{"id":340,"date":"2021-05-13T17:06:17","date_gmt":"2021-05-13T20:06:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=340"},"modified":"2021-05-13T17:06:17","modified_gmt":"2021-05-13T20:06:17","slug":"fe-resistencia-e-coletividade-em-contextos-de-megaprojetos","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/fe-resistencia-e-coletividade-em-contextos-de-megaprojetos\/","title":{"rendered":"F\u00e9, resist\u00eancia e coletividade em contextos de megaprojetos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em parceria com a campanha\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tireosfundamentalismosdocaminho\/\">\u201cTire os fundamentalismos do caminho\u201d<\/a>, iniciativa que tem como objetivo alertar a sociedade sobre os avan\u00e7os dos fundamentalismos no Brasil e o risco que representam \u00e0 vida das mulheres, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7MuKT8uBFtQ\">9\u00ba Ciclo de Debates<\/a>\u00a0trouxe o tema \u201cFundamentalismos religiosos em contextos de megaprojetos\u201d. Essa foi mais uma iniciativa da\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@pacsinstituto\/mulheresterrit%C3%B3riosdeluta-formas-de-viver-e-re-existir-616214d52a28\">campanha #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta<\/a>, que traz o caminho das lutas marcadas e vividas em realidades que exigem (re)exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"add9\">No encontro virtual, abordamos\u00a0quest\u00f5es como a forma que os fundamentalismos religiosos se expressam e afetam as vidas das mulheres e as suas pr\u00e1ticas religiosas, al\u00e9m das suas estrat\u00e9gias para combat\u00ea-los. Cibele Kuss, Pastora Luterana do Rio Grande do Sul; M\u00e3e Fl\u00e1via, Bab\u00e1 de Umbanda do Rio de Janeiro; e Shirley Djurkun\u00e3, ind\u00edgena Krenak de Minas Gerais, estiveram presentes e contaram um pouco das suas trajet\u00f3rias de luta dentro desse contexto.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"393\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-341\" srcset=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9-1.jpeg 700w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9-1-300x168.jpeg 300w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/9-1-360x202.jpeg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"3593\">O debate sobre os fundamentalismos traz consigo a necessidade de discuss\u00e3o sobre todo o processo hist\u00f3rico de coloniza\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios. Para M\u00e3e Fl\u00e1via, nessa conjuntura, \u00e9 fundamental ainda a desconstru\u00e7\u00e3o da ideia de que o mundo existe h\u00e1 2020 anos: \u201cA partir do momento que eu opero uma log\u00edstica existencial, eu n\u00e3o dou conta de localizar, por exemplo, tribos ind\u00edgenas, ciganas, as comunidades hindus e os iorub\u00e1s que existem h\u00e1 milhares e milhares de anos. Independentemente do que fizeram os traficantes, estupradores, eurocrist\u00e3os nas invas\u00f5es dos territ\u00f3rios, esses povos tinham uma organiza\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica\u201d, defende. Segundo ela, no momento em que n\u00e3o se reconhece a territorialidade desses povos, inaugura-se o fundamentalismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"07be\">Nesses processos de constru\u00e7\u00e3o social por meio da coloniza\u00e7\u00e3o, os povos origin\u00e1rios, principalmente ind\u00edgenas, sofreram e ainda sofrem com as tentativas de nega\u00e7\u00e3o das suas ancestralidades, como contou Shirley Krenak: \u201cEsses processos vieram de uma forma massacrante para n\u00f3s, povos ind\u00edgenas do nosso pa\u00eds, chamado hoje de Brasil. Ao longo do processo dessa coloniza\u00e7\u00e3o, os povos ind\u00edgenas sofreram muito com as quest\u00f5es das miss\u00f5es, que trouxeram outra visibilidade, de uma forma bruta e violenta para dentro das comunidades. E queriam fazer de tudo para que a gente passasse a acreditar no Deus que eles trouxeram de longe. Porque essa era uma forma de matar os povos ind\u00edgenas, de nos dominar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"d443\">Um dos pontos levantados durante o Ciclo foi como os fundamentalismos religiosos se relacionam com toda uma estrat\u00e9gia de oposicionismo e \u201cdiaboliza\u00e7\u00e3o\u201d das diversidades, como apontou a Pastora Cibele: \u201cA matriz religiosa fundamentalista faz alian\u00e7as com fundamentalismos diferenciados no campo econ\u00f4mico, por isso n\u00f3s temos essa express\u00e3o da \u2018capetaliza\u00e7\u00e3o\u2019 da vida, nas diversidades. \u00c9 uma diaboliza\u00e7\u00e3o muito sustentada, na financeiriza\u00e7\u00e3o da vida, nessa for\u00e7a do p\u00f3s capitalismo que a gente vive hoje\u201d, explicou. Para ela, os fundamentalismos s\u00e3o a interseccionalidade da matriz religiosa e de um projeto neoliberal capitalista que tem uma \u201ccara\u201d branca e heteronormativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"69b7\">A quest\u00e3o da f\u00e9 como \u201cmercadoria\u201d tamb\u00e9m foi abordada na fala de Shirley: \u201cO ser humano est\u00e1 deixando de acreditar no grande mestre \u2018l\u00e1 de cima\u2019 e est\u00e1 transformando tudo isso, toda essa forma de acreditar, em mercadoria. E \u00e9 atrav\u00e9s dessa quest\u00e3o que se criam diversas vertentes ligada a f\u00e9, que \u00e9 o que vem destruindo o ser humano e provocando brigas.\u201d Para ela, essa forma de tratar a f\u00e9 \u00e9 utilizada, principalmente, visando a destrui\u00e7\u00e3o dos verdadeiros donos da terra: os povos ind\u00edgenas. \u201cS\u00e3o os povos ind\u00edgenas que lutam para que saberes do c\u00e9u e da terra n\u00e3o sumam\u201d, defendeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"2c5a\">Essa quest\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o das terras, trazida pela coloniza\u00e7\u00e3o, possui rela\u00e7\u00e3o direta com o hist\u00f3rico de viola\u00e7\u00f5es contra as mulheres na constru\u00e7\u00e3o social, como explicou M\u00e3e Fl\u00e1via: \u201cA figura feminina, ela foi em diversas tradi\u00e7\u00f5es, utilizada para manter o equil\u00edbrio, para ter menos mortes, menos desperd\u00edcio e mais produtividade, uma vida mais saud\u00e1vel. Nessa invas\u00e3o territorial eurocrist\u00e3, a primeira coisa que ela inaugura \u00e9 a desestrutura\u00e7\u00e3o familiar, e inaugura a cultura de estupro, por que qual \u00e9 a ferramenta mais imediata de epistemic\u00eddio, ou seja, de assassinato de um povo e de sua cultura? \u00c9 tomar aquela mulher \u00e0 for\u00e7a e engravid\u00e1-la compulsoriamente. Ent\u00e3o, a cultura de estupro que n\u00f3s vivenciamos hoje, ela foi inaugurada por esse processo, para atender o sistema \u2018capetalista\u2019 em expans\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"c61e\">De acordo com Cibele, no Brasil e na Am\u00e9rica Latina como um todo, \u00e9 percept\u00edvel a forma como os fundamentalismos atuam por meio de uma base crist\u00e3 religiosa que fortalece as alian\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, aos povos e comunidades tradicionais, pelo interesse nos territ\u00f3rios. \u201cN\u00f3s sabemos o papel que as mulheres exercem nos territ\u00f3rios tradicionais aqui no Brasil. Tem toda uma caminhada que sustenta esse funcionamento dos fundamentalismos no campo do debate sobre g\u00eanero, direitos sexuais e reprodutivos. Temos acompanhado o quanto o fundamentalismo religioso de matriz crist\u00e3 faz alian\u00e7as com diferentes bancadas ultraconservadoras e tocam os direitos que entendem como importantes, da fam\u00edlia heteronormativa, da fam\u00edlia branca, o controle dos corpos, da sexualidade das pessoas e da educa\u00e7\u00e3o\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"5f9c\">Para Shirley, toda a conjuntura atual, de destrui\u00e7\u00e3o da natureza e viol\u00eancia entre os povos tem rela\u00e7\u00e3o com os fundamentalismos: \u201cSer\u00e1 que todo mundo n\u00e3o pode conviver na mesma terra e no mesmo lugar, sem querer tirar ou estuprar a religi\u00e3o do outro? Ser\u00e1 que a gente n\u00e3o consegue viver numa terra tranquila, sem discriminar o outro porque ele \u00e9 negro, ou por que \u00e9 ind\u00edgena?\u201d, questionou. Diante disso, ela contou como o povo Krenak tem resistido pela for\u00e7a da natureza e do amor: \u201cN\u00f3s, povos ind\u00edgenas, acreditamos na nossa tradi\u00e7\u00e3o, nos nossos costumes, na nossa l\u00edngua, no nosso jeito de falar com o grande mestre. N\u00f3s somos forjados pela for\u00e7a da natureza e \u00e9 isso que nos deixa de p\u00e9 fortes, enquanto Krenak\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Assista o v\u00eddeo na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta 9 - Fundamentalismos Religiosos\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7MuKT8uBFtQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em parceria com a campanha\u00a0\u201cTire os fundamentalismos do caminho\u201d, iniciativa que tem como objetivo alertar a sociedade sobre os avan\u00e7os dos fundamentalismos no Brasil e o risco que representam \u00e0 vida das mulheres, o\u00a09\u00ba Ciclo de Debates\u00a0trouxe o tema \u201cFundamentalismos religiosos em contextos de megaprojetos\u201d. 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