{"id":175,"date":"2021-05-06T17:45:25","date_gmt":"2021-05-06T20:45:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=entrevista&#038;p=175"},"modified":"2021-05-11T14:05:52","modified_gmt":"2021-05-11T17:05:52","slug":"coletivo-martha-trindade","status":"publish","type":"entrevista","link":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/entrevista\/coletivo-martha-trindade\/","title":{"rendered":"Coletivo Martha Trindade"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta: a voz da juventude do Coletivo Martha Trindade em Santa Cruz<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"cb0b\"><strong>Por Instituto Pol\u00edticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs)<\/strong>, publicado em 24\/08\/2020<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3ec1\">Formado por jovens moradores do territ\u00f3rio de Santa Cruz, o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivomartha\/\"><strong>Coletivo Martha Trindade<\/strong><\/a>&nbsp;foi fundado em 2016 e atua at\u00e9 hoje em&nbsp;<a href=\"https:\/\/pareternium.org\/\">resist\u00eancia \u00e0 Ternium Brasil, antiga TKCSA<\/a>, localizada no bairro que fica na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O movimento teve origem em um processo de vigil\u00e2ncia popular em sa\u00fade relacionada com o monitoramento da qualidade do ar, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 empresa, e que hoje atua nos debates relacionados aos direitos \u00e0 cidade e contra as viola\u00e7\u00f5es socioambientais provocadas em toda a trajet\u00f3ria de atua\u00e7\u00e3o da maior sider\u00fargica da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3c89\">Em sequ\u00eancia \u00e0s entrevistas com mulheres lutadoras da Am\u00e9rica Latina na campanha&nbsp;<strong>#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta<\/strong>, trazemos hoje a conversa com&nbsp;<strong>Wanessa Afonso<\/strong>,<strong>&nbsp;Jamilly do Carmo&nbsp;<\/strong>e&nbsp;<strong>Aline Marins<\/strong>, tr\u00eas jovens do Coletivo Martha Trindade. O material foi realizado por Marina Pra\u00e7a e Rafaela Dornelas, pesquisadoras e educadoras populares do Instituto Pacs.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1_zqqFSyyocq76xHccmEPUxQ.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-176\" width=\"643\" height=\"539\" srcset=\"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1_zqqFSyyocq76xHccmEPUxQ.png 414w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/1_zqqFSyyocq76xHccmEPUxQ-300x251.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 643px) 100vw, 643px\" \/><figcaption>Foto: Coletivo Martha Trindade<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Pacs: O que \u00e9 luta para voc\u00ea? O que te movimenta<\/strong>?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Wanessa:<\/strong>&nbsp;Defino luta como articula\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gia e avan\u00e7o. O que me movimenta \u00e9 me sentir inclu\u00edda em locais e em grupos de pessoas que pensam parecido, de mulheres, perif\u00e9ricos e pessoas que tem uma realidade parecida com a minha.<br><strong>Aline:&nbsp;<\/strong>Para mim, luta \u00e9 quando algo que incomoda e me faz querer mudar aquilo. O que me movimenta e motiva \u00e9 quando vejo que o que estou fazendo em prol de uma ideia est\u00e1 fazendo bem e dando for\u00e7a para outras pessoas tamb\u00e9m.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       <strong>Jamilly:<\/strong> O que me movimenta \u00e9 ter algo que \u00e9 do meu interesse, em comum com aquilo que acredito. Estar em busca daquilo que voc\u00ea acredita e estar vendo algum retorno, ou at\u00e9 mesmo me frustrar por n\u00e3o conseguir, mas acreditar naquela ideia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"671a\"><strong>Pacs: Voc\u00eas lembram da chegada da empresa? O que voc\u00eas sentiram de mudan\u00e7a com esse processo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"dce2\"><strong>Wanessa:<\/strong>&nbsp;Gente, quem n\u00e3o ficou com medo daquelas lendas de \u201cfulano veio de outro estado, \u00e9 estuprador\u201d, \u201cest\u00e1 tendo estupro perto da empresa\u201d?<br><br><strong>Aline:<\/strong>&nbsp;E os coreanos, chineses\u2026 n\u00e3o sei de onde vinham. Me lembro que assim que come\u00e7ou eu j\u00e1 senti as diferen\u00e7as porque meu pai \u00e9 pescador e teve que parar de pescar, ou se fosse pescar tinha que tomar muito mais cuidado, porque estavam come\u00e7ando a ter amea\u00e7as por conta da empresa. E depois, por conta da ponte, eles n\u00e3o conseguiam pegar o mesmo caminho do porto e tinham que dar uma volta enorme para ter acesso a Ba\u00eda de Sepetiba. Para mim, \u00e9 uma mem\u00f3ria forte desse per\u00edodo, de parar de pescar, de parar de passear de barco. E a\u00ed vem as hist\u00f3rias dos trabalhadores que eram presos, que vinham pra c\u00e1 e n\u00f3s t\u00ednhamos que tomar cuidado porque aqui eles viviam livremente, iam no mercado, moravam. Tinham essas hist\u00f3rias de estupro, de ter que tomar cuidado na rua\u2026Ainda mais porque \u00e9ramos novinhas na \u00e9poca, n\u00e3o entendia muito bem essas coisas, mas tinha que aprender a lidar com isso.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ab1a\"><strong>Jamilly:<\/strong>&nbsp;Senti mudan\u00e7as com rela\u00e7\u00e3o a poeira enorme que passou a ter, algo que n\u00e3o existia tanto. Tiveram os impactos das enchentes e alagamentos que mudaram bastante a cara do conjunto habitacional, as pessoas que viviam aqui e se mudaram por causa disso tudo, a mudan\u00e7a do fluxo de ve\u00edculos, a constru\u00e7\u00e3o das ciclovias\u2026.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"55ae\"><strong>Wanessa:&nbsp;<\/strong>\u00c9 bastante do que a Jamilly falou e do que Aline falou em rela\u00e7\u00e3o ao pai dela. Fora o medo de andar no meio de v\u00e1rios homens que n\u00e3o conhecemos, que \u00e9 uma problem\u00e1tica muito apontada pelas nossas m\u00e3es, no meu caso s\u00f3 minha m\u00e3e. Tem a normaliza\u00e7\u00e3o que houve dos motoristas de vans ficarem com garotas das nossas idades, uma normaliza\u00e7\u00e3o da pedofilia que existe nas periferias j\u00e1 h\u00e1 algum tempo e v\u00edamos isso. S\u00f3 que aqui t\u00ednhamos a no\u00e7\u00e3o de quem eram os homens que sondavam as garotinhas e quando aparecem homens que a gente n\u00e3o conhece e n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o de onde vieram, \u00e9 mais complicado. Eu ficava com muito medo porque os pr\u00f3prios homens manipulavam as mulheres no sentido de falar que elas s\u00e3o \u201cmuito maduras\u201d, sendo que eram de uma idade claramente infantil e muitas vezes nem com o corpo desenvolvido. O impacto que eu lembro \u00e9 nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"500\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_AlineMarins.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-178\" srcset=\"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_AlineMarins.jpeg 500w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_AlineMarins-300x300.jpeg 300w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_AlineMarins-150x150.jpeg 150w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_AlineMarins-230x230.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption>Aline Marins, integrante do Coletivo Martha Trindade | Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p id=\"d838\"><strong>Pacs: O que voc\u00eas veem nos seus corpos? O que voc\u00eas carregam de dores e pot\u00eancias? \u00c9 poss\u00edvel identificar nos corpos os impactos vividos pelo megaprojeto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"4479\"><strong>Jamilly:&nbsp;<\/strong>Nesse contexto de pandemia e pessoalmente falando, sinto um corpo cansado, porque muitas coisas mudaram nesse processo de estar mais tempo em casa, para quem pode. Pode ser que para outras pessoas n\u00e3o seja nessa forma, mas no meu caso \u00e9 um corpo cansado, porque est\u00e1 sobrecarregado, de afazeres que est\u00e3o mais intensificados devido ao contexto, no tempo e espa\u00e7o, no caso dos megaprojetos e da pandemia. E tamb\u00e9m cansado de ver as pessoas falaram \u201cvoc\u00ea \u00e9 forte e consegue estar fazendo isso tudo\u201d, mas que na verdade nem queria estar fazendo isso tudo, porque nem precisava. Mas por ser um corpo jovem, tamb\u00e9m \u00e9 um corpo cheio de for\u00e7as e energia para conseguir reunir tudo aquilo que estamos passando e conseguir encontrar algum motivo para conseguir fazer e agir. A minha for\u00e7a est\u00e1 em constantemente olhar para o passado, pra todos os meus processos de luta e para as pessoas que j\u00e1 fizeram e fazem por mim tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"996e\"><strong>Wanessa:<\/strong>&nbsp;Sou mais pessimista em rela\u00e7\u00e3o ao corpo, j\u00e1 n\u00e3o me via bem antes, continuo me vendo mal e a tend\u00eancia para mim \u00e9 piorar, principalmente na quest\u00e3o respirat\u00f3ria. J\u00e1 s\u00e3o muito anos vivendo com problemas e depois que eu voltei de Serop\u00e9dica para Santa Cruz eles se agravaram. Ultimamente est\u00e1 bem pior, em situa\u00e7\u00f5es pequenas como n\u00e3o conseguir subir e descer escadas duas vezes e lavar uma lou\u00e7a depois. Tenho que sentar e esperar para conseguir fazer as coisas. Entendo que n\u00e3o sou uma pessoa muito cuidadosa com o meu corpo por quest\u00f5es de autoestima, n\u00e3o acho que vale a pena me importar muito com meu corpo. Se o meu corpo n\u00e3o estiver bem, n\u00e3o consigo avan\u00e7ar em nada. Tenho aprendido isso na marra, desde o ano passado porque passei meu anivers\u00e1rio de cama, sozinha em casa, j\u00e1 que fiquei muito doente, perdi emprego, reprovei na faculdade\u2026 O que me d\u00e1 for\u00e7a atualmente \u00e9 n\u00e3o mais olhar para o passado e sim para as potencialidades futuras, n\u00e3o minha como pessoa, mas dos locais que estou inserida, do territ\u00f3rio em si. N\u00e3o funciona olhar para tr\u00e1s. Eu sei que j\u00e1 avan\u00e7amos em bastante coisa, mas n\u00e3o acho que deveria ter sido t\u00e3o pouco, principalmente em rela\u00e7\u00e3o a luta antirracista e direito das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"a01f\"><strong>Aline:&nbsp;<\/strong>Para mim, \u00e9 um pouco sobre o corpo que perdeu sua identidade. Se for olhar como era antes da empresa e como \u00e9 hoje\u2026 Aqui em casa t\u00ednhamos uma rotina muito mais saud\u00e1vel do que temos hoje em dia. Tinha apicultor, t\u00ednhamos acesso a mel o tempo todo, n\u00e3o fic\u00e1vamos t\u00e3o doentes quanto a gente tem ficado hoje em dia. E tamb\u00e9m tem a perda da identidade de poder sair para fazer os passeios de barco, uma rotina que t\u00ednhamos por causa do meu pai e que hoje n\u00e3o temos mais. E com isso, come\u00e7amos a ter quest\u00f5es f\u00edsicas \u2014 eu tenho v\u00e1rias alergias respirat\u00f3rias, a Aliane, minha irm\u00e3, \u00e9 cheia de alergias dermatol\u00f3gicas. Acredito que se n\u00e3o tivesse a sider\u00fargica aqui, ter\u00edamos um outro estilo de vida, que foi retirado da gente. \u00c9 um corpo cansado porque v\u00ea tudo que acontece h\u00e1 tantos anos, mas que ainda assim tenta continuar e seguir em frente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"888\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_WanessaAfonso.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-179\" srcset=\"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_WanessaAfonso.jpeg 500w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_WanessaAfonso-169x300.jpeg 169w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption>Wanessa Afonso, integrante do Coletivo Martha Trindade | Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p id=\"b0c5\"><strong>Pacs: O que \u00e9 cuidado para voc\u00ea? Como voc\u00ea se cuida? O que te adoece e o que te cura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"dee5\"><strong>Aline:<\/strong>&nbsp;Me sinto muito bem quando estou ajudando, quando consigo ser melhor para uma outra pessoa. O que me adoece \u00e9 injusti\u00e7a, coisas que s\u00e3o distantes de eu poder fazer algo para ajudar. Me adoece bastante, me deixa bem ansiosa.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"90ff\"><strong>Jamille:&nbsp;<\/strong>Injusti\u00e7a tamb\u00e9m me adoece bastante, \u00e9 algo que me tira do s\u00e9rio, a ponto de brigar ao ver uma situa\u00e7\u00e3o que me deixa inconformada. Me adoece tamb\u00e9m o fato de n\u00e3o estar produzindo, de estar parada. Em termos de cuidado, cuidar dos outros \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de autocuidado. Ser mais atencioso e cuidar das pessoas que tamb\u00e9m cuidam de voc\u00ea traz um sentimento bom, no sentido emocional e mental. Mas tem os excessos tamb\u00e9m, quando a gente acaba cuidando demais dos outros e esquecemos de cuidar de n\u00f3s mesmas. Um dos maiores desafios dessa quarentena \u00e9 de ter um cuidado mental. Estamos sempre inventando alguma coisa para se sentir bem mentalmente, para n\u00e3o pirar. \u00c9 ouvir uma m\u00fasica, fazer uma comida que te agrade, fazer coisas para distrair e n\u00e3o ficar com muita neura. \u00c9 sobre tentar n\u00e3o pirar.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7378\"><strong>Wanessa:&nbsp;<\/strong>No meu caso, a luta me adoece e me cura ao mesmo tempo porque fico muito imersa nas situa\u00e7\u00f5es, foco muito mais no bem de outras pessoas e n\u00e3o no meu. Ao mesmo tempo, faz bem no sentido de ver o trabalho sendo reconhecido, de ver que isso estimula outras pessoas, de receber retornos de agradecendo e falando que o nosso trabalho ajudou bastante\u2026 Mas adoece, porque temos sofrido amea\u00e7as em alguns territ\u00f3rios, meu telefone vazou, tem pessoas que acham que a gente \u00e9 obrigado a fazer o papel que o Estado n\u00e3o faz, e n\u00f3s somos pessoas f\u00edsicas\u2026 Ent\u00e3o s\u00e3o coisas que complicam um pouco.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5002\"><strong>Pacs: Como voc\u00eas, mulheres jovens, veem o processo das a\u00e7\u00f5es judiciais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"ecc8\"><strong>Aline:<\/strong>&nbsp;\u00c9 muito desgastante porque sempre que acontece algo assim, as pessoas v\u00eam aqui em casa, temos que correr atr\u00e1s. \u00c9 cansativo. Ao mesmo tempo, para quem est\u00e1 envolvido nas a\u00e7\u00f5es, sinto que d\u00e1 um pouco de esperan\u00e7a, j\u00e1 que n\u00e3o conseguimos tirar a empresa daqui. A a\u00e7\u00e3o foi o que restou, \u00e9 uma ponta de esperan\u00e7a. Uma justi\u00e7a em meio a tantas injusti\u00e7as que s\u00e3o feitas aqui. Mas \u00e9 muito cansativo porque tem que estar sempre tentando articular uma coisa, correr atr\u00e1s de outra, ficar em cima de algumas pessoas, do Minist\u00e9rio P\u00fablico, de advogado, de provas\u2026 A demora \u00e9 algo que desgasta muito. Eu vejo como um desgaste, mas tamb\u00e9m como esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"e0b9\"><strong>Jamilly:&nbsp;<\/strong>Eu n\u00e3o tenho tanto contato direto, mas vejo que inicialmente as pessoas achavam que n\u00e3o seria um processo t\u00e3o demorado. As pessoas n\u00e3o tinham muito essa consci\u00eancia, porque parecia meio \u00f3bvio o impacto causado, tinha um nexo causal. N\u00e3o foi algo que as pessoas achavam que teriam que ficar brigando por tanto tempo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"79f8\"><strong>Wanessa<\/strong>: Eu conhe\u00e7o um pouco, mas n\u00e3o tenho muito o que dizer. N\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea que tenho muito interesse, apesar de achar muito importante e relevante que continue sendo feito. Mas \u00e9 que os processos s\u00e3o t\u00e3o demorados que fico ansiosa e me faz mal.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"822\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_JamillydoCarmo.jpeg\" alt=\"Santa Cruz, Rio de Janeiro\" class=\"wp-image-180\" srcset=\"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_JamillydoCarmo.jpeg 500w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Coletivo_JamillydoCarmo-182x300.jpeg 182w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption>Jamilly do Carmo, integrante do Coletivo Trindade | Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Conhe\u00e7a o podcast&nbsp;<a href=\"https:\/\/youtu.be\/DtPIPutX6mQ\"><strong>\u201cVozes da Juventude: Escuta Santa Cruz!\u201d<\/strong><\/a>, realizado pelo Coletivo Martha Trindade em parceria com a Uni\u00e3o Coletiva da Zona Oeste e o Instituto Pacs.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santa Cruz, Rio de Janeiro<\/p>\n","protected":false},"featured_media":176,"template":"","class_list":["post-175","entrevista","type-entrevista","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista\/175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista"}],"about":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/types\/entrevista"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista\/175\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":241,"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista\/175\/revisions\/241"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media\/176"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}