{"id":607,"date":"2023-12-19T15:20:38","date_gmt":"2023-12-19T18:20:38","guid":{"rendered":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=material&#038;p=607"},"modified":"2023-12-19T15:20:38","modified_gmt":"2023-12-19T18:20:38","slug":"ecos-da-pandemia-na-vida-de-mulheres-latino-americanas","status":"publish","type":"material","link":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/material\/ecos-da-pandemia-na-vida-de-mulheres-latino-americanas\/","title":{"rendered":"Ecos da pandemia na vida de mulheres latino-americanas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Dados revelam aumento nos casos de feminic\u00eddio e maior vulnerabiliza\u00e7\u00e3o de mulheres negras e ind\u00edgenas no per\u00edodo<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"394\" height=\"475\" src=\"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/capa-dossie.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-608\" srcset=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/capa-dossie.png 394w, http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/capa-dossie-249x300.png 249w\" sizes=\"auto, (max-width: 394px) 100vw, 394px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tr\u00eas anos ap\u00f3s o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, aparentamos viver sob uma nova normalidade, em fun\u00e7\u00e3o da difus\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o em escala global e da imuniza\u00e7\u00e3o de massa. No entanto, grande parte da popula\u00e7\u00e3o ainda sente as consequ\u00eancias de um processo de fragiliza\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o s\u00f3 da sa\u00fade, mas tamb\u00e9m de aspectos socioecon\u00f4micos \u2013 resultante do v\u00edrus e sobretudo da atua\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de tanta irresponsabilidade, o resultado da pandemia foi desastroso para a popula\u00e7\u00e3o e especialmente para determinados grupos que sofreram mais de perto os impactos da pandemia. <strong>\u00c9 ineg\u00e1vel que, dentre a parcela da sociedade mais diferencialmente afetada, estavam as mulheres<\/strong> e, especificamente, as mulheres negras e ind\u00edgenas, que assumiram o \u00f4nus e o fardo mais pesado da tarefa de cuidar dos\/as enfermos\/as, concentrando ainda mais fun\u00e7\u00f5es \u00e0quelas j\u00e1 tradicionalmente exercidas por elas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir do entendimento de que a constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias feministas sobre o per\u00edodo da pandemia \u00e9 um ato de luta por justi\u00e7a, o Instituto Pol\u00edticas Alternativas Para o Cone Sul (PACS) lan\u00e7a o Dossi\u00ea <strong>\u201cEcos da pandemia na vida de mulheres latino-americanas\u201d<\/strong>, com dados sobre o impacto da pandemia na vida das mulheres latino-americanas em cinco pa\u00edses \u2013 <strong>Brasil, Chile, Cuba, M\u00e9xico e Peru<\/strong> \u2013 ressaltando os impactos diferenciados em suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A publica\u00e7\u00e3o foi constru\u00edda com o intuito de apresentar um <strong>panorama latino-americano<\/strong>, num esfor\u00e7o de sistematiza\u00e7\u00e3o de dados e informa\u00e7\u00f5es a partir de refer\u00eancias como publica\u00e7\u00f5es e relat\u00f3rios elaborados por organiza\u00e7\u00f5es sociais, institutos de pesquisa, coletivos feministas e movimentos sociais em cada contexto espec\u00edfico, abordando as peculiaridades da condi\u00e7\u00e3o de vida das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento destaca, por exemplo, que <strong>o Brasil foi l\u00edder mundial no ranking de morte materna pela doen\u00e7a<\/strong>, onde as mulheres negras foram maioria (54%) das gestantes e pu\u00e9rperas que morreram de Covid-19. Tamb\u00e9m foram as mais contaminadas e as que mais desenvolveram complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A viol\u00eancia contra a mulher e os feminic\u00eddios tamb\u00e9m cresceram<\/strong>. No Chile, durante o primeiro semestre de 2020, as chamadas sobre viol\u00eancia intrafamiliar contra a mulher aumentaram 107,7% sobre a viol\u00eancia f\u00edsica e 53,2% sobre a viol\u00eancia psicol\u00f3gica. No M\u00e9xico, o n\u00famero de chamadas de emerg\u00eancia por viol\u00eancia contra a mulher aumentou 31,6% no primeiro ano da pandemia, em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente, vimos a <strong>invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher<\/strong> ser tema da prova de reda\u00e7\u00e3o do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem). Na pandemia, essa realidade se agravou com a metade das mulheres do pa\u00eds passando a cuidar de algu\u00e9m de forma n\u00e3o remunerada \u2013 o n\u00famero chega a 62% no caso de mulheres que vivem em zonas rurais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, tamb\u00e9m vimos 63% dos lares brasileiros chefiados por mulheres enfrentarem a <strong>inseguran\u00e7a alimentar<\/strong>. N\u00famero maior do que no Chile (22%) e no Peru, onde cerca de 50% dos domic\u00edlios se encontravam em vulnerabilidade econ\u00f4mica, com risco para a seguran\u00e7a alimentar, dos quais 3,5% encontravam-se em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar severa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dossi\u00ea re\u00fane informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 <strong>sa\u00fade, inseguran\u00e7a alimentar, viol\u00eancia e impactos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+.<\/strong> Destaca-se que as mulheres tamb\u00e9m constru\u00edram <strong>mobiliza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia<\/strong> a essas viol\u00eancias, permanecendo nas ruas durante toda a pandemia na defesa de suas vidas, corpos e territ\u00f3rios. Especialmente as mulheres negras foram protagonistas nas lutas, participa\u00e7\u00e3o em atos, a\u00e7\u00f5es de solidariedade, cria\u00e7\u00e3o de redes, cozinhas solid\u00e1rias, confec\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras, complementa\u00e7\u00e3o de renda e dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa foi feita por <strong>Vit\u00f3ria Gonzalez<\/strong>, Mestra em Sociologia pelo IESP-UERJ e pesquisadora do NETSAL, e a publica\u00e7\u00e3o conta com ilustra\u00e7\u00f5es de <strong>Raquel Batista<\/strong> e projeto gr\u00e1fico de <strong>Karoline Kina<\/strong>. Com realiza\u00e7\u00e3o do <strong>Instituto PACS<\/strong>, do <strong>NETSAL <\/strong>e da campanha&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/explore\/tags\/mulheresterrit%C3%B3riosdeluta\/\"><strong>#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta<\/strong><\/a>, o projeto teve apoio de diferentes organiza\u00e7\u00f5es &#8211; Fondo de Mujeres del Sur, MISEREOR, Brot f\u00fcr die Welt e Dreik\u00f6nigsaktion.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Principais desafios destacados pela pesquisa:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; A sobrecarga do trabalho reprodutivo sobre as mulheres, especialmente referente aos trabalhos dom\u00e9sticos e de cuidado com pessoas enfermas (dentre elas crian\u00e7as e idosos), tarefas estas que se multiplicaram ao longo da pandemia;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; O aumento do desemprego, da informalidade e da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho produtivo exercido por mulheres, com maior disparidade de participa\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres no mercado de trabalho, tanto na formalidade quanto na informalidade;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; O alargamento da inseguran\u00e7a alimentar e da fome, especialmente nos lares chefiados por mulheres;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; A maior depend\u00eancia de aux\u00edlios emergenciais e de medidas assistencialistas governamentais, com impactos no empobrecimento das mulheres;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; A eleva\u00e7\u00e3o dos casos de viol\u00eancia em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es (f\u00edsica, moral, patrimonial, psicol\u00f3gica e sexual), com \u00eanfase nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e de feminic\u00eddio, dada a necessidade de isolamento social e do aumento da conviv\u00eancia no ambiente familiar;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Por outro lado, contraditoriamente, a subnotifica\u00e7\u00e3o dos dados envolvendo viol\u00eancia dom\u00e9stica contra mulheres, apesar do aumento dos casos;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; A significativa quantidade de \u00f3bitos e evidentes dificuldades para receber atendimento adequado, especialmente envolvendo mulheres pretas e pardas, as quais, em geral, n\u00e3o t\u00eam acesso a planos de sa\u00fade e lidam com a precariza\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade p\u00fablico;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; O agravamento de casos de sobrecarga da sa\u00fade mental das mulheres, com a multiplica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as psicossociais, como depress\u00e3o, p\u00e2nico e ansiedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O documento do Dossi\u00ea est\u00e1 dispon\u00edvel na <strong>Biblioteca do Instituto Pacs<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/biblioteca.pacs.org.br\/publicacao\/ecos-da-pandemia-na-vida-de-mulheres-latino-americanas\/\">Portugu\u00eas<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/biblioteca.pacs.org.br\/publicacao\/ecos-da-pandemia-na-vida-de-mulheres-latino-americanas-espanhol\/\">Espanhol<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados revelam aumento nos casos de feminic\u00eddio e maior vulnerabiliza\u00e7\u00e3o de mulheres negras e ind\u00edgenas no per\u00edodo Tr\u00eas anos ap\u00f3s o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, aparentamos viver sob uma nova normalidade, em fun\u00e7\u00e3o da difus\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o em escala global e da imuniza\u00e7\u00e3o de massa. No entanto, grande parte da popula\u00e7\u00e3o ainda sente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"featured_media":608,"template":"","material-category":[4],"class_list":["post-607","material","type-material","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","material-category-livros-e-cartilhas"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material"}],"about":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/types\/material"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/607\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":609,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material\/607\/revisions\/609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media\/608"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"material-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/material-category?post=607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}