{"id":334,"date":"2021-05-13T16:58:19","date_gmt":"2021-05-13T19:58:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=334"},"modified":"2021-05-13T16:58:19","modified_gmt":"2021-05-13T19:58:19","slug":"vale-s-a-e-os-impactos-sentidos-pelas-mulheres-e-territorios","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/vale-s-a-e-os-impactos-sentidos-pelas-mulheres-e-territorios\/","title":{"rendered":"Vale S.A e os impactos sentidos pelas mulheres e territ\u00f3rios"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em parceria com a\u00a0<a href=\"https:\/\/atingidospelavale.wordpress.com\/\">A Articula\u00e7\u00e3o Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale<\/a>, o Instituto Pacs\u00a0realizou o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XXdpsz7Q9-M&amp;t=4296s\">7\u00ba Ciclo<\/a>\u00a0de Debates Mulheres Territ\u00f3rios de Luta, com o tema \u201cMulheres e territ\u00f3rios impactados pela Vale S.A\u201d. No debate, quest\u00f5es como os mecanismos de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, estrat\u00e9gias de coopta\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios e os impactos da atua\u00e7\u00e3o da mineradora foram abordadas pela perspectiva das mulheres, principais afetadas por esta realidade. A iniciativa faz parte da campanha \u201c<a href=\"https:\/\/medium.com\/@pacsinstituto\/mulheresterrit%C3%B3riosdeluta-formas-de-viver-e-re-existir-616214d52a28\">#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta<\/a>\u201d, que traz o caminho das lutas marcadas e vividas pelas mulheres em realidades marcadas pela presen\u00e7a dos megaprojetos de desenvolvimento e que exigem (re)exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"393\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/7-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-335\" srcset=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/7-1.jpeg 700w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/7-1-300x168.jpeg 300w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/7-1-360x202.jpeg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"6404\">No encontro virtual, Mirtha Villanueva, integrante das organiza\u00e7\u00f5es&nbsp;<a href=\"https:\/\/grufides.org\/\">GRUFIDES<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pages\/category\/Community-Organization\/Defensoras-de-la-vida-y-la-Pachamama-141848413295589\/\">Defensoras de la Vida y de la Pachamama<\/a>, de Cajamarca (Peru); Sandra Vita, que faz parte do&nbsp;<a href=\"https:\/\/mamnacional.org.br\/\">Movimento pela Soberania Popular na Minera\u00e7\u00e3o (MAM)<\/a>, de Catas Altas, MG; e Zica Pires, do Quilombo Santa Rosa dos Pretos, em Itapecuru Mirim (MA), estiveram presentes para contar como seus corpos e territ\u00f3rios s\u00e3o cotidianamente impactados pelas atividades da mineradora Vale S.A e como t\u00eam resistido e lutado pelos direitos de suas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"d589\">Um dos pontos abordados por Mirtha, que vive em uma regi\u00e3o do norte peruano que possui 1 milh\u00e3o e meio de habitantes, foi como o local, que antes sobrevivia pela agropecu\u00e1ria, tornou-se alvo da minera\u00e7\u00e3o a partir de 1990. No pa\u00eds, h\u00e1 bacias e nascentes que desembocam na floresta amaz\u00f4nica e na costa peruana e que foram afetadas pela chegada da atividade mineradora. \u201cAs lagoas agora servem de locais de despejo e a contamina\u00e7\u00e3o dos rios \u00e9 vis\u00edvel por conta da minera\u00e7\u00e3o. A natureza \u00e9 t\u00e3o inteligente que, a partir dos macro invertebrados, se pode notar o n\u00edvel de contamina\u00e7\u00e3o\u201d, explicou. Um local rico por essa biodiversidade, o Vale de Condebamba, \u00e9 um dos territ\u00f3rios desejados pela brasileira Vale S.A no Peru, e que vem sendo protegido pelas resist\u00eancias do local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"6b45\">A mineradora iniciou sua atua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds em 2005, por meio de um projeto de explora\u00e7\u00e3o de uma jazida de fosfato, ap\u00f3s acordo firmado entre os ent\u00e3o presidentes Alejandro Toledo e Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Cinco anos depois, a explora\u00e7\u00e3o comercial tomou o pa\u00eds, n\u00e3o s\u00f3 pela mineradora brasileira, como tamb\u00e9m pelas multinacionais Mosaic, do Canad\u00e1, e Mitsui, do Jap\u00e3o. Desde ent\u00e3o, o pa\u00eds sofre os impactos da extra\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio dentro da l\u00f3gica transnacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"71ca\">Assim como no Peru, a minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 a principal respons\u00e1vel pela contamina\u00e7\u00e3o e morte de rios brasileiros, como afirmou Sandra Vita, atingida pela Vale, durante o Ciclo: \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio do Peru, n\u00f3s vivemos essa situa\u00e7\u00e3o em Minas Gerais por causa da Vale e isso \u00e9 uma das muitas coisas que a gente sente na pele, da contamina\u00e7\u00e3o e da diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. E a mineradora faz com que falte \u00e1gua para a popula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios munic\u00edpios. Eu quero, desde j\u00e1, deixar muito claro isso, como \u00e9 prejudicial pros territ\u00f3rios onde a vale tem empreendimentos, como ela prejudica nessa quest\u00e3o da \u00e1gua\u201d, contou. O Rio S\u00e3o Francisco, um dos mais importantes do Brasil e da Am\u00e9rica do Sul, que passa por cinco estados e quinhentos e vinte e um munic\u00edpios, \u00e9 apenas um exemplo de contamina\u00e7\u00e3o causada pelas atividades da mineradora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"fef9\">O capitalismo desenfreado e as formas de monetiza\u00e7\u00e3o do mundo atual, que geram consequ\u00eancias como as citadas por Mirtha e Sandra, foi ponto levantado na fala de Zica Pires: \u201cA gente v\u00ea em todo o lugar o que s\u00e3o os lucros, os ganhos, seja da Vale ou de qualquer outro empreendimento. E a\u00ed d\u00e1 pra pensar tudo com o mesmo peso, sobre o abuso do homem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra. De que minera\u00e7\u00e3o a gente tem falado? Que modelo minerador \u00e9 esse que assassina tudo o tempo inteiro?\u201d, questionou. Para ela, que vive em uma regi\u00e3o do Maranh\u00e3o que \u00e9 impactada pela Vale ao ser atravessada pela Estrada de Ferro Caraj\u00e1s, al\u00e9m rodovias e outros empreendimentos extrativistas, n\u00e3o tem sido considerado todo o desequil\u00edbrio causado: \u201cA gente n\u00e3o t\u00e1 tendo cuidado de olhar para a Terra como um corpo, um corpo que abriga corpos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"486c\">Sobre os impactos sentidos especificamente pelas mulheres, Mirtha conta que as viola\u00e7\u00f5es no Peru t\u00eam sua base em diferentes aspectos, at\u00e9 mesmo pela diferen\u00e7a cultural e de idioma: \u201cMuitas companheiras ind\u00edgenas, por exemplo, apenas falam quechua (fam\u00edlia de l\u00ednguas ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Sul). Muitas delas sofreram golpes e insultos. Outra quest\u00e3o \u00e9 que uma mulher m\u00e3e solteira, vi\u00fava ou que n\u00e3o casou \u00e9 totalmente desamparada e exclu\u00edda de seus direitos\u201d. Durante a pandemia, as condi\u00e7\u00f5es se agravaram ainda mais: \u201cA condi\u00e7\u00e3o das mulheres e meninas piorou durante esse per\u00edodo, principalmente com a viol\u00eancia dom\u00e9stica. O problema psicol\u00f3gico e espiritual delas se agravou, as curandeiras n\u00e3o podem seguir seus rituais, as parteiras tampouco podem atuar na comunidade\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"b7cf\">As mulheres sofrem, at\u00e9 mesmo, quando est\u00e3o \u00e0 frente da luta por seus direitos, como contou Sandra: \u201cAs pessoas que s\u00e3o envolvidas, principalmente n\u00f3s mulheres, s\u00e3o criminalizadas de forma covarde\u201d. Na regi\u00e3o de Catas Altas, a Vale reprime as resist\u00eancias por meio da coopta\u00e7\u00e3o de pessoas da pr\u00f3pria comunidade, que espalham boatos e cal\u00fanias com o objetivo de descredibilizar e desqualificar o trabalho feito em fun\u00e7\u00e3o da defesa dos territ\u00f3rios. \u201c\u00c9 uma viola\u00e7\u00e3o de direitos tremenda, porque ela (Vale) n\u00e3o respeita nada, nada do espa\u00e7o que \u00e9 nosso. Espa\u00e7o esse que n\u00f3s sempre estamos e ela chega. Quando partimos em defesa do territ\u00f3rio, eles tiram fotos e fazem v\u00eddeos. A mineradora colocou uma \u2018c\u00e2mera de olho vivo\u2019 que nos vigia 25 horas por dia na Barragem do Mosquito e ela usa vigilantes pra tirar foto, filmar e chamar a pol\u00edtica militar pra tirar as pessoas que v\u00e3o para l\u00e1 nadar ou pescar\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"f6dc\">A represa citada por Sandra existe h\u00e1 mais de 20 anos e serve de \u00e1rea de lazer para a popula\u00e7\u00e3o, que aproveita a regi\u00e3o para a pr\u00e1tica da pesca artesanal, do nado, slackline, escalada, canoagem e outros v\u00e1rios tipos de esporte. O local, tomado pela Vale, tem sido colocado como risco de rompimento, informa\u00e7\u00e3o que, de acordo com ela, n\u00e3o procede: \u201cEu desafio a Vale S.A a apresentar os documentos que ela possui dessa barragem e desse territ\u00f3rio, porque ela n\u00e3o tem nenhum. Eu, como moradora h\u00e1 mais de 30 anos, fa\u00e7o esse desafio porque a barragem \u00e9 nossa e porque vamos lutar e resistir\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"1b76\">Diante desse contexto, em que pontos positivos praticamente n\u00e3o existem em rela\u00e7\u00e3o a atua\u00e7\u00e3o dos megaprojetos nos territ\u00f3rios, Zica destacou: \u201cA gente est\u00e1 em um mundo em que, eu afirmo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel considerar modelo de minera\u00e7\u00e3o nenhum. Esse momento de pandemia, por exemplo, \u00e9 resultado das in\u00fameras viol\u00eancias que a gente comete sobre a Terra\u201d. Para ela, a rela\u00e7\u00e3o de corpo territ\u00f3rio foi perdida, assim como a rela\u00e7\u00e3o da humanidade com a natureza. \u201cA gente tem se entendido como elementos individuais e que, na verdade, n\u00e3o somos. Atravessar essa pandemia tem a ver com o entendimento que n\u00e3o existe um modelo de minera\u00e7\u00e3o certo, porque minerar significa a morte. \u00c9 muito simples essa an\u00e1lise, esse pensamento\u201d, finalizou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Assista o v\u00eddeo na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta 7 - Impactos da Vale S.A\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XXdpsz7Q9-M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em parceria com a\u00a0A Articula\u00e7\u00e3o Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, o Instituto Pacs\u00a0realizou o\u00a07\u00ba Ciclo\u00a0de Debates Mulheres Territ\u00f3rios de Luta, com o tema \u201cMulheres e territ\u00f3rios impactados pela Vale S.A\u201d. 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