{"id":420,"date":"2021-05-14T17:25:38","date_gmt":"2021-05-14T20:25:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=420"},"modified":"2021-05-14T17:25:38","modified_gmt":"2021-05-14T20:25:38","slug":"ser-um-refugiado-palestino-e-uma-coisa-agora-ser-uma-mulher-palestina-refugiada-e-outra-historia","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/ser-um-refugiado-palestino-e-uma-coisa-agora-ser-uma-mulher-palestina-refugiada-e-outra-historia\/","title":{"rendered":"Ser um refugiado palestino \u00e9 uma coisa. Agora ser uma mulher palestina refugiada \u00e9 outra hist\u00f3ria."},"content":{"rendered":"\n<p id=\"15bb\"><strong><em>Por Jyussara Abadallah e Nada Ali, refugiadas palestinas no Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"5d23\">N\u00f3s duas somos refugiadas palestinas \u2014 a maioria dos palestinos s\u00e3o refugiados, expulsos de&nbsp;nossas casas por Israel. Nossos av\u00f3s se estabeleceram no mesmo campo de refugiados, chamado Al Jalazoon. N\u00f3s viemos originalmente de uma regi\u00e3o que sofreu limpeza \u00e9tnica e que nenhuma de n\u00f3s jamais teve a chance de visitar. Contudo, n\u00f3s nos conhecemos fora do campo de refugiados, enquanto atu\u00e1vamos na luta pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade palestina inclusiva, livre de todos os tipos de opress\u00e3o e racismo. N\u00f3s n\u00e3o temos ideia de onde exatamente nos encontramos, mas temos certeza que foi durante um evento em solidariedade aos prisioneiros que passavam por uma greve de fome ou em uma visita solid\u00e1ria \u00e0s fam\u00edlias m\u00e1rtires.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1880\/1*eGZJtB0_k1TlP6UwozEJUg.png\" alt=\"\"\/><figcaption>Foto: Instituto Pacs<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"e2a5\">N\u00f3s sabemos, com base nas hist\u00f3rias das nossas av\u00f3s, que n\u00f3s, mulheres, somos o principal fator de preserva\u00e7\u00e3o da identidade e das vidas de refugiados palestinos depois do trauma de Al-Nakba* em 1948, e que agora esse segue sendo o nosso papel ao criar as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es para que entendam e lutem por nossos direitos. N\u00f3s sabemos tamb\u00e9m que a mulher palestina sempre fez parte da luta nacional por liberdade e justi\u00e7a. E&nbsp;<mark>isso \u00e9 perturbador pra n\u00f3s por tamb\u00e9m termos certeza que somos consideradas \u201camea\u00e7as demogr\u00e1ficas\u201d, pelo simples fato de sermos capazes de dar \u00e0 luz \u00e0 pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de palestinos. Essa fun\u00e7\u00e3o e capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o do nosso povo, que as pol\u00edticas do apartheid israelense reprimem e limpam etnicamente h\u00e1 d\u00e9cadas, tem conduzido v\u00e1rios l\u00edderes pol\u00edticos e figuras acad\u00eamicas israelenses a lan\u00e7arem chamados para nos matar ou estuprar.<\/mark><\/p>\n\n\n\n<p id=\"06f2\">Jussara tinha 7 anos de idade quando sua fam\u00edlia \u2014 uma m\u00e3e colombiana, um pai refugiado palestino e seus irm\u00e3os \u2014 fugiram da Col\u00f4mbia para a Palestina. Eles fugiram das explos\u00f5es e das medidas militares que amea\u00e7avam a vida em Bogot\u00e1, para a casa de seu av\u00f4 no campo de refugiados Al-Jalazoon. Na \u00e9poca, l\u00e1 parecia muito mais seguro. Depois que a revolta popular, conhecida como Segunda Intifada, estourou em 2000, seus pais perderam seus empregos e a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica se complicou. Seus passaportes expiraram por conta de bloqueios que Israel estabeleceu para impedir que pessoas se movessem de uma \u00e1rea para outra, eles n\u00e3o conseguiram acessar a embaixada e se tornaram residentes ilegais. Em 2012, sua m\u00e3e teve que ir para a Col\u00f4mbia por conta de uma emerg\u00eancia. Desde ent\u00e3o, Israel, que controlava as fronteiras e, de fato, toda a sua terra natal, proibiu a sua volta \u00e0 Palestina. Em resumo, ela descreve a sua vida no campo como um estado constante de medo e tristeza. L\u00e1 voc\u00ea pode perder seus amigos e amados a qualquer momento, eles podem terminar na pris\u00e3o, no t\u00famulo ou numa cadeira de rodas. Viver em um campo de refugiados significa pensar a cada manh\u00e3: \u201choje eu estou aqui, mas n\u00e3o tenho ideia de onde 69 irei terminar ou o que ir\u00e1 acontecer comigo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"39a0\">Nada foi criada em uma casa longe do campo, filha de um pai refugiado e de uma m\u00e3e que teve sua pr\u00f3pria experi\u00eancia com a opress\u00e3o israelense. Ao crescer, ela ouviu centenas de hist\u00f3rias sobre luta e resist\u00eancia, al\u00e9m de hist\u00f3rias horr\u00edveis sobre pris\u00f5es, assassinatos e priva\u00e7\u00f5es em campos de refugiados. Em toda sua vida, ela esteve sujeita a situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio em pontos de verifica\u00e7\u00e3o militares, a restri\u00e7\u00f5es para se mudar ou viajar, a revistas, al\u00e9m de invas\u00f5es noturnas de for\u00e7as israelenses como a que resultou na pris\u00e3o de seu irm\u00e3o mais novo. A hist\u00f3ria de seus pais e sua pr\u00f3pria experi\u00eancia com o colonialismo e o apartheid fizeram com que ela percebesse a import\u00e2ncia de ser ativa na luta em prol de um futuro melhor.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"bfbc\">Como parte do movimento feminista palestino, n\u00f3s somos bem conscientes de que a luta da mulher palestina n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica desse tipo e que mulheres de qualquer lugar do mundo enfrentam sofrimentos que s\u00f3 atingem a elas por serem mulheres e est\u00e3o, assim, enfrentando uma carga dupla no dia a dia. N\u00f3s tamb\u00e9m acreditamos na import\u00e2ncia de juntar esfor\u00e7os de toda a popula\u00e7\u00e3o, grupos, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es ao redor do planeta em prol de um mundo livre de todas as formas de opress\u00e3o, apartheid e racismo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7af0\">N\u00f3s sabemos de fato que n\u00e3o estamos sozinhos e que o povo oprimido ao redor do mundo enfrenta as mesmas lutas que n\u00f3s todos os dias. O que d\u00f3i mais \u00e9 saber que Israel testa seus modelos militares em n\u00f3s para depois vende-los a outros regimes repressivos e assim, que ser\u00e3o usados contra nossos companheiros de luta.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"e2c4\">Palestinos e refugiados dentro da Palestina ou em di\u00e1spora, ir\u00e3o continuar lutando at\u00e9 todos os seus direitos serem reconhecidos. Mulheres refugiadas, uma parte integral dessa luta, n\u00e3o descansar\u00e3o at\u00e9 que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o tenham que viver sob a opress\u00e3o que elas enfrentam constantemente.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"e4c6\"><strong>El pueblo unido jam\u00e1s ser\u00e1 vencido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"b84e\">*Cat\u00e1strofe na Ar\u00e1bia, refere-se a quando as for\u00e7as israelenses e paramilitares tornaram de 750000 a 1 milh\u00e3o de ind\u00edgenas palestinos em refugiados para estabelecer um estado de maioria judaica em 78% da Palestina hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"b96d\">Este texto \u00e9 parte do livro&nbsp;<a href=\"http:\/\/biblioteca.pacs.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/AFortalezaDasMulheres-1.pdf\"><strong>\u201cA Fortaleza das Mulheres\u201d<\/strong><\/a>&nbsp;(2020), uma parceria entre o Instituto Pacs e Gizele Martins, comunicadora comunit\u00e1ria da favela da Mar\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jyussara Abadallah e Nada Ali, refugiadas palestinas no Brasil N\u00f3s duas somos refugiadas palestinas \u2014 a maioria dos palestinos s\u00e3o refugiados, expulsos de&nbsp;nossas casas por Israel. 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