{"id":414,"date":"2021-05-14T17:15:32","date_gmt":"2021-05-14T20:15:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=414"},"modified":"2021-05-14T17:15:32","modified_gmt":"2021-05-14T20:15:32","slug":"o-espirito-de-fogo-a-autogestao-e-a-luta-insistente-na-serra-da-misericordia-rj","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/o-espirito-de-fogo-a-autogestao-e-a-luta-insistente-na-serra-da-misericordia-rj\/","title":{"rendered":"O esp\u00edrito de fogo, a autogest\u00e3o e a luta insistente na Serra da Miseric\u00f3rdia, RJ"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"1065\"><em>*Texto organizado e editado por Karoline Kina, com base na fala de Marcelle Felippe durante o d\u00e9cimo Ciclo de Debates #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta, cujo tema foi \u201cCaminhos de resist\u00eancia para defesa dos corpos-territ\u00f3rios\u201d. Marcelle \u00e9 integrante do&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/www.verdejar.org\/\"><strong><em>Verdejar Socioambienta<\/em><\/strong><\/a><em>l, projeto da Serra da Miseric\u00f3rdia, na Zona Norte do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"649\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/0_6DOdYQCTrh7p7sU4.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-415\" srcset=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/0_6DOdYQCTrh7p7sU4.jpeg 649w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/0_6DOdYQCTrh7p7sU4-190x300.jpeg 190w\" sizes=\"auto, (max-width: 649px) 100vw, 649px\" \/><figcaption>Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"fa7e\">Tem uma can\u00e7\u00e3o que diz assim: \u201cTerra meu corpo, \u00e1gua meu sangue, ar meu alento e fogo meu esp\u00edrito\u201d. Eu acredito que \u00e9 na inquieta\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito do fogo que as mulheres est\u00e3o enfrentando e resistindo nessa sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"5628\">Eu fa\u00e7o parte&nbsp;de um projeto da Serra da Miseric\u00f3rdia, patrim\u00f4nio ambiental que fica em uma \u00e1rea altamente adensada e que convive com muita especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. \u00c9 o cora\u00e7\u00e3o verde da Zona Norte, um local de muita disputa e atingido diretamente pelos megaprojetos, j\u00e1 que existem duas mineradoras que est\u00e3o em atividade ali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"5e10\">O impacto \u00e9 direto nas \u00e1guas, terra e ar, porque h\u00e1 muita biodiversidade, com diversas nascentes. Afeta diretamente a vida das mulheres, a partir de suas \u00e1guas e todo seu ambiente. Impacta seus corpos-territ\u00f3rios-casas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"2932\">Na Serra da Miseric\u00f3rdia, al\u00e9m da Verdejar Socioambiental, existem outros projetos, e na maioria deles, s\u00e3o as mulheres as animadoras, realizadoras, gestoras, insistentes nesses processos de comunicar, de agregar e trazer a melhoria do ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"2a4e\">A Verdejar Socioambiental vem se reinventando, a partir das mudan\u00e7as que o territ\u00f3rio sofre, buscando por meio de diversas linguagens e pr\u00e1ticas dar visibilidade e acesso ao direito a \u00e1rea verde, atrav\u00e9s da agroecologia, sendo as nossas pr\u00e1ticas um espa\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o entre a floresta e a favela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1024\/0*Kvnq_0hMN0415vGX.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"c2b5\">Desde 1997, manejamos uma horta comunit\u00e1ria e uma agrofloresta, como uma forma inicial de sensibiliza\u00e7\u00e3o, entendendo que o que nos conecta \u00e9 a alimenta\u00e7\u00e3o, a comida. Com isto, ao inv\u00e9s de construirmos muros, fizemos uma horta para a recupera\u00e7\u00e3o daquela \u00e1rea. Nossas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o de resist\u00eancia, na luta pelo o acesso a esse espa\u00e7o verde, de lazer, da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e, assim, o direito a um local onde todos esses e demais direitos s\u00e3o violados cotidianamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"fd6c\">Aqui na Serra da Miseric\u00f3rdia, existe um projeto de parque que nunca saiu do papel, apesar de ter existido o recurso para ser implementado, m\u00e1xima express\u00e3o do racismo ambiental. O que estamos realizando, reinventando e recriando \u00e9 para garantir esse territ\u00f3rio saud\u00e1vel, atrav\u00e9s da sensibiliza\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de trabalhar a quest\u00e3o da agroecologia, tamb\u00e9m desenvolvemos tecnologias, para dar autonomia \u00e0s fam\u00edlias. Trabalhamos com a capta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da chuva, aquecedor solar de baixo custo, bacia de evapotranspira\u00e7\u00e3o, entendendo a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o coletiva e aut\u00f4noma desse local, um territ\u00f3rio de bem viver que sobrevive em meio \u00e0s disputas e \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"bed8\">\u00c9 um processo que, claro, demanda um longo caminho e com muitos desafios, porque \u00e9 uma tentativa constante de ir se adaptando ao crescimento urbano e diversos fatores que nos fazem constantemente repensar de que forma seguir. Buscamos estar a todo momento com uma escuta ativa e entender as necessidades para que possamos apostar nelas juntos, mas sempre na base do desafio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"8ad6\">Temos trabalhado tamb\u00e9m a comunica\u00e7\u00e3o popular para dar visibilidade a esse patrim\u00f4nio aqui na Serra da Miseric\u00f3rdia, por meio de teatro, de cinema, de festivais e de diversas linguagens, como o&nbsp;<em>stream<\/em>&nbsp;e o&nbsp;<em>podcast.&nbsp;<\/em>Tentamos comunicar cada vez mais para que, quem est\u00e1 ali, abra\u00e7ado por esse territ\u00f3rio, se sinta parte e entenda a import\u00e2ncia dessa \u00e1rea verde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"0a7a\">Aqui, antes da Verdejar, j\u00e1 existiam moradoras e moradores que cuidavam dessas \u00e1guas, dessas terras e preservavam suas sementes. Pessoas que j\u00e1 possu\u00edam seus modos de vida, uma forma de se alimentar e de sobreviver. Ent\u00e3o, a nossa luta insistente \u00e9 para que o parque da Serra da Miseric\u00f3rdia aconte\u00e7a, porque esses megaprojetos geram impactos diretos e cru\u00e9is, e com muita viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"72a0\">E a viol\u00eancia est\u00e1 em todas as esferas, sobre a mulher, seus corpos-territ\u00f3rios e as resist\u00eancias. Quando mexem com o ambiente que \u00e9 nossa morada, mexem tamb\u00e9m com o nosso ambiente interno. Por isso, insistir e resistir a esses processos \u00e9 uma luta constante.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/768\/0*LZof1A5agGUAEns3.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Texto organizado e editado por Karoline Kina, com base na fala de Marcelle Felippe durante o d\u00e9cimo Ciclo de Debates #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta, cujo tema foi \u201cCaminhos de resist\u00eancia para defesa dos corpos-territ\u00f3rios\u201d. Marcelle \u00e9 integrante do&nbsp;Verdejar Socioambiental, projeto da Serra da Miseric\u00f3rdia, na Zona Norte do Rio de Janeiro. 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