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Agroecologia e Soberania Alimentar

A Agroecologia em seu cerne nos convoca a pensar na relação harmônica com os ecossistemas e na valorização de concepções e práticas, que se originam em períodos que não estão presentes em nosso calendário e em nossa forma de contabilizar o tempo. Tais práticas são diversas e se constroem desde o surgimento da agricultura no mundo, se reinventam nas experiências das agricultoras e agricultores através do tempo.

Destacamos, aqui, a dimensão da Agroecologia como um movimento social, que luta pela superação dos danos causados à sociedade pelas monoculturas, pelo latifúndio, pelo uso desenfreado de agrotóxicos e pelo uso e implementação da transgenia. É um modo de fazer agricultura dos povos e comunidades tradicionais que traz das florestas, campos e quintais um saber encarnado na vida, no equilíbrio das dimensões política, energética, social e ambiental e no fazer de gente que luta historicamente pela permanência em seus territórios.

A agroecologia se opõe à forma de manejo convencional à medida em que não coloca em risco a biodiversidade e nem o desenvolvimento da sociedade, defendendo assim a desconcentração de terra, a não-exploração do trabalho rural e urbano e a preservação da agrobiodiversidade.

Ao trazê-la como aposta central do nosso trabalho, reafirmamos um compromisso ético com as comunidades tradicionais e com as formas de viver, a fim de evitar o agravamento dos impactos do perverso modelo de desenvolvimento vigente. Colocamos nossa prática a serviço dos movimentos do campo, das cidades e das florestas, na construção de uma forma de viver agroecológica e justa social, ambiental, política e economicamente e que caminhe na direção da segurança e soberania alimentar e dos povos.