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Campanha Rio Capital do Caô Climático leva denúncia sobre os impactos da Ternium à 15ª Conferência Municipal de Saúde do Rio

No dia 1º de julho, teve início a 15ª Conferência Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, realizada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e pelo Conselho Municipal de Saúde, no ExpoRio. Na ocasião, representantes da campanha Rio Capital do Caô Climático apresentaram uma demanda urgente para a conferência: “Ternium, a Zona Oeste quer respirar”.

Campanha Rio Capital do Caô Climático pauta direito de moradores da Zona Oeste ao ar limpo e à saúde em Conferência Municipal. Foto: PACS

Atualmente, a Ternium é a maior siderúrgica em operação na América Latina. Ela está instalada há anos em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Mas diversos estudos apontam que a poluição da siderúrgica prejudica o meio ambiente e a saúde das pessoas.

De acordo com o relatório “Air quality impacts of the Ternium Brasil Santa Cruz steel plant”, publicado pelo Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), entre 2010 e 2023, a poluição da siderúrgica pode ter causado até 1.750 mortes em Santa Cruz – incluindo de crianças. Os óbitos estão associados principalmente a infecções e doenças respiratórias, pulmonares e cardiovasculares.

Já o estudo “Fine Particulate Matter Levels in the Western Area of the City of Rio de Janeiro and the Potential Risks on Children’s Health”, publicado no Bulletin of Environmental Contamination and Toxicology, aponta que, em 2023, em três bairros do entorno da Ternium – Santa Cruz, Bangu e Paciência –, mais de 30% das mortes de crianças entre 1 e 5 anos de idade estavam relacionadas a doenças associadas aos níveis altos de poluição da região, que registra os piores índices de qualidade do ar do Rio.

O estudo identificou que, nesses bairros, entre abril e novembro de 2023, a concentração das micropartículas chamadas de MP2,5, que poluem o ar e prejudicam a saúde das pessoas, ultrapassou o limite estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em mais de metade dos dias analisados.

Campanha Rio Capital do Caô Climático denuncia impactos da poluição industrial na 15ª Conferência Municipal de Saúde do Rio. Foto: Edu Kapps/SMS

Na 15ª Conferência Municipal de Saúde do Rio, durante a mesa “Os Desafios para o SUS na Agenda Nacional da Defesa da Vida e da Saúde: Emergências Climáticas e Justiça Socioambiental”, representantes da campanha Rio Capital do Caô Climático, de trabalhadores e moradores atingidos pela Ternium, do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), do Sindicato dos Nutricionistas do Estado do Rio de Janeiro (SINERJ) e do Conselho Municipal de Saúde entregaram materiais da campanha e pesquisas que apontam os impactos da siderúrgica para representantes da Superintendência de Vigilância em Saúde da SMS. Na ocasião, o grupo também fez falas e exibiu cartazes pautando o direito dos moradores da Zona Oeste ao ar limpo e à saúde.

As conferências de saúde reúnem gestores, profissionais de saúde, pesquisadores e a sociedade civil, para discutir propostas que poderão contribuir para a consolidação de políticas públicas de saúde no município. São espaços de participação social importantes e que devem ser ocupados pela população, para endereçar suas denúncias e demandas. Ações como a realizada na 15ª Conferência Municipal de Saúde do Rio articulam pesquisa, comunicação e incidência, para defender políticas públicas que enfrentem os impactos da poluição industrial e garantam condições dignas de vida para a população.

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