Mobilização por justiça climática leva centenas de pessoas às ruas do Rio
Na manhã do último domingo, dia 31 de maio, cerca de 500 pessoas ocuparam a avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), em um grande ato, que marcou o início da Semana do Meio Ambiente. A mobilização foi articulada por mais de 200 movimentos sociais, sindicatos, organizações da sociedade civil e coletivos – dentre eles, o Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS).

Representantes de centenas de organizações fizeram falas denunciando o racismo ambiental e destacando que povos e comunidades tradicionais, periféricas e negras são as principais vítimas da crise do clima e de eventos extremos. As falas também exigiram ações urgentes para promover justiça climática e socioambiental, não só no Rio, mas em todo o país.
No final do ato, houve a leitura da carta compromisso “Floresta viva, ar limpo, água e solo para todos – por um estado sustentável”, que já foi assinada por mais de 200 coletividades, incluindo o PACS.
O texto reivindica que as comunidades e os territórios deixem de ser apenas vítimas da crise e passem a ocupar o centro das decisões climáticas. Clique aqui para acessar a carta na íntegra. Entidades interessadas em se unir à mobilização podem assinar a carta através do formulário disponível aqui.
A mobilização está pautada em quatro eixos centrais:
- Combate ao racismo ambiental: o manifesto da coalizão de movimentos e organizações denuncia que as populações periféricas e negras são as mais afetadas por enchentes e ondas de calor – a mobilização exige políticas de adaptação climática específicas para favelas e o fim da negligência estatal nas áreas de risco.
- Segurança hídrica: ambientalistas estão alertando para o risco catastrófico no Rio Paraíba do Sul, onde 5 milhões de toneladas de um subproduto da produção de aço da CSN, a escória de aciaria, estão depositadas irregularmente próximas à margem do rio.
- Arborização e desmatamento zero: entre as demandas locais, destaca-se a luta contra o “assassinato de árvores” no subúrbio carioca, a exigência de concursos públicos para órgãos como Secretaria Municipal do Ambiente e Clima (SMAC) e Instituto Estadual do Ambiente (INEA), e a implementação de corredores ecológicos ligando fragmentos de Mata Atlântica.
- Gestão de resíduos e transição energética: a mobilização cobra a aplicação integral da Política Nacional de Resíduos Sólidos e uma transição energética que priorize a soberania das comunidades e a saída dos combustíveis fósseis.





A equipe do PACS participou do ato no último domingo, junto com integrantes da campanha Rio Capital do Caô Climático, do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS) e de outras redes e organizações parceiras.
Durante a mobilização, essas coletividades destacaram o papel do poder corporativo na aceleração da destruição do planeta e denunciaram principalmente o caso da Ternium Brasil (antiga TKCSA), siderúrgica instalada há cerca de 20 anos na Zona Oeste do Rio, em Santa Cruz.
A empresa é responsável por mais de metade das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) da cidade, de acordo com o relatório “Mudanças climáticas e siderurgia – Impactos locais e globais da Ternium Brasil”, que foi publicado pelo PACS e está disponível na Biblioteca Berta Cáceres.
Outros estudos apontam que a poluição da siderúrgica ultrapassa os limites entre bairros, cidades e até estados, provocando problemas de saúde à população e prejudicando o meio ambiente.
De acordo com o relatório “Air quality impacts of the Ternium Brasil Santa Cruz steel plant”, publicado pelo Centre for Research on Energy and Clean (CREA) e também disponível na Biblioteca Berta Cáceres, entre 2010 e 2023, a poluição da siderúrgica pode ter causado até 1.750 mortes, só em Santa Cruz – incluindo de crianças pequenas, menores de 5 anos. As mortes estão associadas principalmente a infecções e doenças respiratórias, pulmonares e cardiovasculares.
Já o estudo “Fine Particulate Matter Levels in the Western Area of the City of Rio de Janeiro and the Potential Risks on Children’s Health”, publicado no Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology e disponível no site do periódico científico, aponta que, em 2023, em três bairros vizinhos à siderúrgica – Santa Cruz, Bangu e Paciência –, mais de 30% das mortes de crianças entre 1 e 5 anos de idade estavam relacionadas a doenças associadas aos níveis altos de poluição da região, que registra os piores índices de qualidade do ar da cidade.
O estudo identificou que, nesses bairros, entre abril e novembro de 2023, a concentração das micropartículas chamadas de MP2,5, que poluem o ar e prejudicam a saúde das pessoas, ultrapassou o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em mais de metade dos dias analisados.
Para saber mais sobre o caso, clique aqui e conheça a campanha Rio Capital do Caô Climático.
Para acompanhar as próximas mobilizações socioambientais do PACS, siga o @institutopacs nas redes sociais.
