{"id":215,"date":"2021-05-11T12:09:06","date_gmt":"2021-05-11T15:09:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=entrevista&#038;p=215"},"modified":"2021-05-11T14:09:58","modified_gmt":"2021-05-11T17:09:58","slug":"antonia-melo","status":"publish","type":"entrevista","link":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/entrevista\/antonia-melo\/","title":{"rendered":"Ant\u00f4nia Melo"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>#MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta: Ant\u00f4nia Melo e a hist\u00f3ria de resist\u00eancia coletiva no Xingu<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Por Instituto Pol\u00edticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs)<\/strong>, publicado em 13\/10\/2020<\/p>\n\n\n\n<p>Em mais uma entrevista da sequ\u00eancia com mulheres lutadoras da Am\u00e9rica Latina na campanha #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta, trazemos hoje a conversa com Ant\u00f4nia Melo, lideran\u00e7a que ajudou a fundar o Movimento Xingu Vivo, de Altamira, Par\u00e1, e que luta contra a hidrel\u00e9trica de Belo Monte. Natural do Piau\u00ed, Ant\u00f4nia vive na regi\u00e3o do M\u00e9dio Xingu desde meados da d\u00e9cada de 50 e \u00e9 refer\u00eancia na atua\u00e7\u00e3o pela defesa dos direitos humanos e ambientais na Amaz\u00f4nia, sendo, inclusive, vencedora do Pr\u00eamio Ativismo Ambiental e de Direitos Humanos da Funda\u00e7\u00e3o Alexander Soros, no ano de 2017. O material foi produzido por Ana Luisa Queiroz e Yasmin Bitencourt, pesquisadoras e educadoras populares do Instituto Pacs.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AntoniaMelo-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-216\" width=\"684\" height=\"912\" srcset=\"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AntoniaMelo-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AntoniaMelo-225x300.jpeg 225w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AntoniaMelo.jpeg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><figcaption>Ant\u00f4nia Melo | Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p id=\"f642\"><strong>PACS: Qual \u00e9 a hist\u00f3ria de ocupa\u00e7\u00e3o desse territ\u00f3rio, da rela\u00e7\u00e3o dele com as comunidades que est\u00e3o a\u00ed com a terra, \u00e1gua e com o espa\u00e7o p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"096c\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;A hist\u00f3ria de ocupa\u00e7\u00e3o daqui da regi\u00e3o de Altamira no Xingu \u00e9 longa, do que eu conhe\u00e7o. Essa regi\u00e3o \u00e9 habitada por povos origin\u00e1rios, povos ind\u00edgenas, os Caiap\u00f3s, Jurunas, Asurinis, Arawet\u00e9s, Xipayas, Araras e Curuais Esses s\u00e3o os povos que, ao longo dos anos, bem antes da chegada da Igreja e dos padres, ocupavam a regi\u00e3o do m\u00e9dio e do baixo Xingu. Depois, veio a ocupa\u00e7\u00e3o dos donos de seringais, dos seringalistas que recrutavam pessoas de outros estados, principalmente do Nordeste. Eu sou nordestina, nasci no Piau\u00ed e cresci ouvindo essas hist\u00f3rias de que os nordestinos vinham para c\u00e1 para a chamada Era da Borracha, em que houve muitos conflitos de mortes. Essa atividade mexeu muito com a regi\u00e3o e houve muita viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas, que reagiram \u00e0 entrada dos seringueiros nessa \u00e1rea que eles chamavam de Alto Xingu, Iriri, que s\u00e3o os rios afluentes do Rio Xingu. Os ind\u00edgenas foram atacados em seus territ\u00f3rios, que foram invadidos pelos brancos. Foi na \u00e9poca da borracha que houve um ataque da fauna e da flora, principalmente com a matan\u00e7a dos gatos maracaj\u00e1, que tinham o couro vendido e davam muito lucro. Nesse jogo, os envolvidos eram os seringalistas e as empresas que se apossaram desse espa\u00e7o, que tamb\u00e9m era uma \u00e1rea ind\u00edgena, para matar os gatos. Foram praticamente dez anos de muita matan\u00e7a desses animais para a venda de couro. Nessa mesma \u00e9poca da seringa, tamb\u00e9m foi o per\u00edodo da venda de castanha-do-Par\u00e1. Eu j\u00e1 morava aqui no internato e via todos os dias, na beira do cais do Rio, a chegada de barcos lotados de seringa e castanha, atividades que duraram pelo menos duas d\u00e9cadas de muita venda e explora\u00e7\u00e3o de l\u00e1tex, da seringueira e de castanha-do-Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9569\">Depois, veio a abertura da Transamaz\u00f4nica, na d\u00e9cada de 70, com o slogan do presidente da Ditadura Militar, o M\u00e9dici, de \u201cTerra sem homens, para homens sem terras\u201d. Deixava subentendido que n\u00e3o existia ningu\u00e9m na regi\u00e3o, os ind\u00edgenas sempre foram ignorados, assim como os cearenses do trabalho da seringa e da castanha que moravam aqui h\u00e1 muitos anos. Nessa \u00e9poca, a ocupa\u00e7\u00e3o dessa regi\u00e3o foi muito forte e, por tr\u00e1s, como tem em todos os projetos, existiam beneficiados como os fazendeiros e os grandes latifundi\u00e1rios. Isso culminou em um genoc\u00eddio, um etnoc\u00eddio contra povos ind\u00edgenas, principalmente os Araras, que habitavam em Brasil Novo, a 40 km daqui, em Medicil\u00e2ndia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7d5a\">O governo brasileiro trouxe os arig\u00f3s, os cearenses, nordestinos e suas fam\u00edlias inteiras para ocuparem a margem da estrada. Assim, foram criados os munic\u00edpios atuais de Brasil Novo, Medicil\u00e2ndia, Uruar\u00e1, Rur\u00f3polis, Placas, Anapu, Pacaj\u00e1, para depois vir a domina\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio nessas \u00e1reas. Ao andar hoje na regi\u00e3o da Transamaz\u00f4nica, observam-se poucas propriedades da agricultura familiar, porque a maioria foi devastada e agora tem grandes propriedades de fazendeiros que est\u00e3o na margem da estrada. Com essa transforma\u00e7\u00e3o, o governo abandonou essas fam\u00edlias, deixando-as sem nenhum suporte. Assim, muitas delas que vieram, n\u00e3o tiveram como voltar para suas regi\u00f5es de origem, principalmente do Nordeste, e foram obrigados a vender seus lotes de beira da estrada para o latif\u00fandio e se concentrar no fundo dos travess\u00f5es, hoje chamados \u201ctravess\u00f5es dos sinais\u201d. O projeto da Transamaz\u00f4nica do governo militar, ao trazer as fam\u00edlias, foi uma ocupa\u00e7\u00e3o colonialista, que tinha por tr\u00e1s o projeto do latif\u00fandio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"4664\">No final da d\u00e9cada de 80, in\u00edcio de 90, veio o an\u00fancio da constru\u00e7\u00e3o do Complexo de Barragens Karara\u00f4. Em 89, os ind\u00edgenas, liderados pelos Caiap\u00f3s, fizeram uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o aqui com mais de 1000 ind\u00edgenas em Xingu, contra Karara\u00f4. Eles foram apoiados pelos movimentos sociais, pela sobreviv\u00eancia na Transamaz\u00f4nica, era um movimento de trabalhadoras, trabalhadores e estudantes dessa regi\u00e3o, que foi apoiado por n\u00f3s, pela Igreja e por tantos outros parceiros nacionais e internacionais. Ent\u00e3o, o gesto heroico da \u00edndia Tu\u00edra, chamando o representante do governo de \u201cmentiroso\u201d, no encontro, foi denunciado ao Banco Mundial, que iria repassar a verba para a constru\u00e7\u00e3o de Karara\u00f4. A instala\u00e7\u00e3o foi suspensa e, desde isso, esse projeto de barragem permaneceu suspenso.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"927c\">Em 2000, Fernando Henrique Cardoso, antes de deixar o governo, anunciou a constru\u00e7\u00e3o do complexo, j\u00e1 com nome de Belo Monte, e n\u00e3o mais Karara\u00f4. Ent\u00e3o, os povos ind\u00edgenas se mobilizaram, os movimentos sociais, porque sempre houve resist\u00eancia em defesa do Xingu contra a constru\u00e7\u00e3o de barragens, isso desde a d\u00e9cada de 60. A\u00ed, em 2003, com o Governo Lula, ele demonstrou que tinha mesmo interesse em construir Belo Monte, que era considerado o maior projeto de seu governo. Diante de tantas mobiliza\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es, pelos povos ind\u00edgenas e movimentos sociais contra Belo Monte, al\u00e9m das mais de 25 a\u00e7\u00f5es na justi\u00e7a comprovando a inviabiliza\u00e7\u00e3o desse projeto, o governo passou por cima das leis e, junto com \u201cju\u00edzes pol\u00edticos\u201d, aprovaram Belo Monte.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"aee3\"><strong>PACS: Como se deu essa ocupa\u00e7\u00e3o colonialista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"ff83\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;Chegaram os fazendeiros, os grileiros e pol\u00edticos de todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds, principalmente do Centro-Oeste, para tomar conta, quer dizer, invadir essa regi\u00e3o. Por isso que os conflitos que j\u00e1 existiam historicamente se acirraram depois da constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Belo Monte. \u00c9 um outro destro\u00e7o na vida das pessoas que j\u00e1 tinham esses espa\u00e7os, como os ribeirinhos e os pr\u00f3prios ind\u00edgenas, que sofrem com a invas\u00e3o de suas terras; os agricultores da agricultura familiar, que em grande maioria foram expulsos de suas terras e que, com a indeniza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o valia muito, compram terras em outra cidade distante dessa regi\u00e3o. Os povos ind\u00edgenas, as comunidades, as fam\u00edlias da cidade, tiveram suas vidas afetadas e toda a estrutura social que quase h\u00e1 quarenta anos se lutava para se ter uma cidade com hospitais, com escolas. Exatamente onde vem projeto ap\u00f3s projeto, fazendo essa invas\u00e3o contra a vida das pessoas. Na atualidade, primeiro veio Belo Monte e, hoje, se trabalha a grande amea\u00e7a que \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o desse outro monstro projeto, chamado Belo Sun, que continua junto com Belo Monte atordoando e colocando as fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de risco de vida. Com isso, todas as pessoas sofrem, perdem aquilo que j\u00e1 tinham. Nesse contexto, as mulheres s\u00e3o as principais v\u00edtimas desses projetos de destrui\u00e7\u00e3o e morte.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"d9b5\"><strong>PACS: Sobre a Transamaz\u00f4nica, quais foram e s\u00e3o os impactos e conflitos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"5a7a\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;Com a constru\u00e7\u00e3o da Transamaz\u00f4nica, esse projeto de viol\u00eancia e morte, os impactos foram sobre a vida da popula\u00e7\u00e3o e o meio ambiente, principalmente para os povos ind\u00edgenas. Teve uma ocasi\u00e3o em que alguns ind\u00edgenas foram expostos presos em carro\u00e7as pelos militares, no meio da rua, aqui em Altamira. A etnia Araras habitava esse territ\u00f3rio por onde foi aberta a picada para essa estrada, a BR-230. Naquela \u00e9poca, eram aqueles avi\u00f5es da FAB e, at\u00e9 hoje, eu lembro do estrondo que eu ouvi a 40 km, porque na \u00e1rea da cidade do munic\u00edpio de Brasil Novo, o governo mandou jogar uma bomba nessa aldeia ind\u00edgena. Com essa quase extin\u00e7\u00e3o, o povo Arara passou anos tentando recuperar e aumentar o seu povo. Quanto aos impactos \u00e0s fam\u00edlias que foram arrancadas de suas terras, porque bem ou mal, eles estavam localizados nos seus estados de origem, principalmente no Nordeste, mesmo com a seca, eles estavam localizados, tinham seu espa\u00e7o. Ent\u00e3o, eles foram arrancados, com a propaganda enganosa do governo da \u00e9poca, como em todos os per\u00edodos e que ainda funciona hoje, dizendo que na regi\u00e3o Norte tinha muita terra, fartura. Essas fam\u00edlias foram jogadas aqui para abrir e povoar esse grande territ\u00f3rio da BR e muitas delas morreram de acidentes na estrada, de mal\u00e1ria ou de um mosquito tipo um pium, mas muito mais feroz e venenoso, que causou a conhecida S\u00edndrome Hemorr\u00e1gica de Altamira. Eu mesma, quando cheguei aqui com quatro anos de idade em 1953, fui picada por esse mosquito, inchei muito e meu pai e minha m\u00e3e n\u00e3o tinham mais esperan\u00e7a que eu pudesse escapar, de t\u00e3o mal, uma alergia t\u00e3o forte, t\u00e3o feroz, que paralisou meus rins, paralisou tudo. Mas, atrav\u00e9s das b\u00ean\u00e7\u00e3os e as luzes de Deus e do Xingu, estou hoje aqui. Assim, foram muitos os impactos na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, na perda de familiares e no trabalho, porque as fam\u00edlias come\u00e7aram a trabalhar pesado. Nessa \u00e9poca, o governo abriu um lugar que armazenava arroz, feij\u00e3o, todos os produtos da terra, onde os agricultores plantavam e esses produtos todos sa\u00edam daqui para outros estados.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"449f\">A abertura da Transamaz\u00f4nica, na quest\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, era praticamente zero. Na \u00e9poca, a Irm\u00e3 Serafina, que \u00e9 considerada como o anjo da Transamaz\u00f4nica, era uma freira muito caridosa aqui na regi\u00e3o do Xingu e alugou uma casa para receber os doentes migrantes que vieram para a Transamaz\u00f4nica. Ela que cuidava, buscava aux\u00edlio e comida para esses doentes. Foi extremamente impactante e doloroso esse projeto de abertura da Transamaz\u00f4nica. E, um dos pontos muito impactantes, que marcou a destrui\u00e7\u00e3o desse territ\u00f3rio, foram os gananciosos latifundi\u00e1rios que estavam por tr\u00e1s de tudo isso invadindo, tirando da m\u00e3o dos agricultores, porque eles n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de levar em frente o embate e foram se instalar mais nos fundos, bem distantes, a 100, 150, 80, 50 km da faixa da estrada. A inaugura\u00e7\u00e3o dessa rodovia aconteceu com a derrubada de uma castanheira secular que tinha aqui e, hoje, esse monumento, que j\u00e1 est\u00e1 apodrecido, ganhou o nome de \u201cpau do presidente\u201d. Foi um ato simb\u00f3lico para dizer para o que veio: a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"8eca\"><strong>PACS: E as resist\u00eancias, como se davam?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"8f87\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;As fam\u00edlias que ficaram aqui, que n\u00e3o tiveram mais dinheiro para voltar, foram se arrumando e foi criado um grande movimento chamado Movimento pela Sobreviv\u00eancia da Transamaz\u00f4nica em Xingu, formado por agricultores, mulheres, estudantes, pelo sindicato de professores e pela Igreja Cat\u00f3lica do Xingu, na pessoa de Dom Erwin, e os padres das Comunidades Eclesiais de Base. O protagonismo dessas fam\u00edlias que aqui conseguiram ficar aconteceu pela organiza\u00e7\u00e3o para chamar aten\u00e7\u00e3o do governo e para o fato de que abrir a Transamaz\u00f4nica foi um erro e abandonar as pessoas seria um erro maior. Assim, esse grande movimento organizado foi formado por lideran\u00e7as, pela popula\u00e7\u00e3o trabalhadora organizada que deu in\u00edcio \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas para essa regi\u00e3o. Muitas vezes, os grupos iam \u00e0 Bras\u00edlia, Bel\u00e9m, cobrar por pol\u00edticas. Hoje, tudo que n\u00f3s temos aqui, o hospital regional de alta complexidade, as universidades, as melhorias na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o, tudo que avan\u00e7amos foi pela luta dos trabalhadores e trabalhadoras de v\u00e1rias categorias daqui.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"4e23\">E, depois de cinquenta anos, essa estrada n\u00e3o foi pavimentada da forma como deveria ser. Com as fam\u00edlias agricultoras \u00e0 margem, n\u00e3o foi desenvolvido um melhor acesso para elas, nem pol\u00edticas p\u00fablicas e, acima de tudo, sem investimentos para a agricultura familiar, que nunca foi uma prioridade para o governo. Essa luta hoje continua nos munic\u00edpios pelos grupos organizados, liderados pelas mulheres. Atualmente, n\u00f3s temos uma grande organiza\u00e7\u00e3o delas em todos os munic\u00edpios, que se articulam e lutam contra a viol\u00eancia \u00e0 mulher, por direitos sociais, pol\u00edticas p\u00fablicas e pela quest\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7c2c\"><strong>PACS: E os megaprojetos atuais, Belo Monte e Belo Sun?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"bddf\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;Bem antes, j\u00e1 na abertura da Transamaz\u00f4nica, j\u00e1 tinha aqui na Volta Grande do Xingu uma mineradora, j\u00e1 que a \u00e1rea \u00e9 riqu\u00edssima em minerais e em ouro, e por isso, sempre foi cobi\u00e7ada por pol\u00edticos. Jader Barbalho conduzia essa minera\u00e7\u00e3o, que era chamada Oca, e depois Taboca, que os garimpeiros tradicionais h\u00e1 mais de 40 anos exploram esse ouro. O que querem hoje, o Canad\u00e1 atrav\u00e9s da Vale e da Belo Sun, \u00e9 passar por cima de tudo. Esses pol\u00edticos, na \u00e9poca, principalmente pela figura de Jader Barbalho como governador do Par\u00e1, promoveram uma matan\u00e7a na Volta Grande contra garimpeiros, exatamente para tomar conta desse espa\u00e7o e das atividades da minera\u00e7\u00e3o. Essa explora\u00e7\u00e3o nunca foi pac\u00edfica e os garimpeiros nunca tiveram nada, s\u00f3 o trabalho, e muitos perderam a vida. Ainda hoje tem um grupo que continua fazendo essa extra\u00e7\u00e3o de uma forma bem artesanal, que n\u00e3o prejudica o meio ambiente. H\u00e1 outra situa\u00e7\u00e3o nessa regi\u00e3o que a gente pode considerar de projeto de destrui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a quest\u00e3o da grilagem das terras, dos conflitos agr\u00e1rios. A reforma agr\u00e1ria, infelizmente, nunca foi feita nem nesse pa\u00eds, tampouco nesta regi\u00e3o. Os poucos assentamentos que foram feitos nas terras p\u00fablicas nunca foram legalmente efetivados por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas. Infelizmente, nem o governo de Lula fez isso, deixou tudo para tr\u00e1s e s\u00f3 aumentaram os conflitos. Atualmente, \u00e9 poss\u00edvel dizer que h\u00e1 um projeto de cons\u00f3rcio de grileiros e fazendeiros, que a todo custo querem se apossar dessas terras p\u00fablicas para montar seus neg\u00f3cios do agroneg\u00f3cio, para eles \u00e9 tudo sobre a terra. O que chamamos de \u201ccons\u00f3rcio da morte\u201d, que s\u00f3 trabalham para a destrui\u00e7\u00e3o, tanto do meio ambiente, como da terra, dos agricultores, das pessoas que est\u00e3o pr\u00f3ximas dessas \u00e1reas ou residem nessas terras. S\u00e3o terras federais, que esses fazendeiros n\u00e3o t\u00eam os direitos garantidos de acordo com a lei.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"7ba5\"><strong>PACS: Sobre Belo Monte, que j\u00e1 foi implantado, quais foram os impactos e perdas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"a484\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;Belo Monte \u00e9 uma destrui\u00e7\u00e3o com impactos irrevers\u00edveis, que nunca ser\u00e1 fato consumado porque os preju\u00edzos, a destrui\u00e7\u00e3o ambiental, aqu\u00e1tica, da fauna e flora, dos seres humanos e da sa\u00fade mental nunca vai acabar, porque cada vez mais aparecem mais impactos que esse projeto vem deixando ao longo dos anos e do dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"09df\">Belo Monte deixou o empobrecimento na vida das pessoas, sendo os grupos das fam\u00edlias ribeirinhas tradicionais que viviam h\u00e1 anos nesses locais, com suas culturas, conservando e preservando a natureza. Ao serem expulsas de seus lugares, elas ficaram doentes, como confirma um relat\u00f3rio feito por uma equipe de psiquiatras e psic\u00f3logos que vieram da USP, trazida pela historiadora e jornalista Eliane Brum, pela procuradora da Rep\u00fablica Dra. Ta\u00eds e pela Dra. S\u00f4nia Magalh\u00e3es. Essa equipe de profissionais conversou com essas pessoas, para que sentissem o tamanho do impacto que Belo Monte deixou na vida delas. Eles definiram que essa usina deixou na vida das fam\u00edlias o adoecimento humano, que parece ser invis\u00edvel e n\u00e3o ter diagn\u00f3stico, mas que as pessoas est\u00e3o doentes por dentro, espiritualmente, psicologicamente. Belo Monte n\u00e3o ser\u00e1 fato consumado. Suas ru\u00ednas est\u00e3o, dia ap\u00f3s dia, na vida das pessoas. E h\u00e1 o empobrecimento dessa popula\u00e7\u00e3o, porque antes elas tinham seu lugar, elas dizem que antes elas eram ricas e agora elas se tornaram empobrecidas. As fam\u00edlias da cidade que moravam nos bairros aqui da periferia, como eu morava, tinham acesso aos bancos, aos supermercados, \u00e0s igrejas, aos hospitais e agora elas foram para longe, vivendo a 5, 6, 7 quil\u00f4metros, sem transporte, sem condi\u00e7\u00f5es boas de vida. Aqui, elas tinham churrasquinho, vendiam uma merenda na porta da escola, vendiam croch\u00e9. Principalmente as mulheres ficaram mais empobrecidas, tinham seu ganho, faziam bicos para ajudar nas despesas e na economia da fam\u00edlia. Hoje, distantes nesses bairros, elas n\u00e3o t\u00eam para quem vender, porque a maioria do povo que est\u00e1 na regi\u00e3o \u00e9 igual a elas economicamente, n\u00e3o tem dinheiro nem emprego.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3687\">Volta Grande do Xingu \u00e9 um territ\u00f3rio altamente amea\u00e7ado de secar, de virar um sequeiro de mais de 100 quil\u00f4metros, porque \u00e9 uma barragem invi\u00e1vel, que n\u00e3o garante os 11.223 megawatts como o governo e a empresa falam. N\u00e3o tem recursos suficientes para isso, e eles prendem a \u00e1gua e n\u00e3o deixam passar como era antes para esses mais de 100 quil\u00f4metros abaixo da barragem chamada Pimental, que barra no Rio Xingu. Com isso, os moradores sofrem sem \u00e1gua, os ind\u00edgenas, os pescadores, as comunidades rurais tradicionais e muitos igarap\u00e9s secaram. Se voc\u00ea me pergunta: \u201cAnt\u00f4nia, fala a\u00ed um bem que Belo Monte trouxe?\u201d, estou procurando ainda. N\u00e3o acho n\u00e3o, eu sei que nunca vou encontrar.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"fd0d\"><strong>PACS: E como est\u00e1 a resist\u00eancia nesse processo de \u201cprojetos de morte\u201d e como voc\u00ea v\u00ea o papel das mulheres nessa resist\u00eancia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"8fd4\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;N\u00f3s somos aqui aclamadas em v\u00e1rios lugares do Xingu, porque fazemos resist\u00eancia, claro que tem homens participando tamb\u00e9m, mas todas essas lutas s\u00e3o lideradas pelas mulheres. Essa resist\u00eancia se d\u00e1 atrav\u00e9s do Conselho Ribeirinho, que tem em sua maioria mulheres lutadoras. Tem o Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade, temos o Coletivo de Mulheres do Xingu, que nasce daqui do Movimento Xingu Vivo para Sempre, temos o Coletivo de Mulheres Negras, tem o movimento negro que, assim como outras organiza\u00e7\u00f5es aqui em Altamira e nos outros munic\u00edpios, s\u00e3o lideradas pelas mulheres. N\u00f3s trabalhamos na forma\u00e7\u00e3o exatamente para que elas possam estar preparadas para saber sobre nossos direitos, para ajudar pessoas, orientar, para cobrar das autoridades seus direitos, as pol\u00edticas p\u00fablicas, sociais, que s\u00e3o as nossas bandeiras de luta. E, principalmente nesses tempos de Belo Monte, trabalhamos contra a viol\u00eancia \u00e0s mulheres, crian\u00e7as e juventude, que come\u00e7amos no ano passado, porque foi um exterm\u00ednio quase total da juventude na regi\u00e3o pelas drogas, a criminalidade, e n\u00e3o vimos nenhuma autoridade preocupada com isso. Ent\u00e3o, tomamos a frente, realizamos audi\u00eancia e fomos nas escolas com a juventude, com as crian\u00e7as, com os adolescentes, para que eles falassem naquele espa\u00e7o. E, esse ano, estamos com uma parceria com uma entidade que h\u00e1 muito tempo est\u00e1 conosco, para trabalhar sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas e sociais para a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia de Altamira. Porque Belo Monte n\u00e3o trouxe nada para eles, trouxe a criminalidade, as drogas e a morte. As mulheres rurais lutam pelas pol\u00edticas p\u00fablicas para o meio rural, pela quest\u00e3o ambiental, e est\u00e3o nessa linha junto conosco nessas bandeiras de lutas. S\u00f3 n\u00e3o ocupamos o poder p\u00fablico. Apesar de existirem algumas mulheres na C\u00e2mara de Vereadores, infelizmente elas n\u00e3o nos representam. Apenas uma delas que \u00e9 corajosa, que fala. Fora esse exemplo, estamos ausentes no espa\u00e7o pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"a09a\"><strong>PACS: Quais outros impactos voc\u00ea v\u00ea que atingiram mais especificamente as mulheres com esses megaprojetos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"9ad7\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;Altamira sempre foi palco de cidade viol\u00eancia contra mulheres e crian\u00e7as. Na nossa luta, principalmente liderada pelas mulheres, n\u00f3s conseguimos reduzir muito isso, com outros parceiros, mas sempre fomos n\u00f3s, as lideran\u00e7as, na linha de frente. Conseguimos parar o assassinato das crian\u00e7as na d\u00e9cada de 1988 a 1993, no caso dos meninos emasculados em Altamira. Conseguimos parar, a gente diz que 99%, os crimes e assassinatos contra as mulheres. Fizemos um trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o nas escolas sobre a viol\u00eancia e conseguimos trazer para c\u00e1 uma delegacia de atendimento \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Tamb\u00e9m foi uma conquista a chegada dos \u00f3rg\u00e3os de sistema de direitos, sistema de justi\u00e7a, minist\u00e9rio p\u00fablico, defensoria, juizado na regi\u00e3o. Tudo foi luta nossa, com outros parceiros, mas sempre com n\u00f3s, mulheres, na lideran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"8f1c\">Com Belo Monte o grande impacto sobre as mulheres foi a volta da viol\u00eancia dom\u00e9stica, muitas foram assassinadas, inclusive aquelas que trabalhavam nesse empreendimento vindas de outros estados. Tivemos not\u00edcias que foram assassinadas dentro do trabalho. Muitas sofreram viol\u00eancia sexual. N\u00e3o podiam sair na rua, com o local cheio de pe\u00e3o, de trabalhadores da obra. As mulheres ficavam expostas aos ass\u00e9dios e viol\u00eancia sexual. Entre meninas e adolescentes, aumentaram os n\u00fameros de gravidez na juventude. Um problema tamb\u00e9m foi a desestrutura\u00e7\u00e3o familiar, porque mulheres tinham que sair para trabalhar, os filhos ficavam jogados e caiam na criminalidade, nas drogas. Diziam que grande maioria desses postos de trabalhos de Altamira seriam para as mulheres da regi\u00e3o e n\u00e3o foi verdade, porque elas pegaram os piores trabalhos, mais pesados, j\u00e1 tinham qualifica\u00e7\u00e3o profissional. Apesar de eles terem aberto o espa\u00e7o para qualificar as pessoas, homens e mulheres, algumas tiveram algum retorno, mas em grande parte foi uma grande farsa. Ent\u00e3o, em meio a essa propaganda enganosa, as mais impactadas foram as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"24e3\"><strong>PACS: Pode falar um pouco mais sobre as comunidades que mais foram atingidas por esses projetos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"e742\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;Toda a regi\u00e3o foi impactada pelo aumento da viol\u00eancia, tanto contra as mulheres, como a viol\u00eancia como tal, muitos assaltos, muitos assassinatos. Altamira despontou em 2015 como uma das cidades mais violentas do pa\u00eds pelo tamanho da popula\u00e7\u00e3o pequena, em compara\u00e7\u00e3o com Rio de Janeiro e outras cidades. Toda a regi\u00e3o foi impactada, quem morava na \u00e1rea rural, era um sossego, tinha paz. Hoje ningu\u00e9m, em nenhuma regi\u00e3o, tem essa paz. Sempre tem muitos crimes na \u00e1rea rural, de roubo, de assalto, de mortes. \u00c9 um impacto geral de que a tranquilidade que tinha em Altamira e, nessa regi\u00e3o, n\u00e3o existe mais e as pessoas vivem com muito cuidado, sobressaltadas. Tem entidades que falam que as empresas colocam o que elas querem colocar, para moldar a cabe\u00e7a das pessoas dizem que existem \u201cos atingidos diretos e atingidos indiretos\u201d. N\u00e3o existem atingidos indiretos, porque todas as pessoas s\u00e3o atingidas diretamente. Existe uma qualifica\u00e7\u00e3o \u2014 aquelas que s\u00e3o expulsas, que v\u00e3o passar por cima; aquelas que perdem o seu com\u00e9rcio, o seu modo de vida, a sua produ\u00e7\u00e3o; aquelas que perdem a sua tranquilidade; aquelas que perdem a sua sobreviv\u00eancia, como no caso das comunidades ribeirinhas que foram impactadas. As comunidades ind\u00edgenas foram e est\u00e3o sendo muito impactadas, porque foram altamente enganadas. \u00c9 o grupo que, tanto a empresa, quanto o governo investe mais para tentar calar, porque sempre foi o grupo de for\u00e7a da regi\u00e3o na luta pela defesa de seus territ\u00f3rios e suas vidas. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal tem 25 a\u00e7\u00f5es e, dessas todas, o ponto focal s\u00e3o os impactos contra as comunidades ind\u00edgenas. Por fim, a \u00faltima das a\u00e7\u00f5es \u00e9 uma que condena a Norte Energia e o governo por etnoc\u00eddio dos povos ind\u00edgenas aqui do m\u00e9dio Xingu.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"61e0\">Al\u00e9m desses dois grupos muito impactados, as fam\u00edlias ribeirinhas que foram expulsas de onde hoje \u00e9 o lago aqui em Altamira, nos conselhos elas foram obrigadas pelo Ibama, com o pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal para que elas fossem realocadas, reassentadas numa terra pr\u00f3xima ao rio, na \u00e1rea do lago. H\u00e1 quase tr\u00eas anos que essa briga acontece. At\u00e9 ent\u00e3o, foram assentadas 140 e poucas fam\u00edlias, mas tem mais de 200 para serem reassentadas e, at\u00e9 agora, isso n\u00e3o saiu do papel. Essas pessoas est\u00e3o pela cidade, passando fome, algumas mais de idade j\u00e1 faleceram. Perderam o rio ou moram longe do rio, sem condi\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia. As que est\u00e3o reassentadas n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de produzir alimento, porque o rio n\u00e3o tem mais peixe. Esse \u00e9 o quadro extremamente violento, esse \u00e9 um crime contra a humanidade dos povos do m\u00e9dio Xingu. As outras comunidades que na cidade moravam em bairros perif\u00e9ricos, mesmo no centro da cidade em meio aos alagamentos, as pessoas viviam bem razoavelmente, mas n\u00f3s sempre lutamos para que fossem feitos aterros e melhorias nesses bairros, mas eles n\u00e3o fizeram porque j\u00e1 esperavam por esse projeto destruidor, que \u00e9 Belo Monte. Essas popula\u00e7\u00f5es foram arrancadas para longe, ficaram desempregadas em sua grande maioria, sem condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia, sem \u00e1gua. V\u00e1rios pesquisadores do Brasil e do mundo que vieram aqui, que todo ano v\u00eam desenvolver teses de doutorado e mestrado, estudam esse impacto do projeto de Belo Monte e eles alegam que depois de ouvir e fazer as pesquisas, que o maior impacto que Belo Monte trouxe para a vida das pessoas foi a viol\u00eancia e a falta de \u00e1gua. Se voc\u00ea me pergunta quem \u00e9 mais impactado, s\u00e3o as comunidades ribeirinhas, depois os ind\u00edgenas, e por a\u00ed vai. E n\u00e3o podemos esquecer tamb\u00e9m que a inf\u00e2ncia e juventude foi e est\u00e1 sendo ainda um grupo muit\u00edssimo impactado, que sofreu a destrui\u00e7\u00e3o de seu futuro.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"a890\"><strong>PACS: Pensando nas possibilidades diante desse cen\u00e1rio t\u00e3o dif\u00edcil, qual \u00e9 o mundo que voc\u00ea acha que as mulheres de luta podem construir?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"bf9c\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>&nbsp;Eu acredito que as mulheres de luta podem construir e est\u00e3o construindo um mundo ambiental de vida e de paz. Caminhando e lutando \u00e9 que se constr\u00f3i a paz. \u00c9 isso que n\u00f3s estamos fazendo. Lutando para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo ambientalmente, ecologicamente sustent\u00e1vel e um mundo de paz para as presentes e as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6753\"><strong>PACS: N\u00f3s agradecemos muito. Obrigada por sua for\u00e7a, sabedoria e luta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"68a0\"><strong>Ant\u00f4nia:<\/strong>\u00a0Eu sou uma pessoa, meu compromisso \u00e9 esse. Todo esse trabalho n\u00e3o \u00e9 isolado, ele \u00e9 coletivo. E obrigada tamb\u00e9m voc\u00eas que vieram de longe para o encontro do N\u00facleos da Bacia do Xingu. Contamos com a parceria de voc\u00eas que t\u00eam nos ajudado a fortalecer esta luta por um mundo ecologicamente conservado, respeitando as \u00e1reas preservadas com envolvimento das popula\u00e7\u00f5es tradicionais, comunidades do campo e cidades em suas culturas, economias, saberes e religiosidades. Lutando por investimentos e respeito a M\u00e3e Natureza, a M\u00e3e Terra no Bem Viver em caminhada pela paz.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Xingu Vivo, Altamira (PA)<\/p>\n","protected":false},"featured_media":216,"template":"","class_list":["post-215","entrevista","type-entrevista","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista\/215","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista"}],"about":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/types\/entrevista"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista\/215\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":246,"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista\/215\/revisions\/246"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media\/216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=215"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}