{"id":225,"date":"2021-05-11T12:55:20","date_gmt":"2021-05-11T15:55:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/?post_type=entrevista&#038;p=225"},"modified":"2021-05-11T14:11:34","modified_gmt":"2021-05-11T17:11:34","slug":"angela-cuenca","status":"publish","type":"entrevista","link":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/entrevista\/angela-cuenca\/","title":{"rendered":"Angela Cuenca"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta: Angela Cuenca e a articula\u00e7\u00e3o de mulheres na Bol\u00edvia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Por Instituto Pol\u00edticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs)<\/strong>, publicado em 08\/12\/2020<\/p>\n\n\n\n<p>Em mais uma edi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie de entrevistas com mulheres lutadoras da Am\u00e9rica Latina, trazemos hoje um bate-papo com Angela Cuenca, integrante do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ColectivoCASABolivia\/\"><strong>Colectivo de Coordinaci\u00f3n de Acciones Socio-Ambientales (Colectivo CASA)<\/strong><\/a>, de Oruro, Bol\u00edvia. Angela participou do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=BwjyrENnWBY\"><strong>2\u00ba epis\u00f3dio<\/strong><\/a>&nbsp;do Ciclo de Debates da Campanha #MulheresTerrit\u00f3riosdeLuta, cujo tema foi \u201cTrabalho Reprodutivo e a Repatriarcaliza\u00e7\u00e3o dos Corpos Territ\u00f3rios\u201d, transmitido no dia 10 de junho no canal do Instituto Pacs no Youtube. A entrevista foi realizada por Marina Pra\u00e7a e Ana Luisa Queiroz, do Instituto Pacs.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AngelaCuenca_fotoprincipal-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-227\" srcset=\"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AngelaCuenca_fotoprincipal-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AngelaCuenca_fotoprincipal-300x200.jpeg 300w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AngelaCuenca_fotoprincipal-768x512.jpeg 768w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AngelaCuenca_fotoprincipal.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p id=\"9d28\"><strong>PACS: O que \u00e9 luta para voc\u00ea? E o que te move?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"d0c3\">Para&nbsp;mim, a luta \u00e9 um processo em que se defende, em que se faz respeitar os pr\u00f3prios direitos. Sinto que uma luta \u00e9 tamb\u00e9m uma for\u00e7a que cada um de n\u00f3s, especialmente as mulheres, temos em busca de ideais.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2892\">Do meu trabalho, da quest\u00e3o ambiental, estou muito comovida com as injusti\u00e7as, as injusti\u00e7as sociais, as injusti\u00e7as ambientais que vivemos. Quando fazemos uma an\u00e1lise com a nossa equipa do Colectivo CASA, \u00e9 sempre para pensar porque nos articulamos, porque nos reunimos, e \u00e9 precisamente porque vemos que h\u00e1 tantas injusti\u00e7as, ainda mais quando h\u00e1 projetos de minera\u00e7\u00e3o. V\u00ea-se que se est\u00e1 gerando uma situa\u00e7\u00e3o de despossess\u00e3o, estas lacunas econ\u00f4micas est\u00e3o tornando-se mais vis\u00edveis, porque h\u00e1 alguns que t\u00eam muito, que procuram o poder, ao contr\u00e1rio de outros, que s\u00e3o as comunidades, que s\u00e3o as mulheres, que est\u00e3o em total desvantagem. E \u00e9 uma forma t\u00e3o forte de despossess\u00e3o que algo precisa ser feito. Assim, articulam-se e lutam pelos seus ideais, lutam contra estas formas de injusti\u00e7a e veem que pouco est\u00e1 acontecendo, mas que h\u00e1 tantas necessidades que t\u00eam de ser combatidas. \u00c9 preciso unir-se e ser forte pelos seus ideais, contra estas formas de injusti\u00e7a, contra estas desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5452\"><strong>PACS: Como voc\u00ea se compreendeu como mulher ao longo da sua vida? Voc\u00ea se v\u00ea nas mulheres do passado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"b2aa\">Venho de um processo antigo e muito coletivo. Penso que a maior parte dos nossos anos de trabalho foram feitos com organiza\u00e7\u00f5es mistas, trabalhamos com homens e mulheres nas comunidades. Mas, desde 2013, sinto que, pessoalmente, temos dado um passo t\u00e3o forte para olhar para as mulheres, para olhar de forma diferente para o trabalho, a luta, a resist\u00eancia das mulheres. Porque vimos que todo o trabalho que fizemos foi sempre com homens. Assim, a partir de 2013 foi um ano-chave para n\u00f3s, e no final deste ano formamos a Rede Nacional de Mulheres em Defesa da M\u00e3e Terra.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9de4\">Sinto que a minha identidade no trabalho com mulheres, na valoriza\u00e7\u00e3o do nosso trabalho, dos nossos sentimentos, da nossa maneira de ver, vem de antes. Tamb\u00e9m sinto que a pr\u00f3pria sociedade nos esconde, nos imp\u00f5e quadros e em rela\u00e7\u00f5es muito desiguais. Portanto, penso que venho desse processo e, desde 2013 at\u00e9 agora, descobrimos que \u00e9 t\u00e3o importante esta articula\u00e7\u00e3o das mulheres, estarmos juntas, trabalhar de forma coordenada, apoiar-se mutuamente e tamb\u00e9m valorizar estas formas de cuidados que n\u00f3s mulheres temos. Os nossos cuidados, tanto familiares, coletivos, mas tamb\u00e9m estes cuidados individuais. Porque, muitas vezes, n\u00e3o nos damos conta de que n\u00f3s, mulheres, somos as que sustentam a vida.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"4174\">Sinto que a minha identidade \u00e9 tamb\u00e9m refor\u00e7ada por tantas lutas, por tantas mulheres, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel local. A n\u00edvel local, por colegas t\u00e3o enraizados e que nos ensinam todos os dias as coisas que precisam ser feitas, mas tamb\u00e9m pelas nossas av\u00f3s, as nossas m\u00e3es, que s\u00e3o pessoas que inspiram, e que, de outra forma, tamb\u00e9m nos mostram o caminho que precisamos seguir.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"94c8\"><strong>PACS: Como voc\u00ea v\u00ea o seu corpo? O que voc\u00ea carrega nele?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"8b1d\">Tenho alguns amigos em Challapata, que \u00e9 uma zona de resist\u00eancia muito forte, e morro de rir porque h\u00e1 uma irm\u00e3, a Naomi, que fala sempre de mim nas reuni\u00f5es e eu fico muito envergonhada. Mas ela diz: \u201cNeste pequeno corpo, h\u00e1 tanta for\u00e7a\u201d. Sim, eu sinto que, realmente, neste corpo h\u00e1 muitos sentimentos, muitos pensamentos. Tamb\u00e9m h\u00e1 muita raiva. \u00c9 um corpo que alimenta a solidariedade, certo? E, bem, \u00e0s vezes penso que h\u00e1 muitos sentimentos no interior, mas precisamos aprender a canaliz\u00e1-los, porque h\u00e1 o risco de ficar deprimido, ou de ficar para baixo, porque se veem todas as injusti\u00e7as \u00e0 sua volta. Mas, ao mesmo tempo, sinto que este corpo tem muita alegria, muito anseio por justi\u00e7a, muitos sentimentos bonitos. E aprendi que trabalhar com mulheres \u00e9 uma obra de amor, de afeto, e \u00e9 tamb\u00e9m o que me permite ter for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"afe4\"><strong>PACS: De que parte do seu corpo vem a sua for\u00e7a?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"a0b7\">Acredito que a minha for\u00e7a vem centralmente do cora\u00e7\u00e3o e da cabe\u00e7a, porque s\u00e3o estas liga\u00e7\u00f5es e, bem, tamb\u00e9m dos p\u00e9s que s\u00e3o a base forte que permitem avan\u00e7ar com tudo. Sinto que o corpo \u00e9 realmente super complexo, \u00e9 um espa\u00e7o que nos permite fazer tantas coisas, desde o f\u00edsico at\u00e9 o emocional. Portanto, a for\u00e7a tamb\u00e9m tem liga\u00e7\u00e3o com os desejos. Combino for\u00e7a com desejo, porque se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos estes desejos de fazer coisas, talvez o corpo pudesse j\u00e1 n\u00e3o ser como um instrumento, mas h\u00e1 coisas muito mais complexas no seu interior.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"fc9c\">Acredito que os corpos n\u00e3o s\u00e3o corpos isolados. Sinto que os corpos est\u00e3o sempre ligados e est\u00e3o ligados a outras pessoas, que o inspiram, que o ajudam, que est\u00e3o em cumplicidade. Assim, os nossos \u00f3rg\u00e3os, ou seja, os nossos pulm\u00f5es, o nosso cora\u00e7\u00e3o, a nossa cabe\u00e7a, a nossa mente, est\u00e3o ligados com outras pessoas, mas tamb\u00e9m com esp\u00edritos, com os nossos antepassados, que nos iluminam e nos guiam nas coisas que temos que fazer.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"aa8d\"><strong>PACS: Onde est\u00e1 a arte em voc\u00ea? E nos espa\u00e7os coletivos que faz parte?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"f5c4\">Acredito que a arte, no meu corpo, est\u00e1 mais no meu cora\u00e7\u00e3o. Porque, sinto que todas estas necessidades, esta iniciativa de poder ligar, de poder pintar a realidade de outra forma, est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o, no fato de querer, de transformar, partilhar. Tamb\u00e9m sinto que est\u00e1 na boca, na palavra, em ser capaz de falar, mas tamb\u00e9m em ser capaz de ouvir. Sinto que, para transformar, para pintar, para desenhar uma realidade diferente, precisamos ser capazes de falar, comunicar, ouvir, porque sen\u00e3o, n\u00e3o ser\u00edamos capazes de pintar nada, estar\u00edamos t\u00e3o isolados das coisas, n\u00e3o estar\u00edamos? E como pode perceber tudo o que \u00e9 atrav\u00e9s do seu cora\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos seus sentimentos, atrav\u00e9s destas liga\u00e7\u00f5es muito raras que s\u00e3o inimagin\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"d711\"><strong>PACS: Para voc\u00ea, o que \u00e9 cuidar de si? Como voc\u00ea se cuida?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"ffe9\">Cuidar de si pr\u00f3prio \u00e9 uma pr\u00e1tica que, pessoalmente, me tem tocado duramente. Sinto que \u00e9 muito f\u00e1cil tomar conta dos outros, e \u00e9 como um objetivo de vida isso. Mas qu\u00e3o importante \u00e9 pensar em n\u00f3s, trabalhar conosco, ver-nos. \u00c9 muito dif\u00edcil, n\u00e3o \u00e9? Agora tenho me dado um tempo para descansar, porque cheguei a uma fase em que o sono n\u00e3o era importante, nada importava. Mas senti o meu corpo ficando mais fraco e tudo o que eu queria fazer j\u00e1 n\u00e3o era poss\u00edvel. Portanto, agora o principal, para mim, \u00e9 dividir os meus espa\u00e7os: o meu espa\u00e7o de trabalho com o meu espa\u00e7o familiar, o meu espa\u00e7o pessoal, e tamb\u00e9m o meu espa\u00e7o de casal. Para ter os momentos de trabalho claros, mas sem que isso afete o meu modo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c9be\">Parte do cuidado tem liga\u00e7\u00e3o com a nossa comida, porque penso que, pessoalmente, tenho sido como um leit\u00e3o, que come tudo o que h\u00e1, mas sem se dar conta que h\u00e1 alimentos que nos tornam fortes, h\u00e1 alimentos que s\u00e3o necess\u00e1rios e que, se n\u00e3o cuidarmos de n\u00f3s pr\u00f3prios, estamos colocando em risco n\u00e3o s\u00f3 a nossa vida, mas tudo o que podemos fazer pelos outros. E isso tem sido dif\u00edcil de compreender, mas tem sido um processo muito agrad\u00e1vel que temos tido desde o ano passado com os nossos parceiros, de p\u00f4r em pr\u00e1tica os cuidados e os cuidados coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"aefa\">E algo que aprendi ultimamente \u00e9 que n\u00e3o tenho de carregar a tristeza dos outros. E \u00e9 muito dif\u00edcil, porque sinto que toda a minha vida tentei me colocar no lugar da outra pessoa e viver o que ela estava vivendo para ajudar. E como se livrar disso? N\u00e3o quero dizer que me tornei insens\u00edvel ou algo do g\u00eanero, mas tem a ver com aprender realmente a canalizar e a transformar todas estas emo\u00e7\u00f5es em coisas intencionais, que n\u00e3o s\u00f3 ajudam a mim mesma, mas tamb\u00e9m podem ajudar a outra pessoa. Mas \u00e9 preciso libertar-se um pouco dos fardos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3d57\"><strong>PACS: O que te adoece? E o que te cura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"f81e\">A injusti\u00e7a me deixa doente, zangada, me deixa impotente, t\u00e3o triste, t\u00e3o desesperada. Muitas vezes sinto \u00f3dio, \u00f3dio contra aqueles que est\u00e3o provocando algum tipo de injusti\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3bdd\">O que me cura \u00e9 o poder coletivo, definitivamente, o poder de falar, articular, de sonhar com outras pessoas. Penso que \u00e9 isso que me cura. Mas tamb\u00e9m ser capaz de fazer algo, a partir destes sonhos, ser capaz de criar, ligar, de traduzir em fatos concretos. E aprendemos que estar bem, que o seu corpo est\u00e1 bem, \u00e9 tamb\u00e9m que todas as suas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o bem. Se o seu corpo \u00e9 mau, se o seu corpo est\u00e1 doente, est\u00e1 com raiva, com \u00f3dio, com sentimentos negativos, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de fazer nada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/0_vE0P2NTjylYwmZ7D.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-228\" width=\"786\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/0_vE0P2NTjylYwmZ7D.jpeg 414w, https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/0_vE0P2NTjylYwmZ7D-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 786px) 100vw, 786px\" \/><figcaption>Foto: Acervo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p id=\"4fb4\"><strong>PACS: Como surgiu o Colectivo CASA?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"d0a9\">O Colectivo CASA nasceu h\u00e1 12 anos, de um pequeno grupo de jovens profissionais com muita raiva das injusti\u00e7as que vinham da minera\u00e7\u00e3o. Vivemos numa \u00e1rea onde a pr\u00e1tica existe desde os tempos coloniais, mas desde a d\u00e9cada de 1980, as opera\u00e7\u00f5es de extra\u00e7\u00e3o em grande escala foram iniciadas por empresas transnacionais. Assim, em 2008, nos reunimos e decidimos, primeiro, fazer um grupo de reflex\u00e3o e an\u00e1lise frente ao que estava acontecendo. Depois, decidimos nos reunir como um coletivo e come\u00e7ar a apoiar comunidades, organiza\u00e7\u00f5es, grupos de base que tinham exig\u00eancias sociais e ambientais. Da\u00ed nasceu o coletivo e, como disse, com uma primeira fase de trabalho muito comunit\u00e1rio, a partir dos direitos coletivos. A partir do ano 2013 come\u00e7amos com um trabalho com uma perspectiva feminista.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"d8ca\">Nos identificamos muito com a ecologia pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m com o ecofeminismo. Porque sentimos que estas lutas sempre estiveram ligadas a formas de despossess\u00e3o, contamina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia, e que t\u00eam a ver com todo um modelo econ\u00f4mico extrativo e patriarcal, mas que, ao mesmo tempo, \u00e9 tamb\u00e9m criminoso. Assim, estas t\u00eam sido parte das nossas reflex\u00f5es no trabalho com o Colectivo. E a partir deste trabalho \u00e9 que, em 2007\u20132008, iniciamos tamb\u00e9m a articula\u00e7\u00e3o: fazemos parte da Rede Latino-americana de Mulheres Defensoras dos Direitos Sociais e Ambientais, na qual partilhamos ideais de luta, de defesa dos territ\u00f3rios, mas a partir da voz das mulheres. E em 2013 formamos uma rede local, uma rede boliviana de Mulheres em Defesa da M\u00e3e Terra, que s\u00e3o companheiras afetadas por projetos extrativos, mas que tamb\u00e9m incluem mulheres de outras comunidades que se encontram em resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"b77f\"><strong>PACS: O que voc\u00ea acha desta rela\u00e7\u00e3o entre as mulheres e a luta s\u00f3cio-ambiental?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"0c11\">Quando falamos de um projeto extrativo que est\u00e1 entrando em um territ\u00f3rio, aquelas que fazem a primeira defesa, a partir da identifica\u00e7\u00e3o do dano, s\u00e3o mulheres. S\u00e3o elas que t\u00eam esta liga\u00e7\u00e3o direta dos cuidados, que est\u00e3o na vanguarda da resist\u00eancia, s\u00e3o as mulheres que est\u00e3o \u00e0 frente da fam\u00edlia e s\u00e3o elas que n\u00e3o v\u00e3o negociar por nada a sua vida, a sua sa\u00fade, a sua alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o v\u00e3o negociar por um emprego. Assim, encontrar esta diferen\u00e7a, para n\u00f3s, tem sido muito interessante, porque depois de ter trabalhado durante tantos anos com comunidades inteiras, em resist\u00eancia, vendo os impactos ambientais, estar com as companheiras me faz ver que, realmente, este sistema econ\u00f4mico extrativo \u00e9 realmente brutal. \u00c9 t\u00e3o forte, porque afeta n\u00f3s, mulheres, de forma diferente, porque estamos nesta rela\u00e7\u00e3o direta com a M\u00e3e Terra.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c319\">As mulheres s\u00e3o as que est\u00e3o imersas no territ\u00f3rio de uma forma muito mais forte. E quando falamos dos impactos do extrativismo, o efeito tamb\u00e9m \u00e9 diferente, porque as mulheres adquirem uma sobrecarga de trabalho. Elas t\u00eam que percorrer longas dist\u00e2ncias para fazer uma nova produ\u00e7\u00e3o, para obter \u00e1gua limpa para a alimenta\u00e7\u00e3o, para a sa\u00fade, para garantir que a sua fam\u00edlia esteja bem. Portanto, esta rela\u00e7\u00e3o da M\u00e3e Terra, da natureza com as mulheres \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o muito forte, e \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o que sempre esteve presente, mas talvez\u2026 h\u00e1 j\u00e1 alguns anos, esteja se tornando mais vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3de8\"><strong>PACS:<\/strong>&nbsp;<strong>Quais s\u00e3o os atuais megaprojetos na Bol\u00edvia? Quais s\u00e3o as empresas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"2a83\">Na \u00e1rea onde nos encontramos, nesta \u00e1rea que \u00e9 maioritariamente mineira \u2014 desde os anos 80, temos minera\u00e7\u00e3o transnacional. E, para n\u00f3s, tem sido fundamental saber quais s\u00e3o as empresas que existem. Mas, por detr\u00e1s deste belo nome que eles pr\u00f3prios d\u00e3o \u2014 porque para al\u00e9m de entrarem no territ\u00f3rio tamb\u00e9m se d\u00e3o um nome local, por exemplo, Inti Raymi, Sinchi Wayra, com nomes qu\u00edchua, eles at\u00e9 tiram parte da nossa cultura -, por detr\u00e1s deles est\u00e3o grandes empres\u00e1rios, h\u00e1 tamb\u00e9m outros pa\u00edses, empres\u00e1rios de outros pa\u00edses. Aqui temos muitas empresas que s\u00e3o canadenses, dos Estados Unidos, transnacionais da Su\u00ed\u00e7a e, ultimamente, muitas empresas chinesas. Assim, estas empresas transnacionais tamb\u00e9m estiveram em diferentes pa\u00edses causando os mesmos danos, as mesmas formas de despossess\u00e3o. E por tr\u00e1s destas empresas est\u00e3o tamb\u00e9m os bancos, alem\u00e3es, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, por isso s\u00e3o interesses comerciais muito grandes.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"e216\">J\u00e1 temos cerca de 26 anos de resist\u00eancia numa das nossas comunidades. E, por exemplo, tem se desenvolvido uma empresa canadense, a Castillian Resources. Esta empresa dotou-se de estrat\u00e9gias para, de outra forma, tentar entrar no territ\u00f3rio. Bem, a\u00ed vimos que por tr\u00e1s desta empresa havia, primeiro, uma pequena empresa local, que \u00e9 a propriet\u00e1ria, e um banco. E para al\u00e9m do fato desta empresa ser um ca\u00e7ador de minas, fazem todo o trabalho e depois vendem toda a concess\u00e3o e toda a explora\u00e7\u00e3o a uma empresa muito maior.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"4e60\">Um dos fatores fortes que vemos nesta rela\u00e7\u00e3o entre empresas mineiras, empresas transnacionais, e o Estado, \u00e9 tamb\u00e9m a facilidade com que as leis s\u00e3o aplicadas. Aqui na Bol\u00edvia, desde 2014, foi aprovada uma nova Lei de Minas, nas \u201ccostas\u201d das comunidades. Uma lei que foi constru\u00edda apenas por atores mineiros, mas que coloca toda a receita para uma despossess\u00e3o legal. Assim, por exemplo, em quest\u00f5es de consulta \u2014 consulta pr\u00e9via, gratuita e informal, que deve respeitar a Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT \u2014 aqui a lei incorporou uma consulta para as atividades mineiras, na qual s\u00e3o dadas todas as facilidades \u00e0s empresas. Portanto, um Minist\u00e9rio de Minas n\u00e3o vai obviamente decidir a favor da comunidade, vai decidir a favor da exist\u00eancia de uma opera\u00e7\u00e3o mineira. D\u00e1-lhes argumentos para que a empresa mineira, caso haja resist\u00eancia na comunidade, possa usar a for\u00e7a p\u00fablica. Ent\u00e3o \u00e9 grave, porque \u00e9 um ataque direto. E isto sempre aconteceu, mas agora \u00e9 legalizado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"d190\">E \u00e9 muito engra\u00e7ado, porque nas leis que se v\u00ea em letras grandes \u201csim, n\u00e3o pode ser explorada em \u00e1reas protegidas\u201d, \u201cn\u00e3o pode ser explorada perto de igrejas, perto de estradas, perto de fontes de \u00e1gua\u201d, mas se v\u00ea os artigos abaixo dizendo \u201cmas sim, pode explorar no caso de ser ben\u00e9fico para o pa\u00eds\u201d. Ent\u00e3o, tudo o que dizia n\u00e3o, agora diz sim, porque tem a ver com a economia do pa\u00eds. \u00c9 como se alguns direitos tivessem mais valor do que os direitos das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"96ab\"><strong>PACS: Quais s\u00e3o as comunidades mais impactadas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"ed79\">H\u00e1 tr\u00eas contextos diferentes: um, que s\u00e3o comunidades que est\u00e3o em resist\u00eancia, como Challapata; h\u00e1 Realenga, que \u00e9 outra zona produtiva; El Choro; h\u00e1 v\u00e1rias comunidades que n\u00e3o t\u00eam minera\u00e7\u00e3o e que est\u00e3o em plena resist\u00eancia; outras comunidades em que n\u00e3o existe minera\u00e7\u00e3o, mas que s\u00e3o impactadas atrav\u00e9s da \u00e1gua, de rios e lagos \u2014 \u00e9 o caso de Tolapampa, por exemplo. H\u00e1 outras comunidades que t\u00eam minera\u00e7\u00e3o desde os tempos coloniais, e depois \u00e9 criada uma empresa transnacional. Assim, existem tr\u00eas contextos: comunidades em resist\u00eancia; comunidades que n\u00e3o t\u00eam minera\u00e7\u00e3o mas que recebem os impactos; e comunidades onde a atividade mineira j\u00e1 est\u00e1 presente.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"984a\">Nestes tr\u00eas contextos, vimos que os impactos s\u00e3o diferentes nas mulheres. Nas comunidades que t\u00eam minas e naquelas que s\u00e3o diretamente afetadas pela \u00e1gua, vemos que a viola\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres \u00e9 muito forte, porque elas n\u00e3o t\u00eam direito \u00e0 \u00e1gua; em algum momento sofreram casos de viola\u00e7\u00e3o. Vimos tamb\u00e9m que n\u00e3o t\u00eam sistemas de sa\u00fade adequados, que os impactos da \u00e1gua contaminada est\u00e3o afetando diretamente as suas condi\u00e7\u00f5es de vida, etc. E nas comunidades que est\u00e3o em resist\u00eancia, \u00e9 diferente, porque h\u00e1 um forte impacto emocional. Porque t\u00eam medo de, entre a empresa mineira, perder toda a sua produ\u00e7\u00e3o, h\u00e1 este stress, h\u00e1 muita press\u00e3o por parte das empresas para entrar, etc. Assim, vemos que h\u00e1 impactos muito diferentes em cada um dos contextos e que as lutas, as formas de resist\u00eancia, s\u00e3o tamb\u00e9m diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"a3ce\"><strong>PACS: Quais s\u00e3o as principais a\u00e7\u00f5es e formas de organizar a luta no seu territ\u00f3rio? Quais s\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es que apoiam esse esfor\u00e7o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"6cca\">Bem, aqui onde estamos, fundamentalmente, trabalhamos com mulheres ind\u00edgenas, com mulheres nativas e mulheres camponesas. Portanto, s\u00e3o companheiras que t\u00eam vis\u00f5es diferentes. Por exemplo, as mulheres ind\u00edgenas s\u00e3o as que s\u00e3o mais guiadas pelos seus antepassados; s\u00e3o as que t\u00eam um respeito muito integral, muito forte, uma liga\u00e7\u00e3o muito especial, muito bonita, com a natureza, mas que vem dos seus antepassados. Assim, ouvi-las \u00e9 muito diferente de ouvir as que v\u00eam de outras comunidades, que s\u00e3o mulheres camponesas, que fazem parte de sindicatos, por exemplo. H\u00e1 ainda as companheiras que tamb\u00e9m s\u00e3o irrigadoras. Portanto, estas mulheres s\u00e3o tamb\u00e9m camponesas, mas culturalmente a sua forma de organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. Assim, quando come\u00e7amos a trabalhar com a Rede Nacional de Mulheres em Defesa da M\u00e3e Terra, foi dif\u00edcil, mas dissemos: n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio unir. Decidimos que aqui cada um defende da forma como acredita. E tem sido um processo de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6ba1\">E falando dos processos de resist\u00eancia, para n\u00f3s como algumas chaves para avan\u00e7armos, h\u00e1 primeiro a articula\u00e7\u00e3o: o poder de se reunirem entre as mulheres, o poder de falarem umas com as outras, de se ouvirem umas \u00e0s outras, constru\u00edrem e sonhar juntas. A articula\u00e7\u00e3o, seja local ou internacional, \u00e9 fundamental. Melhor ainda se tiver articula\u00e7\u00e3o internacional, porque voc\u00ea v\u00ea que tem apoio, que algo est\u00e1 acontecendo na Bol\u00edvia, no territ\u00f3rio, mas sabe que internacionalmente tamb\u00e9m est\u00e1 sendo apoiado. As a\u00e7\u00f5es de advocacia s\u00e3o fundamentais para se poder resistir. Outro eixo muito importante para a resist\u00eancia \u00e9 a documenta\u00e7\u00e3o. Estamos trabalhando arduamente para poder documentar, porque, por vezes, \u00e9 como se a sua palavra n\u00e3o contasse, mas se tiver algo escrito, s\u00f3 conta como prova. Assim, temos muitas publica\u00e7\u00f5es que refletem a situa\u00e7\u00e3o das comunidades, os casos, os direitos que est\u00e3o sendo violados, os impactos ambientais, mas agora estamos tamb\u00e9m trabalhando em publica\u00e7\u00f5es para documentar os impactos emocionais. Assim, produzimos um guia de acompanhamento psicossocial, mas a beleza deste guia \u00e9 que se trata de uma constru\u00e7\u00e3o coletiva. N\u00e3o \u00e9 algo que n\u00f3s, como institui\u00e7\u00e3o, vemos e moldamos. Estamos construindo com os nossos companheiros. E isto tamb\u00e9m tem a ver com processos de investiga\u00e7\u00e3o coletiva, porque na realidade o conhecimento est\u00e1 nas mulheres, nas companheiras e no que elas sabem. E acredito que cada um de n\u00f3s tem conhecimentos, mas na medida em que compartilhamos, esses conhecimentos s\u00e3o enriquecidos. E estes s\u00e3o os processos coletivos que temos realizado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6255\">Tamb\u00e9m para refor\u00e7ar a resist\u00eancia, \u00e9 importante promover alternativas ao extrativismo, para fazer as sementeiras, colheitas de \u00e1gua, para valorizar as nossas sementes nativas, etc. E tamb\u00e9m trabalhar muito no autocuidado, no cuidado coletivo, mas tamb\u00e9m na promo\u00e7\u00e3o destes processos de acompanhamento psicossocial. No ano passado, trabalhamos muito sobre isso, a partir de processos pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"f49c\">Sobre as organiza\u00e7\u00f5es que nos apoiam, estamos ligados \u00e0 Rede Latino-Americana de Mulheres Defensoras dos Direitos Sociais e Ambientais, que \u00e9 composta por 10 pa\u00edses, tanto na Am\u00e9rica do Sul, como na Am\u00e9rica Central. Ent\u00e3o h\u00e1 o Chile, Peru, Equador, Col\u00f4mbia e n\u00f3s. Na Am\u00e9rica Central h\u00e1 o M\u00e9xico, Honduras, Guatemala, El Salvador e n\u00f3s estamos numa pequena parte da Argentina. Assim, com esta Rede Latino-Americana, o trabalho \u00e9 muito bonito. Temos a\u00e7\u00f5es muito concretas, em datas muito concretas, mas como h\u00e1 emerg\u00eancias, tamb\u00e9m nos reunimos e realizamos a\u00e7\u00f5es conjuntas de advocacia. Temos assembleias uma vez em cada dois anos, presenciais, mas tamb\u00e9m temos assembleias que s\u00e3o de tr\u00eas em tr\u00eas meses, onde nos reunimos, partilhando experi\u00eancias, coordenando a\u00e7\u00f5es. Portanto, \u00e9 um espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o conjunta.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3885\">E tamb\u00e9m fazemos parte do COMAL, que \u00e9 o Observat\u00f3rio de Conflitos Mineiros na Am\u00e9rica Latina, de onde partilhamos informa\u00e7\u00f5es sobre conflitos ambientais, mas tamb\u00e9m temos, por exemplo, um mapa da criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto social. Portanto, estas s\u00e3o lutas e experi\u00eancias que nos permitem ter maiores ferramentas para continuar a resistir no territ\u00f3rio. E, a n\u00edvel local, estamos ligados a organiza\u00e7\u00f5es feministas e, com a RENAMAT, estamos construindo outro tipo de \u201cfeminismo\u201d, algo novo, diferente, com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, mas obviamente nos sentimos feministas porque estamos defendendo os direitos das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"f30e\">Fazemos parte tamb\u00e9m de outros tipos de redes, por exemplo, uma rede anti-militarista, na qual nos ligamos a outros pa\u00edses e vemos como estas rela\u00e7\u00f5es entre o Estado e as empresas transnacionais est\u00e3o tamb\u00e9m ligadas \u00e0s for\u00e7as p\u00fablicas, como utilizam os militares para defender a expropria\u00e7\u00e3o e colocar os direitos das comunidades por baixo. Ent\u00e3o \u00e9 a\u00ed que nos ligamos a esta rede anti-militarista que nos tem dado novas contribui\u00e7\u00f5es para ver as lutas, para ver as resist\u00eancias. E n\u00f3s fazemos parte de outra rede latino-americana, que se chama Rede ALAS (Alternativa Social Latino-Americana), que \u00e9 uma rede em que estamos descobrindo as diferentes m\u00e1fias que est\u00e3o tomando espa\u00e7os, estes grupos articulados, e que obviamente encontramos redes mafiosas muito interessantes nas comunidades onde tamb\u00e9m existem atividades mineiras. E a liga\u00e7\u00e3o dos direitos, o tr\u00e1fico de pessoas\u2026 ou seja, h\u00e1 muitas coisas complexas quando se fala de projetos extrativos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"4798\">Por isso sinto que, quando falamos de projetos extrativos, de defesa da vida, e quando falamos de mulheres, temos de desenvolver os mais criativos, os mais proposicionais e tamb\u00e9m os mais protegidos. Penso que estes s\u00e3o pontos-chaves e que temos de fazer em conjunto, porque se n\u00e3o, uma resist\u00eancia, uma luta isolada, \u00e9 muito dif\u00edcil de sustentar. E a outra coisa importante que toda esta fase da gest\u00e3o de conflitos nos ensinou \u00e9 que devemos nos valorizar como mulheres, valorizar a nossa luta e a nossa resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colectivo CASA, Bol\u00edvia<\/p>\n","protected":false},"featured_media":226,"template":"","class_list":["post-225","entrevista","type-entrevista","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista\/225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista"}],"about":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/types\/entrevista"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista\/225\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":248,"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/entrevista\/225\/revisions\/248"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media\/226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pacs.org.br\/mulheresterritoriosdeluta\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}