{"id":337,"date":"2021-05-13T17:03:01","date_gmt":"2021-05-13T20:03:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=337"},"modified":"2021-05-13T17:03:01","modified_gmt":"2021-05-13T20:03:01","slug":"territorios-indigenas-impactados-pelos-megaprojetos-e-pela-pandemia","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/territorios-indigenas-impactados-pelos-megaprojetos-e-pela-pandemia\/","title":{"rendered":"Territ\u00f3rios ind\u00edgenas impactados pelos megaprojetos e pela pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=QHlj_7F_N3g&amp;t=6363s\">8\u00ba edi\u00e7\u00e3o do Ciclo de Debates #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta<\/a>, o Instituto Pacs trouxe o tema \u201cMulheres ind\u00edgenas e os danos da pandemia e megaprojetos\u201d, com o objetivo de levantar o di\u00e1logo sobre a forma como os megaprojetos impactam os territ\u00f3rios e comunidades ind\u00edgenas, em especial as mulheres, e como esses povos t\u00eam resistido \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es e ao contexto da pandemia do coronav\u00edrus. Essa \u00e9 mais uma iniciativa da\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@pacsinstituto\/mulheresterrit%C3%B3riosdeluta-formas-de-viver-e-re-existir-616214d52a28\">campanha<\/a>\u00a0que traz o caminho das lutas marcadas e vividas pelas mulheres em realidades marcadas pela presen\u00e7a dos megaprojetos de desenvolvimento e que exigem (re)exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"393\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/8-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-338\" srcset=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/8-1.jpeg 700w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/8-1-300x168.jpeg 300w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/8-1-360x202.jpeg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"4dc9\">O debate\u00a0virtual, marcado pela m\u00edstica, contou com a participa\u00e7\u00e3o de Blanca Chancozo, ecuatoriana fundadora do\u00a0<a href=\"https:\/\/conaie.org\/\">CONAIE<\/a>; Maria Torekureudo, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/TakinaMulheresIndigenas\/\">Organiza\u00e7\u00e3o Mulheres Ind\u00edgenas Takin\u00e1 de Mato Grosso<\/a>; Lorena Cabnal, guatemalteca da Red de Sanadoras Ancestrales del Feminismo Comunitario Territorial desde Iximulew; e Telma Taurepang, da Uni\u00e3o das Mulheres Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira. Al\u00e9m de contarem os desafios que suas comunidades enfrentam pelas atividades dos megaprojetos e como esses impactos foram intensificados nesse per\u00edodo de pandemia do COVID-19, elas tamb\u00e9m trouxeram um pouco de suas ancestralidades por meio do fogo e do canto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"fbd5\">Um dos pontos abordados durante o encontro foi como tem sido importante para os povos ind\u00edgenas o reconhecimento de suas resist\u00eancias no contexto atual: \u201cTemos aproveitado para aproximar mais ainda nossas organiza\u00e7\u00f5es, do campo e da cidade, povos ind\u00edgenas que estamos na luta pela vida\u201d, contou Blanca Chancozo. No Equador, essa uni\u00e3o tem se mostrado fundamental, j\u00e1 que nenhum or\u00e7amento foi destinado pelo governo para que as comunidades ind\u00edgenas enfrentassem a pandemia: \u201cNa pol\u00edtica de Estado, o or\u00e7amento continua somente para as cidades, o urbano, onde est\u00e3o as pessoas que dominaram e ainda dominam o nosso pa\u00eds. \u200bEm nossas comunidades, se perguntarmos qual \u00e9 o or\u00e7amento p\u00fablico destinado, n\u00e3o existe\u201d, explicou. Segundo ela, a sobreviv\u00eancia nas comunidades tem se dado gra\u00e7as \u00e0 sabedoria das mulheres, das plantas medicinais e por estarem constantemente redescobrindo conhecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"f946\">Al\u00e9m disso, outra quest\u00e3o abordada por Blanca foi como, mesmo em um momento de emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, o governo de seu pa\u00eds reduziu o or\u00e7amento para setores como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade para priorizar o pagamento da d\u00edvida externa, em fun\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias do Fundo Monet\u00e1rio Internacional: \u201cPrecisamos exigir que n\u00e3o paguemos a d\u00edvida, nem que nos exijam essas condi\u00e7\u00f5es de empr\u00e9stimo, principalmente nesse momento de pandemia\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"512a\">A neglig\u00eancia na assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade das comunidades ind\u00edgenas tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade vivida no Brasil, como apontou Maria Torekureudo: \u201cCom essa pandemia, a gente viu que n\u00e3o tem um plano de sa\u00fade espec\u00edfico para atuar nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas. E quando eu falo isso, falo tamb\u00e9m da quest\u00e3o da perda dos ind\u00edgenas que est\u00e3o falecendo com o pr\u00f3prio Corona v\u00edrus. A gente v\u00ea que n\u00e3o tem nenhuma estrutura, nem pra quem est\u00e1 com o v\u00edrus\u201d. Na regi\u00e3o em que vive, no Mato Grosso, a forma encontrada pelos ind\u00edgenas para combater o v\u00edrus foi o auto isolamento dos territ\u00f3rios, e o tratamento dos contaminados tem sido realizado pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas: \u201cA gente faz o tratamento dos nossos parentes \u00e0 partir dos conhecimentos que a gente j\u00e1 tem e \u00e9 isso que muitas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas daqui est\u00e3o fazendo\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"227e\">Na Guatemala, a uni\u00e3o dos povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m tem sido o ponto de for\u00e7a durante o per\u00edodo de quarentena, em que os impactos afetam principalmente as mulheres, como pontuou Lorena Cabnal: \u201cHouve uma reconfigura\u00e7\u00e3o do capitalismo patriarcal pand\u00eamico de viol\u00eancia sobre nossos corpos. Os n\u00edveis de suic\u00eddio s\u00e3o altos, principalmente entre as mulheres. \u200b\u00c9 importante visibilizar os efeitos da pandemia, mas principalmente visibilizar as diferentes formas de sana\u00e7\u00e3o\u00b9 e tamb\u00e9m de cura das mulheres\u201d, explicou ela. Telma Taurepang tamb\u00e9m levantou esse ponto pela perspectiva vivida no Brasil: \u201cN\u00f3s, mulheres ind\u00edgenas, somos a cura dessa terra. N\u00f3s olhamos os nossos filhos como um todo. Ent\u00e3o, precisamos dar as m\u00e3os para que o mundo, o nosso planeta terra, a nossa M\u00e3e Terra, seja segurada para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"e259\">Durante toda a Campanha #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta, os impactos dos megaprojetos na vida das mulheres e sua intensifica\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo de pandemia t\u00eam sido ponto focal de debate. E s\u00e3o as mulheres as primeiras a sentirem esses impactos nos territ\u00f3rios, como apontou Telma: \u201cElas s\u00e3o as primeiras porque, quando elas v\u00e3o no cerrado ou na mata fazer suas colheitas, elas n\u00e3o est\u00e3o encontrando suas ervas medicinais, suas plantas. Aqui no estado, por exemplo, todo ano tem esse problema das queimadas. Querendo ou n\u00e3o, as ervas medicinais elas v\u00e3o desaparecendo. Frutas tamb\u00e9m. E esse \u00e9 s\u00f3 um dos impactos que as mulheres ind\u00edgenas sentem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"e21a\">Para aquelas que est\u00e3o \u00e0 frente na luta, enquanto lideran\u00e7as que atuam pelos direitos nos territ\u00f3rios, ainda h\u00e1 o desafio de lidar com a viol\u00eancia e criminaliza\u00e7\u00e3o, como explicou Lorena: \u201c\u200bHouve um aumento nas situa\u00e7\u00f5es de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das mulheres nas comunidades. Ocorreram assassinatos, amea\u00e7as \u00e0s nossas companheiras e o aumento dos riscos pol\u00edtico para as nossas vidas\u201d. Apesar disso, ela afirma que os saberes e pr\u00e1ticas ancestrais t\u00eam contribu\u00eddo para a resist\u00eancia: \u201cAs formas e sabedorias plurais nos sustentaram e nos sustentar\u00e3o para n\u00e3o cairmos nas desesperan\u00e7as diante de tantas lutas que n\u00f3s temos em nossas vidas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"aaf6\">Para Maria, diante de todo esse contexto, \u00e9 preciso uma conscientiza\u00e7\u00e3o do verdadeiro valor dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas: \u201cNo senso comum, os territ\u00f3rios ind\u00edgenas s\u00e3o vistos somente de valor produtivo. O territ\u00f3rio ind\u00edgena est\u00e1 para al\u00e9m da terra enquanto materialidade. Ele \u00e9 o suporte total da vida social e cultural dos povos ind\u00edgenas. Sem isso, a popula\u00e7\u00e3o corre um grande risco de ir se perdendo\u201d, explicou. Assim como ela, Telma tamb\u00e9m defendeu a valoriza\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios: \u201cPrecisamos dar as m\u00e3os nesse momento. Porque, se a na\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria desse planeta Terra sucumbir, todos ir\u00e3o. N\u00f3s somos os maiores defensores da causa dos nossos territ\u00f3rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Assista o v\u00eddeo na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta 8 - Mulheres Ind\u00edgenas\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QHlj_7F_N3g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00a08\u00ba edi\u00e7\u00e3o do Ciclo de Debates #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta, o Instituto Pacs trouxe o tema \u201cMulheres ind\u00edgenas e os danos da pandemia e megaprojetos\u201d, com o objetivo de levantar o di\u00e1logo sobre a forma como os megaprojetos impactam os territ\u00f3rios e comunidades ind\u00edgenas, em especial as mulheres, e como esses povos t\u00eam resistido \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es e ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"featured_media":338,"template":"","material-category":[3],"class_list":["post-337","material","type-material","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","material-category-texto"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material"}],"about":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/types\/material"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/337\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":339,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/337\/revisions\/339"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media\/338"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"material-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material-category?post=337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}