetos e a pandemia no cotidiano de luta das mulheres<\/strong>\u00a0<strong>\u201d<\/strong><\/a>. A iniciativa faz parte da\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@pacsinstituto\/mulheresterrit%C3%B3riosdeluta-formas-de-viver-e-re-existir-616214d52a28\">campanha\u00a0<\/a>realizada pelo Instituto Pacs, que traz o caminho das lutas marcadas e vividas em realidades que exigem (re)exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"393\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1_xZU4HsKbBLLDV6pG9HTfvg.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-308\" srcset=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1_xZU4HsKbBLLDV6pG9HTfvg.png 700w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1_xZU4HsKbBLLDV6pG9HTfvg-300x168.png 300w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1_xZU4HsKbBLLDV6pG9HTfvg-360x202.png 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p id=\"234f\">Um dos&nbsp;assuntos abordados foram os impactos diferenciados sofridos por defensoras de direitos humanos na Am\u00e9rica Latina, citados por Teresa Boedo, que faz parte da&nbsp;<a href=\"https:\/\/im-defensoras.org\/es\/\">Iniciativa Mesoamericana de Mulheres Defensoras de Direitos Humanos<\/a>&nbsp;. A articula\u00e7\u00e3o envolve mais de 2 mil mulheres das regi\u00f5es de Guatemala, M\u00e9xico, Honduras, Nicar\u00e1gua e El Salvador e atua a partir de estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o para seus corpos e seus territ\u00f3rios. Segundo Teresa, as defensoras s\u00e3o alvos de criminaliza\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio e deslegitima\u00e7\u00e3o social. \u201cSer mulher e ser defensora em nossos pa\u00edses \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de risco. \u00c9 preciso tecer redes de cuidado para nossas vidas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"a1f7\">O territ\u00f3rio da Guatemala, onde mora, sofre as consequ\u00eancias de um modelo extrativista no que diz respeito aos recursos naturais das regi\u00f5es, al\u00e9m de interesses empresariais em servi\u00e7os p\u00fablicos como a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o. De acordo com Teresa, as estrat\u00e9gias de necropol\u00edtica locais podem ser ilustradas com a forte presen\u00e7a da militariza\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios. \u201cA crise \u00e9 anterior ao Covid-19. O contexto pand\u00eamico s\u00f3 tem legitimado cada vez mais o autoritarismo e a pol\u00edtica do medo\u201d, aponta a defensora de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"fdbc\">Com a realidade da conjuntura atual, Teresa aponta a necessidade de manifesta\u00e7\u00f5es por acesso \u00e0 \u00e1gua e a melhores condi\u00e7\u00f5es alimentares por conta da crise da fome e desigualdade social na Am\u00e9rica Latina. Para ela, esse contexto ilustra ainda mais a import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o popular pela soberania alimentar nos territ\u00f3rios. \u201cA emerg\u00eancia sanit\u00e1ria agudiza as precariza\u00e7\u00f5es sociais e evidencia o colapso dos servi\u00e7os. Precisamos resistir pelas vidas e pelos recursos naturais\u201d, complementa.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"645c\">A pauta dos impactos socioambientais causados pela presen\u00e7a de megaprojetos tamb\u00e9m foi o destaque principal da fala da jornalista Larissa Santos, da&nbsp;<a href=\"http:\/\/justicanostrilhos.org\/\">Justi\u00e7a nos Trilhos (JNT)<\/a>. A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 localizada no Maranh\u00e3o, territ\u00f3rio afetado pelo Projeto Grande Caraj\u00e1s, que atravessa o estado do Par\u00e1 e Maranh\u00e3o, institu\u00eddo pela mineradora Vale S.A., e atua no acompanhamento das comunidades, na den\u00fancia dos impactos da cadeira minero-sider\u00fargica e na cobran\u00e7a das responsabilidades de empresas e do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5c2b\">O empreendimento possui um hist\u00f3rico de viola\u00e7\u00f5es de direitos que atinge diretamente diversas comunidades e povos tradicionais, em especial quilombolas, ind\u00edgenas, munic\u00edpios perif\u00e9ricos e \u00e1reas rurais. A linha f\u00e9rrea do Corredor Caraj\u00e1s corta os dois estados e tem o intuito de transportar min\u00e9rios ao longo de toda a sua extens\u00e3o. De acordo com Larissa, o mapeamento de impactos na popula\u00e7\u00e3o local leva majoritariamente aos corpos das mulheres, as mais afetadas por essa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"e88f\">Um exemplo disso \u00e9 o caso das quebradeiras de coco baba\u00e7u, atividade realizada inteiramente por mulheres das regi\u00f5es do Nordeste e Norte. No Maranh\u00e3o, elas foram afetadas de forma direta pelo desmatamento da \u00e1rea florestal de palmeiras baba\u00e7u, al\u00e9m do entupimento de rios, riachos e igarap\u00e9s, provocando a diminui\u00e7\u00e3o ou perda de suas autonomias econ\u00f4micas. \u201cAs viola\u00e7\u00f5es de direito ao saneamento b\u00e1sico, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 vida cultural, \u00e0 liberdade e a renda s\u00e3o uma consequ\u00eancia do que fazem os grandes projetos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"cf03\">O Quilombo Santa Rosa dos Pretos, localizado em Itapecuru Mirim, tamb\u00e9m sofre com a proximidade da BR 135, que foi duplicada por conta do projeto de expans\u00e3o do Grande Caraj\u00e1s. Como aponta Larissa, esse \u00e9 mais um caso que ilustra como a l\u00f3gica econ\u00f4mica e empresarial passa por cima das comunidades e suas formas de vida, principalmente das mulheres, que s\u00e3o as mais impactadas em seus processos de resist\u00eancia. \u201cA mesma mulher que est\u00e1 l\u00e1 e convive com a atua\u00e7\u00e3o do empreendimento \u00e9 a que \u00e9 criminalizada quando tenta resistir, especialmente durante a pandemia, onde a minera\u00e7\u00e3o e o lucro ainda s\u00e3o vistos pelo governo como atividades essenciais\u201d, denuncia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7696\">No que diz respeito ao contexto da pandemia do Covid-19, onde a principal recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 lavar as m\u00e3os, Larissa traz o debate da falta de acesso \u00e0 \u00e1gua nos territ\u00f3rios atingidos por megaempreendimentos. \u201cComo podemos fazer o enfrentamento necess\u00e1rio sem o elemento principal, que \u00e9 a \u00e1gua?\u201d, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"0475\">Assim como Larissa, Silvia Baptista tamb\u00e9m traz a \u00e1gua e o direito \u00e0 terra como as principais quest\u00f5es a serem debatidas nessa conjuntura. Silvia reside no entorno do Quilombo Cafund\u00e1 Astrogilda, em Vargem Grande, e integra a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/COLETIVAPOPULARDEMULHERESZO\/\">Coletiva Popular de Mulheres da Zona Oeste<\/a>&nbsp;e a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/teiasolidariedadZO\/\">Teia de Solidariedade da Zona Oeste<\/a>, no Rio de Janeiro. Mesmo com os privil\u00e9gios de uma grande cidade no Sudeste do Brasil, ainda existem territ\u00f3rios na regi\u00e3o que n\u00e3o possuem acesso \u00e0 direitos b\u00e1sicos, como \u00e1gua e saneamento. \u201c\u00c9 um desprezo ao bem comum por parte das autoridades p\u00fablicas que isso ainda ocorra no Rio de Janeiro, especialmente agora\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5863\">Os megaprojetos tamb\u00e9m atingiram diretamente a agricultura urbana e a agroecologia no Rio de Janeiro. Segundo ela, essa \u00e9 uma pol\u00edtica recorrente de uma l\u00f3gica colonialista, que afeta popula\u00e7\u00f5es e territ\u00f3rios at\u00e9 os dias atuais. \u201cEssa realidade desperta ainda mais a resist\u00eancia e o processo de autoafirma\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es quilombolas e povos tradicionais na Zona Oeste\u201d, complementa Silvia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2e14\">Uma das estrat\u00e9gias de resist\u00eancia sinalizadas por ela principalmente no agravamento da pandemia \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o em redes, articula\u00e7\u00f5es e grupos, especialmente formados por mulheres. Silvia acredita que \u00e9 desde as lutas feministas e territoriais que se alcan\u00e7ar\u00e1 uma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o social. \u201cPrecisamos da autogest\u00e3o e da autonomia dos povos pela defesa das nossas vidas e corpos. Eu sou uma mulher aquilombada. A luta pol\u00edtica se faz com aquilombamento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Assista o v\u00eddeo na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta 1 - Megaprojetos e a pandemia\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/30tM9Xchy3E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Instituto Pol\u00edticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs) A crise socioecon\u00f4mica e as viola\u00e7\u00f5es de direitos nos territ\u00f3rios s\u00e3o realidades que antecedem o Covid-19. 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