{"id":320,"date":"2021-05-13T16:37:50","date_gmt":"2021-05-13T19:37:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=320"},"modified":"2021-05-13T16:37:50","modified_gmt":"2021-05-13T19:37:50","slug":"militarizacao-da-vida-e-tema-de-ciclo-de-debates-do-instituto-pacs","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/militarizacao-da-vida-e-tema-de-ciclo-de-debates-do-instituto-pacs\/","title":{"rendered":"Militariza\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 tema de ciclo de debates do Instituto Pacs"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o tema\u00a0<strong>\u201cMilitariza\u00e7\u00e3o da Vida e as resist\u00eancias das mulheres<\/strong>\u201d, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AnKXs13rJhk\">quinto\u00a0<strong>Ciclo de Debates<\/strong><\/a><strong>\u00a0#MulheresTerrit\u00f3riosdeLut<\/strong>a trouxe a pauta da militariza\u00e7\u00e3o como uma das faces dos megaprojetos de desenvolvimento a partir do olhar das mulheres e territ\u00f3rios. Essa \u00e9 mais uma iniciativa da\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@pacsinstituto\/mulheresterrit%C3%B3riosdeluta-formas-de-viver-e-re-existir-616214d52a28\">campanha<\/a>\u00a0que traz o caminho das lutas marcadas e vividas em realidades que exigem (re)exist\u00eancias, realizada pelo Instituto Pacs.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"fdc6\">O debate contou com a participa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas mulheres lideran\u00e7as na linha de frente da resist\u00eancia \u00e0s diferentes facetas da militariza\u00e7\u00e3o: Rode Murcia, ind\u00edgena Maya Chorti, defensora dos direitos humanos e ambientais em Honduras e integrante da Coordinadora Nacional de Mujeres Y Negras de Honduras (CONAMIHN); Gizele Martins, jornalista e comunicadora comunit\u00e1ria da Frente de Mobiliza\u00e7\u00e3o da Mar\u00e9 e do Movimento de Favelas do Rio de Janeiro; e Buba Aguiar, soci\u00f3loga e militante do Coletivo Fala Akari.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"393\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-321\" srcset=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-1.png 700w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-1-300x168.png 300w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-1-360x202.png 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"aec3\">As diferentes formas da militariza\u00e7\u00e3o da vida e suas rela\u00e7\u00f5es com os megaprojetos, os impactos das viol\u00eancias e a\u00e7\u00f5es do Estado nos territ\u00f3rios e o protagonismo das mulheres nas trajet\u00f3rias de luta foram alguns dos principais pontos abordados durante o debate. Rode Murcia trouxe o contexto atual de luta em Honduras com grande mobiliza\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do desaparecimento de cincos jovens Gar\u00edfunas, grupo \u00e9tnico estabelecido na costa do Belize e Honduras, no dia 18 de julho. Desde ent\u00e3o, o povo gar\u00edfuna de Sambo Creek tem lutado pelo retorno de seus companheiros, mesmo sob constante repress\u00e3o do Estado que tenta conter os protestos por meio de viol\u00eancia. \u201cA repress\u00e3o ao povo que exige seus direitos em Honduras \u00e9 feita com ex\u00e9rcito, com balas\u201d, conta Rode.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"e79a\">Esse contexto de viol\u00eancia e repress\u00e3o por parte do Estado tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade vivida dentro das favelas no Rio de Janeiro. Gizele Martins, que trabalha com o tema de seguran\u00e7a p\u00fablica h\u00e1 vinte anos e atua na Mar\u00e9, conta como o local, nos \u00faltimos 10 anos, foi fortemente impactado pela militariza\u00e7\u00e3o. Ela relembrou a chacina na Mar\u00e9 que resultou em mais de 10 mortes, a chegada dos megaeventos e grandes empresas na cidade, a invas\u00e3o do ex\u00e9rcito brasileiro em 2014 e a Opera\u00e7\u00e3o da For\u00e7a Nacional em 2016: \u201cA gente enxerga a Mar\u00e9 como um grande laborat\u00f3rio de uma pol\u00edtica militarizada e racista. Durante o per\u00edodo em que o ex\u00e9rcito permaneceu na Mar\u00e9, a gente viu a criminaliza\u00e7\u00e3o das nossas vidas. A gente viveu o contexto de uma ditadura militar dentro de uma democracia\u201d, contou Gizele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"97b3\">Ainda nesse contexto de viola\u00e7\u00e3o, racismo e repress\u00e3o, Buba Aguiar, que faz parte da milit\u00e2ncia de Acari, na Zona Norte do Rio de Janeiro, relembrou a Chacina de Acari, que ocorreu no dia 26 de julho de 1990. Na ocasi\u00e3o, 11 jovens, sendo 7 menores de idade, foram retirados de um s\u00edtio em Mag\u00e9, na Baixada Fluminense, onde passavam o dia, por um grupo de homens que se identificaram como policiais: \u201cFaz 30 anos que isso ocorreu e, at\u00e9 hoje, a gente n\u00e3o teve nenhuma respostas sobre os mandantes, sobre o executores. N\u00e3o encontramos os corpos. A chacina aconteceu dois anos antes do meu nascimento e \u00e9 uma hist\u00f3ria que me toca muito. Eu poderia ser um deles, qualquer um de n\u00f3s poderia ser\u201d, explicou. Buba tamb\u00e9m falou um pouco sobre a luta das \u201cM\u00e3es de Acari\u201d, que buscam at\u00e9 hoje respostas sobre o desaparecimento dos seus filhos: \u201cEu sempre falo da Edm\u00e9ia, que foi executada no Centro do Rio, justamente por conta da luta que ela travou em nome do filho e dos outros jovens que foram executados e tiveram seus corpos desaparecidos. Ela se tornou uma militante defensora dos direitos do povo preto e favelado\u201d. Edm\u00e9ia era m\u00e3e de Lu\u00eds Henrique da Silva Euz\u00e9bio e foi assassinado no estacionamento da Esta\u00e7\u00e3o de Metr\u00f4 Pra\u00e7a Onze, tr\u00eas anos ap\u00f3s a morte do filho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"90fb\">Sobre o protagonismo das mulheres no contexto de luta dentro das comunidades e a forma como s\u00e3o diretamente impactadas pela militariza\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios, Rode contou como em Honduras, que vive um sistema de militariza\u00e7\u00e3o que busca despojar os povos de seus territ\u00f3rios, os impactos se ampliam sobre as mulheres: \u201cAs mulheres ind\u00edgenas s\u00e3o afetadas de forma direta, pois historicamente s\u00e3o as que exercem o papel de protetoras e defensoras dos bens comuns e dos territ\u00f3rios ancestrais. N\u00f3s estamos dispostas a dar as nossas vidas para que nossas futuras gera\u00e7\u00f5es tenham um futuro melhor\u201d, pontuou. Em sua fala, Rode explicou ainda que, como defensoras, as mulheres enfrentam um \u201cmodelo depredador\u201d, relembrando o caso emblem\u00e1tico e doloroso de Berta C\u00e1ceres, que ap\u00f3s ter sido julgada, criminalizada e perseguida, foi assassinada em 2016 como resultado de sua atua\u00e7\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da represa hidroel\u00e9trica Agua Zarca, no territ\u00f3rio ind\u00edgena Lenca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"58ea\">Em Honduras, durante o distanciamento social em fun\u00e7\u00e3o do Covid-19, as comunidades ind\u00edgenas est\u00e3o abandonadas. Rode destacou durante o encontro virtual a import\u00e2ncia da atua\u00e7\u00e3o das mulheres durante nesse per\u00edodo: \u201cElas precisaram se articular e proibir a entrada de for\u00e2neos, para evitar a contamina\u00e7\u00e3o. As comunidades ainda recebem amea\u00e7as e toda essa situa\u00e7\u00e3o, como organiza\u00e7\u00f5es, nos ajuda a buscar alternativas, a unir esfor\u00e7os<a href=\"https:\/\/pacsinstituto.medium.com\/militariza%C3%A7%C3%A3o-da-vida-%C3%A9-tema-de-ciclo-de-debates-do-instituto-pacs-76b6dc9070a7#_msocom_1\">[YB1]<\/a>&nbsp;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"8505\">Buba tamb\u00e9m abordou a import\u00e2ncia de se visibilizar a luta das mulheres durante a sua fala: \u201cMuitas vezes, na linha de frente n\u00e3o s\u00f3 da luta, mas das hist\u00f3rias, a gente v\u00ea o homem como o forte, mas ali do lado, n\u00e3o atr\u00e1s, est\u00e3o as mulheres, porque elas est\u00e3o atravessas de diversas formas nesses projetos de militariza\u00e7\u00e3o das vidas. S\u00e3o elas que lotam os pres\u00eddios nos dias de visita, s\u00e3o elas que v\u00e3o nos hospitais e delegacias resolver os registros dos pais, irm\u00e3os e maridos\u201d. Durante a pandemia, s\u00e3o as mulheres que est\u00e3o na linha de frente pela garantia dos direitos e da sa\u00fade de suas comunidades, como pontuou Buba: \u201cOs homens aparecem como ocupantes de lugares de destaque, mas nada \u00e9 decidido sem o aval das mulheres que lutam dentro dos seus territ\u00f3rios. S\u00e3o elas que est\u00e3o nessa luta durante esse per\u00edodo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"ccfa\">Gizele, organizadora do livro \u201cA Fortaleza das Mulheres\u201d, lan\u00e7ado em 2020 junto ao Instituto Pacs, que traz o ponto de vista de mulheres de diferentes territ\u00f3rios militarizados, tamb\u00e9m abordou o protagonismo feminino de luta e resist\u00eancia e o invisibiliza\u00e7\u00e3o das mulheres nas discuss\u00f5es sobre a militariza\u00e7\u00e3o: \u201cElas quase n\u00e3o lidam com o tema de militariza\u00e7\u00e3o, mas s\u00e3o elas que quase sempre est\u00e3o na linha de frente. Nos debates, n\u00e3o tem mulher falando sobre militariza\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a p\u00fablica, mas elas vivem essa realidade e tamb\u00e9m sabem falar sobre o assunto\u201d, finalizou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assista o v\u00eddeo na \u00edntegra:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta 5 - Militariza\u00e7\u00e3o da Vida\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AnKXs13rJhk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o tema\u00a0\u201cMilitariza\u00e7\u00e3o da Vida e as resist\u00eancias das mulheres\u201d, o\u00a0quinto\u00a0Ciclo de Debates\u00a0#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta trouxe a pauta da militariza\u00e7\u00e3o como uma das faces dos megaprojetos de desenvolvimento a partir do olhar das mulheres e territ\u00f3rios. 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