{"id":313,"date":"2021-05-13T16:29:08","date_gmt":"2021-05-13T19:29:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=313"},"modified":"2021-05-13T16:29:08","modified_gmt":"2021-05-13T19:29:08","slug":"praticas-de-cuidado-coletivo-e-ancestralidades-como-simbolo-de-resistencia-entre-mulheres-sao-abordadas-em-debate-virtual-do-instituto-pacs","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/praticas-de-cuidado-coletivo-e-ancestralidades-como-simbolo-de-resistencia-entre-mulheres-sao-abordadas-em-debate-virtual-do-instituto-pacs\/","title":{"rendered":"Pr\u00e1ticas de cuidado coletivo e ancestralidades como s\u00edmbolo de resist\u00eancia entre mulheres s\u00e3o abordadas em debate virtual do Instituto Pacs"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"e902\"><strong>Por Instituto Pol\u00edticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"730a\">Em mais uma atividade da campanha\u00a0<strong>#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta<\/strong>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=OqNVszQTjTA&amp;t=6491s\">terceiro Ciclo de Debates<\/a>\u00a0trouxe o tema \u201c\u201dCuidado Coletivo e Ancestralidades nas pr\u00e1ticas de (re) exist\u00eancia\u201d, abordando a forma como os megaprojetos impactam as ancestralidades das mulheres desde os territ\u00f3rios atingidos e trazendo a rela\u00e7\u00e3o da natureza como meio de fortalecimento das pr\u00e1ticas de cuidado, principalmente no contexto da pandemia. A Campanha e o Debate buscam trazer os caminhos de lutas marcadas e vividas em realidades que exigem (re)exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"393\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/3-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-314\" srcset=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/3-1.png 700w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/3-1-300x168.png 300w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/3-1-360x202.png 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"01be\">A live, mediada&nbsp;por Aline Lima, do Instituto Pacs, contou com a participa\u00e7\u00e3o de Saney Souza, da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ColetivaasCaboclas\">Coletiva As Caboclas<\/a>; Ana La\u00edde Barbosa, do&nbsp;<a href=\"https:\/\/xinguvivo.org.br\/\">Movimento Xingu Vivo Para Sempre<\/a>; e Francisca Fernand\u00e9z, Coordinadora Feminista 8M e do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/AguaEnMarcha\/\">Movimiento por el \u00c1gua y los Territorios (MAT)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"c6be\">Um dos principais pontos abordados durante o encontro virtual foi a import\u00e2ncia da valoriza\u00e7\u00e3o das ancestralidades como forma de resist\u00eancia \u00e0s interven\u00e7\u00f5es dos megaprojetos. Ana Barbosa, que vive em Altamira, \u00e0s margens do rio Xingu, no Par\u00e1, destacou como \u00e9 fundamental reconhecer a heran\u00e7a deixada pelos nossos antepassados no contexto atual: \u201cO que interessa para n\u00f3s nesse momento \u00e9 entender que o que temos hoje \u00e9 o que n\u00f3s herdamos dos nossos ancestrais e o que podemos usufruir. Nesse processo, a gente aprendeu a conviver com v\u00e1rios mundos, o ocidental, machista e patriarcal. Nosso universo gera vida e \u00e9 capaz de fazer com que a gente tenha \u00e9tica e valores morais para reconhecer de que t\u00e1 na hora de parar com a nossa gan\u00e2ncia, com o nosso individualismo\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"0780\">Nos territ\u00f3rios explorados pelo capitalismo e pelo patriarcado, os povos origin\u00e1rios resistem em meio a tantas tentativas de apagamento de suas ancestralidades. Saney Souza falou durante o Ciclo sobre como a reflex\u00e3o acerca das nossas origens representa a trajet\u00f3ria de cada um: \u201cQuando a gente fala da ancestralidade a gente traz tudo aquilo que n\u00e3o est\u00e1 mais vivo fisicamente, mas pela nossa luta, na forma que a gente \u00e9 e est\u00e1 na sociedade hoje, traz um pouco de todas as que n\u00e3o est\u00e3o mais aqui.&nbsp;<strong>As nossas mem\u00f3rias s\u00e3o as nossas riquezas, o nosso patrim\u00f4nio. Eu vim de uma continuidade, eu vim de v\u00e1rias hist\u00f3rias\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"99dd\">Saney \u00e9 filha de Hellen Andrews, s\u00edmbolo de resist\u00eancia no Bosque das Caboclas, no bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, e que teve a hist\u00f3ria retratada no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_ziJLVfqbZo\">document\u00e1rio<\/a>&nbsp;<strong>Hellen Andrews: Cantos de Resist\u00eancia<\/strong>, lan\u00e7ado pelo Instituto Pacs em 20 de novembro de 2018. Seu pai, Bad\u00fa, foi integrante da banda de m\u00fasica afrobrasileira \u201cOs Tinco\u00e3s\u201d, ativa principalmente nos anos de 1960 e 1970.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"36ca\">Assim como Saney, Francisca Fernand\u00e9z, a Pancha, tamb\u00e9m destacou a relev\u00e2ncia da valoriza\u00e7\u00e3o dos antepassados: \u201cO poder da ancestralidade \u00e9 pol\u00edtico e integra a constru\u00e7\u00e3o de um novo mundo que desejamos habitar. Para ampliar essa perspectiva, precisamos de uma educa\u00e7\u00e3o descolonizadora. Reconhecer nossas rotas, nossas migra\u00e7\u00f5es, territ\u00f3rios\u2026 ou seja, uma educa\u00e7\u00e3o emancipadora\u201d, explicou. Para ela, esse processo n\u00e3o se trata apenas da defesa dos territ\u00f3rios e dos bens comuns, mas sim da vida.&nbsp;<strong>\u201cAqui falamos de uma vis\u00e3o que reconhece a natureza, a alimenta\u00e7\u00e3o, o cuidado das plantas e a sustenta\u00e7\u00e3o da vida como campos pol\u00edticos de cuidado\u201d, completou.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"18b7\">A forma como o isolamento social em fun\u00e7\u00e3o da pandemia da Covid-19 tem amplificado as consequ\u00eancias do extrativismo e da minera\u00e7\u00e3o, atividades que se consolidam atrav\u00e9s de economias e territ\u00f3rios patriarcais foi outro ponto discutido durante o debate. Pancha, que \u00e9 integrante do MAT, um movimento socioambiental criado em 2013 que luta pela desprivatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no Chile, explicou como \u201co extrativismo \u00e9 um modelo colonial, destinado a explorar nossos territ\u00f3rios e voltadas \u00e0 lucratividades nos mercados globais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"4945\">No Chile, onde mais de 5.500 mortes e 271.000 contagiados foram registrados, segundo o \u00faltimo balan\u00e7o do governo sobre a doen\u00e7a, h\u00e1, neste momento, uma s\u00e9rie de projetos esperando por aprova\u00e7\u00e3o: \u201co extrativismo n\u00e3o est\u00e1 de quarentena, nessa crise, a minera\u00e7\u00e3o \u00e9 colocada como \u2018sa\u00edda\u2019 para os problemas\u201d, explicou Pancha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"17e7\">Nesses territ\u00f3rios afetados pelos megaprojetos, a explora\u00e7\u00e3o das mulheres e a inviabiliza\u00e7\u00e3o de seus trabalhos \u00e9 constante. A pauta tamb\u00e9m foi levantada durante a fala de Pancha: \u201cO neoliberalismo, assim como o extrativismo, s\u00e3o contr\u00e1rios \u00e0 l\u00f3gica de cuidado. Historicamente e seguindo esse modelo, h\u00e1 uma pol\u00edtica de descarte de territ\u00f3rios e corpos. Al\u00e9m da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, destrui\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios, glaciais e etc\u201d, apontou. Ela ressaltou que essa forma de explora\u00e7\u00e3o da natureza no mundo Ocidental se mostra similar \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o a mulheres, meninas e dissid\u00eancias sexuais e de g\u00eanero na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"9680\">Nesse contexto, Ana Barbosa contou como ela e as companheiras da regi\u00e3o onde vive passaram a lidar com essas interfer\u00eancias: \u201cNeste processo, a gente aprendeu a conviver com v\u00e1rios mundos, o ocidental, machista e patriarcal\u201d. Mesmo com todas as viola\u00e7\u00f5es, os valores dos povos origin\u00e1rios representam a resist\u00eancia em meio \u00e0 toda essa conjuntura. \u201c\u00c9 esse outro mundo, o moderno, que \u00e9 um territ\u00f3rio est\u00e9ril. Sem valor, sem \u00e9tica, que s\u00f3 vem para nos arrancar a nossa identidade e fazer com que a gente sucumba. E a\u00ed que vem a grande vit\u00f3ria das nossas comunidades, porque n\u00f3s somos como uma fonte de \u00e1gua, quando eles matam um, nasce outro\u201d, pontuou Ana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"629e\">Durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@pacsinstituto\/mulheresterrit%C3%B3riosdeluta-formas-de-viver-e-re-existir-616214d52a28\">Campanha #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta<\/a>, diversos materiais divulgados pelo Instituto Pacs retratam como as mulheres, principalmente negras e pobres, t\u00eam sido as mais afetadas durante o per\u00edodo de isolamento social. Ao mesmo tempo, s\u00e3o elas que t\u00eam ocupado espa\u00e7o de protagonismo com a\u00e7\u00f5es em prol de suas comunidades. Para Saney, a luta dessas companheiras neste momento representa a resist\u00eancia contra essa sociedade patriarcal: \u201cA gente est\u00e1 em um mundo que \u00e9 completamente violento com as mulheres, sobretudo com as negras. A gente tem uma sociedade em que o tempo todo a gente tem estigmas e in\u00fameros preconceitos. E a\u00ed a gente tem visto mulheres nos seus territ\u00f3rios propondo outras coisas, uma outra sociedade, um outro mundo, porque pra gente, desse jeito, n\u00e3o d\u00e1 mais. Isso vai tomando propor\u00e7\u00f5es maiores quando a gente se junta\u201d, ressaltou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Assista o v\u00eddeo na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta 3 \u2013 Cuidado Coletivo e Ancestralidades\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OqNVszQTjTA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Instituto Pol\u00edticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs) Em mais uma atividade da campanha\u00a0#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta, o\u00a0terceiro Ciclo de Debates\u00a0trouxe o tema \u201c\u201dCuidado Coletivo e Ancestralidades nas pr\u00e1ticas de (re) exist\u00eancia\u201d, abordando a forma como os megaprojetos impactam as ancestralidades das mulheres desde os territ\u00f3rios atingidos e trazendo a rela\u00e7\u00e3o da natureza como meio de fortalecimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"featured_media":314,"template":"","material-category":[3],"class_list":["post-313","material","type-material","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","material-category-texto"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/313","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material"}],"about":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/types\/material"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/313\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":315,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/313\/revisions\/315"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media\/314"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"material-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material-category?post=313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}