{"id":343,"date":"2021-05-13T17:09:42","date_gmt":"2021-05-13T20:09:42","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=343"},"modified":"2021-05-13T17:09:42","modified_gmt":"2021-05-13T20:09:42","slug":"teias-de-resistencia-das-mulheres","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/teias-de-resistencia-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Teias de resist\u00eancia das mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>Com o objetivo de abordar o papel das mulheres nas resist\u00eancias aos megaprojetos, a for\u00e7a e o poder\u00a0de cria\u00e7\u00e3o em meio aos conflitos e os caminhos para a defesa da vida e do corpo-territ\u00f3rio, o\u00a0<a href=\"https:\/\/youtu.be\/xIfXUeYBEOw\"><strong>10\u00b0 Ciclo de Debates\u00a0<\/strong><\/a><strong>#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta<\/strong>\u00a0trouxe o tema \u201cCaminhos de resist\u00eancia para defesa de corpos-territ\u00f3rios\u201d. O encontro virtual contou com a participa\u00e7\u00e3o de Katherin Cruz, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/reddedefensoras\"><strong>Red Nacional de Defensoras de Direitos Humanos de Honduras<\/strong><\/a>; Marcelle Felippe, do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.verdejar.org\/\"><strong>Verdejar Socioambiental<\/strong><\/a>\u00a0e do Gt Mulheres da Articula\u00e7\u00e3o de Agroecologia do RJ; e Vera Domingos, que faz parte do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fsuape\"><strong>F\u00f3rum Suape<\/strong><\/a>\u00a0de Pernambuco. A iniciativa faz parte da campanha que traz o caminho das lutas marcadas e vividas em realidades que exigem (re)exist\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"393\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/10-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-344\" srcset=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/10-1.jpeg 700w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/10-1-300x168.jpeg 300w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/10-1-360x202.jpeg 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p id=\"9c8d\">Um dos pontos abordados no Ciclo foi a pol\u00edtica de repress\u00e3o contra os ativistas sociais que seguem na luta pelos direitos nos territ\u00f3rios. Katherin Cruz relembrou o desaparecimento for\u00e7ado de l\u00edderes gar\u00edfunas em julho deste ano, que segue sem explica\u00e7\u00f5es por parte do Estado, apesar de j\u00e1 terem sido apontadas supostas investiga\u00e7\u00f5es. \u201cO desaparecimento for\u00e7ado de l\u00edderes de lutas \u00e9 um alerta extremamente s\u00e9rio para os direitos humanos\u201d, pontuou ela.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5753\">De acordo com Katherin, segundo registro da Red de Defensoras, a maioria das pessoas atacadas no m\u00eas de agosto s\u00e3o defensoras da terra, do territ\u00f3rio e dos patrim\u00f4nios naturais em Honduras: \u201c\u200bMais da metade dos ataques foram executados por \u00f3rg\u00e3os e for\u00e7as do Estado, especialmente policiais militares de ordem p\u00fablica\u201d, explicou. Em Honduras, as mulheres defensoras participam ativamente em diversos espa\u00e7os de defesa dos direitos humanos e desempenham um papel protagonista na luta pelo direito de decidir sobre os seus corpos e no enfrentamento da viol\u00eancia, al\u00e9m de tamb\u00e9m atuarem na defesa da terra, do territ\u00f3rio, dos bens naturais, dos direitos dos presos pol\u00edticos, da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"f1d9\">Como destacou Vera Domingos, em Pernambuco, especificamente em Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, regi\u00e3o impactada pelo Complexo Industrial Suape, o cen\u00e1rio de viola\u00e7\u00f5es de direitos e opress\u00f5es n\u00e3o tem sido diferente de Honduras: \u201cN\u00f3s, mulheres, estamos aqui no papel de frente mesmo, e podemos falar das nossas marisqueiras, catadoras de caranguejos, catadoras de frutas, as mulheres que est\u00e3o de frente na agricultura, de frente no processo de resist\u00eancia\u201d. Segundo ela, n\u00e3o tem sido f\u00e1cil para as mulheres vivenciarem esses impactos, que v\u00eam desde os prim\u00f3rdios com a domina\u00e7\u00e3o dos seus corpos junto aos processos de coloniza\u00e7\u00e3o e controle de terras.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"e756\">Outro ponto levantado por Vera foi a perda de identidade e a sa\u00fade afetada nesses processos de desenvolvimento de megaprojetos: \u201cQuando uma mulher \u00e9 tirada do seu territ\u00f3rio e ela \u00e9 lan\u00e7ada em um outro local que n\u00e3o \u00e9 dela, do in\u00edcio l\u00e1 que ela tinha todos os seus modos de vida, onde ela tinha todo o seu traquejo do dia a dia. Ent\u00e3o, essa mulher tamb\u00e9m vem a sofrer v\u00e1rias viol\u00eancias, e uma das viol\u00eancias que a gente percebe nas mulheres que est\u00e3o ao nosso redor, em frente a esses processos de resist\u00eancia, \u00e9 a quest\u00e3o mental, quest\u00e3o f\u00edsica\u201d, explicou Vera. Para ela, nos territ\u00f3rios, as mulheres s\u00e3o como \u00e1rvores: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o arranca uma \u00e1rvore pela raiz e ela sobrevive em outra localidade. Ela vai definhando, n\u00e3o consegue viver da forma que vivia antes, com os seus modos de vida, com seus meios de sobreviv\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"0319\">Nesses contextos, o autocuidado tem sido fundamental para as mulheres que seguem em resist\u00eancia. Marcelle Felippe, que vive na Serra da Miseric\u00f3rdia, uma ilha de natureza em meio ao concreto dentro de uma favela do Rio de Janeiro, conta que estimular o autocuidado nas mulheres do territ\u00f3rio, onde atuam duas mineradoras, tem sido uma das principais miss\u00f5es durante esse per\u00edodo de pandemia: \u201cOs megaprojetos impactam diretamente na vida das mulheres, a partir de suas \u00e1guas e todo o seu ambiente. Ent\u00e3o, impacta n\u00e3o s\u00f3 seus corpos-territ\u00f3rios, como tamb\u00e9m suas casas. Aqui na Serra da Miseric\u00f3rdia, al\u00e9m do Verdejar, existem muitos projetos e a maioria deles t\u00eam as mulheres como grandes animadoras, realizadoras, insistentes nesse processo de comunicar, de agregar, de trazer para discuss\u00e3o a melhoria do seu lugar\u201d, contou.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7581\">Para Marcelle, a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos principais pontos de integra\u00e7\u00e3o na favela e, por meio de uma horta comunit\u00e1ria e da agrofloresta, o projeto Verdejar, que faz parte da Articula\u00e7\u00e3o Estadual de Agroecologia, tem atuado h\u00e1 23 anos no territ\u00f3rio da Serra da Miseric\u00f3rdia: \u201cEntendemos que o que nos conecta, independentemente de qualquer coisa, \u00e9 a alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 a comida. Ao inv\u00e9s de fazer muros, fazemos uma horta, um plantio, uma floresta. A recupera\u00e7\u00e3o daquela \u00e1rea verde \u00e9 um espa\u00e7o de resist\u00eancia e sensibiliza\u00e7\u00e3o para acesso a esse direito de ter uma \u00e1rea de lazer, direito de uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, e tamb\u00e9m o direito ao meio ambiente, ao saneamento b\u00e1sico, nesses locais onde todos os direitos s\u00e3o violados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"da08\">Na conjuntura de espa\u00e7os que vivenciam as viola\u00e7\u00f5es em suas rotinas, resistir envolve in\u00fameros desafios, como afirmou Katherin: \u201cMe perguntam de onde tiramos a for\u00e7a e o poder criativo em meio ao conflito e, para mim, vem de conhecer e reconhecer a for\u00e7a das respostas coletivas e comunit\u00e1rias. De saber que n\u00e3o estamos sozinhas e ver isso \u00e9 reconhecer a for\u00e7a coletiva e da comunidade. E, outra coisa, \u00e9 saber que temos companheiras que est\u00e3o perto e que todas adoramos outras companheiras s\u00e1bias e solid\u00e1rias que nos cercam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"d4f0\">Essa luta coletiva das mulheres, frente \u00e0s viola\u00e7\u00f5es de direitos nos territ\u00f3rios, vem de uma for\u00e7a que tem origem na pr\u00f3pria natureza feminina, como apontou Vera: \u201cA gente percebe que a mulher \u00e9 tida como algo muito fr\u00e1gil, impossibilitada de fazer v\u00e1rias coisas. Mas, n\u00e3o, n\u00f3s mulheres, como disse a Katherin, somos lutadoras, que estamos \u00e0 frente de determinadas situa\u00e7\u00f5es, porque estamos mesmo ali para fazer a diferen\u00e7a diante de tudo que a gente tem vivido. Eu acredito que muitas mulheres como eu est\u00e3o \u00e0 frente de tudo isso porque, de fato, t\u00eam mesmo essa for\u00e7a, essa vontade de vencer. Porque se n\u00e3o tivessem, muitos j\u00e1 teriam sucumbido, j\u00e1 teriam desistido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"dcb1\">Assim como ela, Marcelle tamb\u00e9m destacou a for\u00e7a e uni\u00e3o das mulheres no atual per\u00edodo: \u201cAs mulheres s\u00e3o as lideran\u00e7as que cativam, sensibilizam e lutam pelos direitos do coletivo. Por isso, o autocuidado e o autoconhecimento v\u00eam se mostrando cada vez mais, conforme a gente vem vendo mais a mulherada a\u00ed, tomando as frentes e tendo autonomia das suas escolhas e das suas a\u00e7\u00f5es. Autocuidado n\u00e3o depende s\u00f3 de n\u00f3s. Temos muitas demandas al\u00e9m de n\u00f3s. O autocuidado precisa ser integral. Precisamos das outras companheiras. Somos uma teia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Assista o v\u00eddeo na \u00edntegra:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta 10 - Caminhos de Resist\u00eancia\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xIfXUeYBEOw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o objetivo de abordar o papel das mulheres nas resist\u00eancias aos megaprojetos, a for\u00e7a e o poder\u00a0de cria\u00e7\u00e3o em meio aos conflitos e os caminhos para a defesa da vida e do corpo-territ\u00f3rio, o\u00a010\u00b0 Ciclo de Debates\u00a0#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta\u00a0trouxe o tema \u201cCaminhos de resist\u00eancia para defesa de corpos-territ\u00f3rios\u201d. O encontro virtual contou com a participa\u00e7\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"featured_media":345,"template":"","material-category":[3],"class_list":["post-343","material","type-material","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","material-category-texto"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material"}],"about":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/types\/material"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/343\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":346,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/343\/revisions\/346"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media\/345"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"material-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material-category?post=343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}