V Encontro Estadual de Agroecologia do Rio de Janeiro reúne mais de 2 mil pessoas em Silva Jardim
Entre os dias 26 e 28 de junho, a cidade de Silva Jardim (RJ) recebeu mais de 2 mil pessoas para o V Encontro Estadual de Agroecologia do Rio de Janeiro (V EEARJ). Metade do público era formada por agricultoras e agricultores e mais da metade eram mulheres (65%) ou pessoas negras (52%), o que mostra o protagonismo feminino, negro e popular na construção da agroecologia no estado.
Realizado pela Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro (AARJ), o encontro teve como tema: “Justiça climática e comida de verdade na mesa do povo: encontro dos rios celebrando os 20 anos da AARJ”.
O Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS) faz parte da AARJ há mais de uma década e participou ativamente da construção do V EEARJ, contribuindo com recursos e com apoio à produção, mobilização, metodologia e comunicação. Da equipe do PACS, participaram do encontro a coordenadora institucional e integrante da coletiva de gestão, Aline Lima, e a assessora de comunicação, Mylena Melo.


A programação contou com vivências, plenárias, instalações pedagógicas, rodas de conversa, trocas de sementes e mudas, atividades culturais, feira e festival gastronômico. Depois de quase 10 anos sem um encontro estadual, agricultoras e agricultores do campo e da cidade, povos indígenas, quilombolas, comunidades pesqueiras, técnicos, pesquisadores, estudantes e representantes de organizações da sociedade civil e de movimentos sociais, que constroem a agroecologia no estado do Rio dia após dia, faça chuva ou faça sol, puderam compartilhar três dias de muitos reencontros e trocas, fortalecendo laços, redes e a sua atuação política coletiva.
Durante todos os dias, por iniciativa do grupo de trabalho (GT) Mulheres da AARJ, a Tenda de Saúde e Cuidados ofereceu atendimentos gratuitos com terapias tradicionais, práticas integrativas, momentos de escuta, oficinas e outras atividades voltadas ao cuidado do corpo, da mente e das relações.
A organização do encontro ofereceu hospedagem e alimentação agroecológica para mais de 400 pessoas que construíram o V EEARJ e se responsabilizou por todos os resíduos gerados no encontro, prezando pela redução da geração e pela destinação adequada dos resíduos.



O encontro começou com as vivências em territórios da região Serramar, na manhã de sexta (26) – aconteceram 15 visitas a experiências agroecológicas de Silva Jardim, Casimiro de Abreu e Araruama. Um dos locais visitados foi o sítio da “Cida do sabão”, ou Aparecida Oliveira, que compartilhou sua experiência com os visitantes e os levou para conhecer o cultivo de feijão, a criação de galinhas e a produção artesanal do sabão pelo qual ela é reconhecida. Para ter um gostinho de como foram as vivências, assista ao registro audiovisual feito pela Associação Mico Leão Dourado.


À tarde, houve a abertura da feira agroecológica “Saberes, Sabores e Sementes”, que reuniu mais de cem barracas na praça Amaral Peixoto, com produtores e produtoras da região. Tinha de tudo: banana, limão galego, mexerica, mandioca, inhame, abóbora, palmito, carnes e embutidos, ovo caipira, leite, queijo, cuscuz, tapioca, farinha, feijão, geleias, doces, compotas, chocolates, mel, bolos, pães, café, licor, kombucha, ervas medicinais, cosméticos naturais, artesanato e muito mais. Um retrato da diversidade e da potência da agroecologia.







A programação seguiu com a primeira plenária do encontro: a plenária das mulheres, que foi pensada e conduzida pelo GT Mulheres da AARJ.
A atividade começou com a construção de um Rio do Tempo, com fotos, publicações, estandartes, sementes, mudas e outras recordações e símbolos que marcam a história do GT. Em seguida, as mulheres se reuniram em roda, em uma ciranda, cantando juntas.
A professora e pesquisadora Vanessa Schottz deu início às falas da plenária, lendo uma poesia da agricultora Rosiney Dornelas, mais conhecida como Rosi. Confira a seguir:
“A agroecologia é o encontro harmonioso entre o ser humano e a natureza, onde cada semente carrega esperança, cada gota de chuva alimenta sonhos e cada colheita celebra a vida.
Na agroecologia, o solo não é apenas chão; é um organismo vivo, fértil e precioso. As árvores não são obstáculos, mas companheiras. Os rios não são recursos a serem explorados, mas veias que sustentam a existência.
Ela nos ensina que produzir alimentos vai além de colher frutos. É cuidar da biodiversidade, respeitar os ciclos naturais e construir um futuro onde desenvolvimento e preservação caminham lado a lado.
Quando uma família cultiva a terra com respeito, nasce mais do que alimento: nasce dignidade. Quando uma comunidade compartilha saberes, floresce mais do que conhecimento: floresce união.
Que possamos ouvir a voz silenciosa da natureza, aprender com sua sabedoria e semear hoje aquilo que desejamos colher amanhã.
Porque a agroecologia não é apenas uma forma de cultivar a terra. É uma forma de cultivar a vida, a esperança e o futuro de gerações inteiras.”
A coordenadora do PACS, Aline Lima, de sequência às falas, fazendo um resgate da história do GT. Ela lembrou que o grupo surge em 2013, durante um encontro estadual, depois de uma vivência, no sítio de um casal.
“Nós fomos recebidas pela mulher, com um café farto, com bolo e outros quitutes. Conversando com ela, a gente descobriu que aquele milho do bolo era ela que plantava, no quintal atrás da casa. Aquele café também. Quando a gente foi ao quintal, a gente viu que tinham 17 culturas diferentes, que ela produzia para o consumo da família, mas também trocava com outras mulheres, que também tinham seus quintais produtivos. Mas ela e todas essas mulheres não se reconheciam enquanto agricultoras e não estavam presentes nas rodas de conversa e eventos da agroecologia. Aquilo criou uma inquietação muito grande em nós, porque a gente começou a entender que existia uma invisibilidade do trabalho das mulheres não só na sociedade como um todo, como o feminismo já vinha denunciando há muito tempo, mas também na agroecologia, entre os nossos pares”, lembrou Aline.
Outras mulheres que constroem o GT também compartilharam suas memórias e reflexões.
“Eu tive o prazer de entrar para o GT em 2015 e fiquei lá, por anos, resistindo em formar um GT na minha região. Até que eu peguei essa tarefa para mim, de formar um grupo de mulheres e ser uma antena do GT na minha região. Mesmo com medo, fui convidando algumas mulheres e elas foram se achegando. Até que, em 2018, estava formado o GT Mulheres da Serramar”, lembrou a agricultora Aparecida Oliveira, a “Cida do sabão”.
Uma das mulheres mobilizadas por Cida foi a agricultora e viveirista Graça Coelho. “Em 2017, a Cida me fez o convite de entrar no grupo de mulheres e eu entrei. Ela me deu aquela cadernetinha agroecológica, me ensinou a usar, e aí eu comecei a me libertar. Hoje, eu me reconheço como uma agricultora”, compartilhou Graça, na plenária.



“Eu, graças ao GT, já consegui fazer com que diversas mulheres da minha região reconhecessem que elas não podem se apresentar como domésticas”, disse a agricultora Juliana Diniz, mais conhecida como dona Juju.
“Ao inscrever um filho na escola ou tirar um documento de identidade, elas dizem ‘eu sou doméstica’, então elas não têm nada que prove que elas são agricultoras. Mas vocês não devem ter vergonha de serem agricultoras, porque são as agricultoras e agricultores que seguram o mundo. Tudo que tem dentro das nossas cozinhas e casas vem da agricultura. Então nós temos que respeitar muito as agricultoras e agricultores e os homens também têm que respeitar as suas mulheres, quando elas disserem que são agricultoras. Sua mulher não é doméstica, ela é uma agricultora”, completou Juliana.
A engenheira agrônoma Renata Souto apontou em sua fala uma das consequências da invisibilização do trabalho das mulheres: “se ela não se reconhecer como agricultora, ela também não pode se aposentar como agricultora”. Ela destacou como o trabalho do GT e a caderneta agroecológica, citada por Graça e outras agricultoras, são importantes para o reconhecimento da produção das mulheres. Ao escrever o que plantam, colhem, comem, vendem, trocam ou doam, elas se dão conta da riqueza da sua produção e da importância que seu trabalho tem.
Outro aspecto abordado por ela foi o do trabalho reprodutivo, que também é invisibilizado. “Quem segura o mundo mesmo são as mulheres, com os trabalhos reprodutivo e de cuidado. Se você consome o que você planta, você está cuidando da segurança alimentar da sua família”, defendeu Renata.


Além de refletir sobre a relação das mulheres com o trabalho, produtivo e reprodutivo, o GT também é um espaço importante para discutir a violência de gênero, o racismo, a crise do clima e outras questões que atravessam a vida das mulheres, no campo e na cidade.
Ao mesmo tempo, o GT promove a auto-organização e o cuidado coletivo. Não é à toa que muitas das mulheres que constroem o GT o consideram uma família, como disse Darcy Machado, durante a plenária: “eu também conheci o GT através da Cida e esse grupo me ajudou muito, porque eu não tenho família de sangue no Rio de Janeiro, então o GT Mulheres é a minha família, é o meu alento, sempre que eu preciso de ajuda, tem uma mulher do GT pronta para me acolher”.
Para Saney Souza, do Quilombo das Caboclas, “nesse sistema capitalista, a gente ainda tem muita disputa, nos colocam umas contra as outras, dizem que temos inveja uma da outra, mas a gente está rompendo com isso dentro do GT há muito tempo”. “Cada uma de nós é referência uma para a outra”, completou Saney.
Ela também fez um chamado para as participantes do encontro: “A gente está falando de mulheres que não aceitam ser violentadas, então se vocês concordam com isso, o grupo é esse aqui, o GT é esse lugar, não tem problema não entender muito bem o que é o feminismo”.
Após as falas, as mulheres se juntaram em um abraço coletivo e dedicaram a plenária a Vanessa Schottz, que foi homenageada pelas companheiras do GT.


Após a plenária das mulheres, houve um momento de celebração dos 20 anos da AARJ, no qual membros das regionais e redes que fazem parte da articulação, representantes do poder público e apoiadores fizeram falas saudando a realização do V EEARJ e o aniversário da AARJ.
Na ocasião, a coordenadora do PACS, Aline Lima, representou a Rede Carioca de Agricultura Urbana (Rede Cau). Em sua fala, ela também lembrou que a rede existe há 16 anos, mas “continua enfrentando cotidianamente as arbitrariedades de uma cidade que não abre espaço para a agricultura e que quase não tem políticas públicas para as agricultoras e agricultores”.
“Numa cidade que é a favor dos megaprojetos de desenvolvimento, da especulação imobiliária e do avanço dos fundamentalismos, é muito importante ter uma rede com mais de 300 pessoas dizendo que existe alimento saudável sendo produzido na cidade, que esses agricultores precisam ser visibilizados e que essa agricultura urbana existe. A agroecologia está na cidade e pauta o combate à fome todos os dias. Ela está nos quintais, nas favelas e nas lajes”, defendeu Aline.


À noite, teve início o 1º Festival GastronôMICO de Agroecologia de Silva Jardim, com produtores locais de massas, caldos, pastéis, tortas, sanduíches, sucos, cerveja, licores, doces, bolos. Tinha feijão-tropeiro, bobó de cogumelo, palmito na brasa, pastel de aipim, cerveja de juçara e outras delícias. Também aconteceram apresentações culturais da Banda Honório Coelho, do grupo Mineiro Pau de Silva Jardim, e da dupla Íris e Santiago.





O segundo dia do encontro começou com feira, troca de sementes e apresentações culturais, do Circo da Matita, Sapo Boi e Girininho, e Meninas do Folia. Depois do almoço, foram realizadas mais de 15 rodas de conversa simultâneas, nas quais os participantes puderam trocar saberes sobre temas como justiça climática, soberania alimentar, saúde, preservação, territórios, educação e outros. O PACS coordenou, junto com o GT Mulheres da AARJ, uma roda de conversa que reuniu experiências diversas, para dialogar sobre cuidado.
Valdirene Militão, Renata Souto, Aline Lima e Darcy Machado compartilharam a experiência das cestas “Cuidar-se”, feitas pelo GT durante a pandemia. A iniciativa surge depois que o grupo identifica algumas demandas comuns: a necessidade de escoar os produtos feitos pelas mulheres e gerar renda, uma vez que as feiras e outros espaços de comercialização estavam suspensos; a urgência de cuidar de quem estava cuidando de tudo e todos naquele momento, as mulheres; e o desejo coletivo de trocar – desde receitas e sementes, até angústias e sonhos.
Inicialmente, foram produzidas 14 cestas, contendo itens diversos – tinturas, pomadas, óleos e outros preparos com ervas medicinais, sabões e sabonetes ecológicos, mudas de plantas, alimentos, máscaras e um caderno com orientações de uso, receitas, dicas de autocuidado e recomendações sanitárias. Depois da primeira leva, foram produzidas e distribuídas, em diferentes cidades do estado do Rio, mais de 200 cestas “Cuidar-se”.
“Quando eu recebi a cesta, não recebi só a cesta. Recebi também todas aquelas mulheres, que fizeram aqueles produtos, na minha casa”, disse Valdirene, durante a roda de conversa. “O GT foi fundamental durante a pandemia, para que eu não me sentisse só. Nós trocamos muito, receitas, chás, ideias”, completou Valdirene. Para ela, as cestas também promoveram a valorização dos saberes das mulheres e a sua autonomia financeira. Muitas se perceberam detentoras de conhecimentos relevantes e sabedorias ancestrais depois de verem suas receitas e produtos na cesta. Além disso, muitas aprenderam a fazer os produtos e ganharam uma nova fonte de renda. “Depois de ganhar o sabão ecológico, aprendi a fazer e comecei a ensinar outras mulheres a fazerem. Hoje, muitas delas têm sua renda desse sabão”, contou Valdirene.



Durante a roda de conversa, Darcy compartilhou um poema feito por ela, para o projeto “Poesias Culinárias”. O texto narra a sua relação com o território e mostra como o cuidado e a agroecologia caminham juntos.
“Vim de uma terra distante, procurando me encontrar
Depois de muitas andanças, encontrei o meu lugar
Muito trabalho na enxada, muita terra a cultivar
Numa belíssima baixada, entre a serra e o mar
Plantar árvores, ervas e flores é o que gosto de fazer
A natureza agradece e alegra o meu viver
Ao balançar-me na rede, depois de um dia de labuta,
Ouço a algazarra dos pássaros, nas árvores, comendo os frutos
Vejo outros animais, a cuidar das suas crias
Agradeço a Deus por tudo
Viva a agroecologia!“




Na roda de conversa, também compartilharam experiências Antonio José e Biel Fortuna, da Associação Brasileira de Apoio à Cannabis Terapêutica Agroecológica (Abacate), e Dandara e Renata Souto, mãe e filha, que atuam na Horta Pedagógica da Policlínica Piquet Carneiro.
Antonio e Biel relataram que a associação surge a partir das suas vivências com a cannabis medicinal, após buscarem alternativas ao uso de medicamentos alopáticos e observar os benefícios do óleo extraído da cannabis. A partir daí, surge a preocupação com a produção da planta e do óleo e a associação começa a pautar não só o acesso aos tratamentos com cannabis medicinal, mas também a criação de um sistema produtivo descentralizado e de base agroecológica, capaz de gerar renda para a agricultura familiar e promover saúde.
“Nós queremos, ao invés de ter uma grande produção monocultural, pequenas produções de cannabis agroecológica, que serão processadas em laboratório, de forma legal. A ideia é garantir uma fatia desse mercado, que está em expansão e vem sendo dominado por farmacêuticas e grandes empresas, para os pequenos produtores familiares. Além disso, a gente vê a cannabis agroecológica como reparação histórica, já que a criminalização da planta está diretamente ligada ao racismo”, defendeu Antonio.
Dandara e Renata apresentaram a experiência da Horta Pedagógica da Policlínica Piquet Carneiro, criada no âmbito de um projeto de extensão, como uma estratégia de promoção da saúde e do cuidado. Instalada em formato de mandala, no jardim da unidade, a horta reúne plantas alimentícias e medicinais, recomendadas por nutricionistas, e estimula a interação entre estudantes, profissionais e usuários, que compartilham saberes sobre o uso das espécies e colaboram com o manejo. Dandara e Renata destacam que, apesar de não se tratar de uma horta comunitária, ela também assume um papel comunitário ao criar espaços de convivência, promover trocas e fortalecer vínculos.
“A maior parte dos cursos da área da Saúde ainda são muito centrados num modelo biomédico e engessado, em que a relação do médico com o paciente é muito fria. Através da horta, a gente tem tentado romper com isso e pensar em outras formas de cuidar dos usuários da unidade de saúde e também dos trabalhadores, professores e estudantes”, contou Dandara.
A coordenadora do PACS, Aline Lima, encerrou a roda, destacando a importância de “todas as experiências compartilhadas terem a ver com uma noção ampliada de saúde e de cuidado, que envolvem uma escuta ativa e a construção coletiva com a comunidade”.

Depois das rodas de conversa, os participantes do encontro se reuniram novamente, para conhecer melhor as experiências agroecológicas do estado, através das instalações pedagógicas. Representantes de todas as regionais e de redes que constroem a AARJ puderam compartilhar elementos simbólicos para seus territórios e trajetórias, incluindo fotos, publicações, plantas, instrumentos musicais e outros itens. O PACS apoiou a organização e condução da instalação do GT Mulheres, pautando novamente a luta das agricultoras e a importância do grupo para a auto-organização das mulheres e a construção de estratégias coletivas de resistência e de cuidado.
O segundo dia de encontro foi encerrado com mais uma noite de festival gastronômico e apresentações culturais – dessa vez, com a participação de DesAmélias, Noites do Norte e Trio Caio Vargas.




Na manhã do terceiro e último dia de encontro, os participantes se reuniram para a plenária final, na qual foi aprovada uma Carta Política, que expressa prioridades, desafios e compromissos coletivos para fortalecer a agroecologia, ampliar direitos, enfrentar as desigualdades, promover a justiça climática e consolidar políticas públicas que garantam comida de verdade, biodiversidade, participação social e bem viver.
Representantes da organização, de apoiadores e parlamentares também fizeram falas sobre o encontro, a conjuntura e celebrando os 20 anos da AARJ. A plenária foi encerrada com os participantes em roda, cantando parabéns para a articulação, no entorno de uma mesa farta, cheia de bolos de aniversário, feitos pelas mulheres da agroecologia. Em seguida, o encontro foi finalizado, com a apresentação do Maracatu Ventarolas.




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